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Martial justifica a aposta e comanda a virada do United na partidaça contra o Southampton

O valor pago pelo Manchester United ainda parece exagerado. Mas como criticar o clube pela contratação de Anthony Martial, se o garoto vem justificando as apostas a cada jogo? Depois do belo gol no clássico contra o Liverpool (embora tenha afundado com o resto do time contra o PSV), o camisa 9 definiu a vitória sobre o Southampton, em um jogo que se desenhava difícil para os Red Devils. Jogando em St. Mary’s, os visitantes foram buscar a virada por 3 a 1 graças ao novato, marcando dois gols em sua segunda partida como titular pelo clube. Resultado que reforça o bom início do United na Premier League, assumindo a segunda posição com 13 pontos – só dois a menos que o líder Manchester City.

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O United sabia dos cuidados que precisava tomar diante do Southampton. Afinal, os Saints venceram o último duelo entre os clubes, em janeiro, dentro de Old Trafford. E pareciam preparados para aprontar novamente, especialmente pelo bom início de jogo. Dando sufoco nos primeiros minutos, o Soton abriu o placar aos 13. David De Gea fez milagre no primeiro chute, mas estava vendido quando Graziano Pellè aproveitou o rebote – para comemorar homenageando a Copa do Mundo de Rúgbi, simulando um try na linha de fundo. E o italiano ainda poderia ter ampliado na sequência, em chute que carimbou a trave.

Com o Southampton dominando o meio de campo durante boa parte do primeiro tempo, o Manchester United demorou a responder. E, em um raro espaço do time na área adversária, aos 34 minutos, Martial começou a decidir. Após desarme de Yoshida, a bola sobrou nos pés do camisa 10, que deu lindo drible em Van Dijk antes de vencer Stekelenburg. Calma e talento, essenciais a ele e aos Red Devils para buscar a virada. O time cresceu com o gol e buscou a virada no início do segundo tempo, graças a um erro de Yoshida. Um recuo muito mal feito pelo defensor deu o campo livre para Martial avançar até a área e vencer Stekelenburg. O serviço estava feito pelo camisa 9.

Não que o Manchester United tenha desfrutado de muita tranquilidade até o fim da partida. Logo na sequência, De Gea mostrou que está mesmo de volta, ao operar um milagre em cima da linha para evitar o gol de Tadic. A situação se acalmou um pouco quando Schweinsteiger fez a jogada e, após Depay acertar a trave, Mata anotou o terceiro. Mas isso não fez os Saints desistirem. Pellè marcou mais um gol aos 41, subindo sozinho no meio da zaga após ótimo cruzamento de Sadio Mané pela direita. E, diante da pressão dos alvirrubros, o empate só não veio graças a De Gea. Nos acréscimos, o espanhol realizou sua terceira grande intervenção na partida, voando no ângulo para espalmar o chute de Wanyama. Garantiu os três pontos.

Se o Manchester United se reforçou menos do que se esperava no mercado, as novidades vão se mostrando bastante úteis. No meio de campo, Schneiderlin e Schweinsteiger ditaram o ritmo com maestria, sobretudo a partir do final do primeiro tempo. Depay não brilhou tanto como nas outras oportunidades, mas também participou dos gols. De Gea, o “reforço” de última hora, voltou a garantir a confiança que não existia com Romero no gol. E, por fim, Martial apresenta um ótimo cartão de visitas neste início com a camisa vermelha. Apesar da idade, já provou a tranquilidade e a capacidade nas finalizações essenciais a qualquer matador. Além disso, estava posicionado no lugar exato nos dois gols de hoje, em sua dose de sorte.

A Premier League nesta temporada começa bastante aberta. Não apenas pelos favoritos ao título que entram no ritmo, mas também pela força que os médios e pequenos têm apresentado, muito graças às boas contratações com a bonança financeira vinda da TV. Os “jogos fáceis” são cada vez mais raros, enquanto várias forças aparecem em posições medíocres na tabela. Por isso mesmo, essa boa sequência inicial do United, especialmente depois da derrota para o Swansea, vale muito. Ainda mais quando as novas peças já se mostram tão aptas ao sistema. Martial, sobretudo.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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