Mapa da mina: os 7 pecados do Chelsea
O Chelsea faz uma temporada abaixo das expectativas. Os Blues contam com um elenco de grande qualidade técnica, mas pecam no conjunto. A troca de Roberto Di Matteo por Rafa Benítez ajuda a evidenciar os problemas, embora as mudanças feitas pelo novo técnico sejam tímidas. Foram apenas cinco vitórias nos 14 jogos anteriores à decisão do Mundial de Clubes. A sequência de três triunfos consecutivos maquia falhas, especialmente quando se coloca o nível dos adversários em xeque – Nordsjaelland, Sunderland e Monterrey.
Obviamente, o Chelsea possui suas virtudes. A mais evidente delas é a eficiência da trinca de meias, composta por Juan Mata, Eden Hazard e Oscar – ou, nas últimas partidas, Victor Moses. O trio garante intensidade nos passes e velocidade nas subidas ao ataque, mas nem sempre assegura o resultado. Além disso, Benítez tem tentado aumentar a compactação do time, para evitar os espaços excessivos e a sobrecarga a Petr Cech, comum nas últimas semanas.
De qualquer forma, são várias as carências demonstradas pelo Chelsea na temporada – não seria diferente para uma equipe que já sofreu sete derrotas até aqui. A falta de proteção nas laterais e as dificuldades contra times que pressionam a saída de bola são recorrentes. Basicamente, os adversários com linhas de marcação mais coesas, que explorem as pontas ou o espaço entre defesa e cabeças de área, foram os que deram mais trabalho. E os gols de contra-ataque, de cabeça ou aproveitando erros na saída foram comuns.
As derrotas não indicam que o Corinthians terá vida fácil no domingo, pelo contrário. Mas mostram as possibilidades em que os alvinegros podem investir para voltar do Japão com o título.
Chelsea 2×3 Manchester City
Community Shield
12/08/2012 – Villa Park
Na primeira partida oficial da temporada, o Chelsea foi testado contra um Manchester City diferente do trivial. Pela primeira vez Roberto Mancini utilizou o time com três defensores. E o 3-4-1-2 até deu resultado durante os primeiros minutos, com os Citizens controlando o meio de campo durante os primeiros minutos. O Chelsea, por sua vez, não demorou a encontrar seu tom e Fernando Torres, combinando tabelas com os meio-campistas, abriu o placar.
Com um jogador a menos desde o fim do primeiro tempo, quando Ivanovic foi expulso, os Blues não seguraram a blitz adversária na volta do intervalo. Foram 20 minutos intensos do City, abusando das transições rápidas e arrematando contra Petr Cech a cada brecha dada. O time aproveitava a largura do campo para distribuir seus meio-campistas e penetrar com maior facilidade na defesa adversária. A virada foi inevitável e os londrinos não souberam se recuperar do revés. Bertrand faria o segundo, mas a segurança dos Citizens prevaleceu.
Principais estatísticas (Chelsea/City): Posse de bola (46%/54%); Chutes (7/10); Chutes a gol (3/6)
Gols sofridos
Yaya Touré (8’/2T) – Nasri e Milner avançaram pelos espaços da defesa do Chelsea. O inglês cruzou da direita e, após corte parcial, Touré marcou no rebote
Tevez (14’/2T) – Nasri fez a jogada pela esquerda e passou para Tevez. Sem a proteção dos volantes, o argentino atravessou a entrada da área e bateu no ângulo
Nasri (20’/2T) – Improvisado na lateral direita, Ramires não acompanhou Kolarov e o ala levantou para Nasri escorar na grande área
Chelsea 1×4 Atlético de Madrid
Supercopa Europeia
31/08/2012 – Stade Louis II
Uma noite para o Chelsea esquecer. Os Blues tiveram uma postura desleixada na Supercopa e acabaram pagando com goleada. O time se posicionou de maneira adiantada e o Atlético de Madrid foi impiedoso com os espaços deixados às costas da zaga, especialmente pelo lado esquerdo dos ingleses. Foram dois gols de contra-ataque e outro por erro de saída de bola no primeiro tempo. E a eficiência dos colchoneros se traduziu em Falcao García, que completou um hat-trick nos 45 minutos iniciais e ainda acertou duas bolas na trave.
Já na segunda etapa, Miranda aproveitou nova falha defensiva do Chelsea, agora no jogo aéreo, para definir a goleada. Os londrinos insistiriam para tentar diminuir, mas eram pouco eficazes diante das linhas defensivas compactas dos espanhóis, que ainda levavam perigo nos contragolpes. Por fim, Cahill acabou fazendo o tento de honra em bola parada, mas a equipe de Di Matteo não foi além disso.
Principais estatísticas (Chelsea/Atlético): Posse de bola (58%/42%); Chutes (12/18); Chutes a gol (7/12)
Gols sofridos
Falcao (6’/1T) – Em contra-ataque do Atlético, Gabi lança Falcao e os zagueiros não acompanham o colombiano, que encobre Cech
Falcao (19’/1T) – O Atlético rouba a bola no campo ofensivo e, com a defesa aberta, troca passes. Falcao recebe na área e, sem ser pressionado por Ashley Cole, chuta colocado
Falcao (45’/1T) – Em novo contra-ataque, Arda Turan avança livre pelo meio e toca para Falcao, que passa por Ramires na esquerda e chuta por baixo de Cech
Miranda (15’/2T) – Cobrança de falta pela direita, a defesa não afasta e Miranda aproveita a sobra
Chelsea 1×2 Shakhtar Donetsk
Liga dos Campeões
23/10/2012 – Donbass Arena
Não foi o placar mais amplo sofrido pelo Chelsea, mas certamente foi a derrota mais contundente da temporada. O Shakhtar colocou os visitantes na roda, mesmo com uma escalação mais cautelosa de Di Matteo. O time marcou o primeiro gol rapidamente e, depois de alguns minutos de equilíbrio, passou a sufocar no restante da etapa inicial, com Petr Cech evitando um estrago maior – foram nove defesas na partida. Aproveitando a velocidade dos homens de frente, a ligação direta por lançamentos era uma das principais armas.
A movimentação constante de trio de meias do time ucraniano, formado por Willian, Mkhitaryan e Alex Teixeira, desestabilizou a marcação do Chelsea. As ações abriram espaços para os avanços de Darijo Srna (que terminou a partida com 94 toques na bola e 15 cruzamentos) e Fernandinho. Em uma roubada de bola, o volante aumentou a conta. Organizado entre suas linhas defensivas, o Shakhtar brecava os desesperados ataques dos ingleses, que só nos instantes finais conseguiram encostar no placar, com gol de Oscar.
Principais estatísticas (Chelsea/Shakhtar): Posse de bola (52%/48%); Chutes (15/23); Chutes a gol (9/11); Dribles (13/17); Desarmes (17/20); Interceptações (22/14); Passes (457/438); Aproveitamento nos passes (85%/83%); Cruzamentos (27/21); Lançamentos (44/61)
Gols sofridos
Alex Teixeira (3’/1T) – Após lateral pela esquerda, Luiz Adriano ganhou na força dos defensores e rolou para Alex Teixeira marcar
Fernandinho (7’/2T) – Fernandinho rouba a bola de Hazard no meio, Luiz Adriano arranca e devolve para o meio-campista chutar cruzado
Chelsea 2×3 Manchester United
Premier League
28/10/2012 – Stamford Bridge
A primeira derrota na EPL contou com um apagão durante os primeiros minutos. O United foi a campo disposto a pressionar as trocas de passes e, a partir de duas roubadas de bola, abriu dois gols de vantagem graças à velocidade pelos flancos – na direita, Hazard não ajudava na marcação, com Valencia e Rafael explorando Ashley Cole. À frente da defesa adversária, Van Persie representava perigo constante, com Rooney encostando na armação. Apesar da diferença no placar, os Blues não mudaram seu padrão de jogo e começaram a furar o 4-1-4-1 dos Red Devils pouco antes do intervalo, a partir de infiltrações entre as duas linhas. Depois de grandes intervenções de De Gea, Mata venceu o goleiro cobrando falta.
O panorama seguiu para a etapa complementar e logo o empate veio, em cruzamento de Oscar que culminou no gol de Ramires. Todavia, a reação acabou sendo em vão. Ivanovic e Torres foram expulsos, obrigando Di Matteo colocar em campo Bertrand e Azpilicueta, remoldando o time em um “4-4” para ao menos para tentar segurar a igualdade. Mas nem isso os londrinos conseguiram, vulneráveis outra vez a um ataque rápido do United, que acabou com gol irregular de Chicharito Hernández.
Principais estatísticas (Chelsea/United): Posse de bola (49%/51%); Chutes (15/15); Chutes a gol (8/5); Dribles (3/7); Desarmes (21/26); Interceptações (13/10); Passes (421/457); Aproveitamento nos passes (81%/86%); Cruzamentos (25/17); Lançamentos (44/43)
Gols sofridos
David Luiz (4’/1T) – Após desarme, Ashley Young e Rooney puxaram o contragolpe com a defesa aberta. Van Persie finalizou na trave e a bola bateu em David Luiz antes de entrar
Van Persie (12’/1T) – Em outra arrancada pela direita, Valencia avançou com liberdade e rolou para o holandês bater de primeira
Chicharito (30’/2T) – Rafael pegou sobra de bola dentro da área e chutou cruzado. Voltando de impedimento, Chicharito desviou na pequena área
Chelsea 1×2 West Brom
Premier League
17/11/2012 – The Hawthorns
A derrota na qual o Chelsea foi mais dominante na posse de bola e na quantidade de passes. Pensando na Champions, Di Matteo fez alterações substanciais entre os titular, trocando os laterais e colocando Moses e Sturridge como meias. Logo aos 10 minutos, porém, Shane Long esfriou os ânimos ao marcar em jogada aérea. A sequência do jogo contou com os Blues ditando o ritmo de jogo, mas com dificuldades para atravessar a bem montada defesa dos Baggies. Long e Morrison apertavam a saída, enquanto duas linhas de quatro jogadores protegiam a área. Os espaços só começaram a aparecer pouco antes do intervalo, possibilitando o gol de Hazard.
No segundo tempo, o West Brom voltou mais ativo, principalmente pela liberdade de movimentação de Morrison, e retomou a vantagem com Odemwingie. Pressionado pela falta de criatividade do ataque, Di Matteo pôs Oscar e Mata no jogo. Entretanto, o técnico tirou Torres, deixando Sturridge como centroavante. Custou caro. Desesperados, os londrinos passaram a abusar do jogo aéreo, sem ter quem aproveitasse. Foram somente sete cruzamentos certos em 44 tentativas – o oposto dos Baggies, com dois tentos saídos exatamente dos sete cruzamentos feitos.
Principais estatísticas (Chelsea/West Brom): Posse de bola (65%/35%); Chutes (19/9); Chutes a gol (7/5); Dribles (6/0); Desarmes (13/23); Interceptações (11/11); Passes (608/342); Aproveitamento nos passes (90%/78%); Cruzamentos (44/7); Lançamentos (59/45)
Gols sofridos
Long (10’/1T) – Gera puxou a marcação de três jogadores na esquerda e tocou para Morrison, livre na área. O meia cruzou e Long se adiantou a David Luiz para escorar de cabeça
Odemwingie (5’/2T) – A trama coletiva confundiu a defesa. David Luiz foi acompanhar Long pela direita e o centroavante cruzou para Odemwingie, marcado por Bertrand, cabecear
Chelsea 0x3 Juventus
Liga dos Campeões
20/11/2012 – Juventus Stadium
O canto do cisne de Roberto Di Matteo à frente do Chelsea veio em uma noite melancólica. Precisando da vitória para sobreviver na Champions, o técnico mudou o time completamente. Tentou aumentar a proteção pelos lados ao escalar Azpilicueta como meia e deu coro às críticas sobre Torres, ao sacar o centroavante e arriscar com Hazard como falso nove. Os Blues até conseguiram conter os ataques adversários e tentavam surpreender nos contragolpes. Contudo, a Juve mandava no jogo, explorando principalmente o lado direito do ataque, e chegou ao primeiro gol antes do intervalo.
Com a mesma postura no segundo tempo, os bianconeri passaram a encontrar mais vazios e forçavam Petr Cech com um bombardeio. E o segundo gol acabou saindo depois da troca de Azpilicueta por Moses, com os italianos atacando exatamente pelo flanco direito da defesa. Di Matteo tentou aumentar o poderio ofensivo com a entrada de Torres no lugar de Mikel, o que pouco adiantou. Os ingleses tinham a posse de bola, mas não eram criativos, e acabaram permitindo o tento fatal em um contra-ataque.
Principais estatísticas (Chelsea/Juventus): Posse de bola (53%/47%); Chutes (11/25); Chutes a gol (2/13); Dribles (13/3); Desarmes (18/14); Interceptações (12/23); Passes (470/415); Aproveitamento nos passes (82%/85%); Cruzamentos (17/28); Lançamentos (51/59)
Gols sofridos
Quagliarella (38’/1T) – Pirlo fez jogada individual pelo meio e chutou de fora da área. Quagliarella desviou no meio do caminho e matou Cech
Vidal (16’/2T) – Após cobrança longa de lateral pela esquerda, Vucinic ajeitou, Asamoah invadiu a área e rolou para Vidal arrematar de primeira
Giovinco (46’/2T) – Em contra-ataque, Vidal lançou Giovinco, que não foi acompanhado por David Luiz ou Ashley Cole e chutou quando Cech já saía da área
Chelsea 1×3 West Ham
Premier League
01/12/2012 – Upton Park
A única derrota de Rafa Benítez à frente do Chelsea aconteceu em seu terceiro jogo, depois de dois empates. E, durante o primeiro tempo, os Blues deram a impressão de que iriam conquistar a primeira vitória com o novo treinador, depois que Mata abriu o placar. Compacto, o Chelsea explorava bastante os lados do campo, com Moses substituindo Oscar pela primeira vez entre os titulares. Além disso, mantendo a posse de bola, a equipe sequer deixava o West Ham se aproximar – a primeira finalização dos anfitriões aconteceu apenas nos acréscimos.
Entretanto, os Blues não souberam lidar com as duas substituições feitas por Sam Allardyce no intervalo. Com os pontas mais adiantados, os Hammers passaram a pressionar a saída de bola adversária e a atacar com velocidade. Foi o suficiente. Carlton Cole representou a força do jogo aéreo de seu time ao empatar – foram 37 cruzamentos e 14 bolas altas ganhas na área do Chelsea. Comandando as ações no meio de campo e aproveitando os espaços dados por Azpilicueta, Diamé decretou a virada nos minutos finais, enquanto Maiga deu o golpe fatal.
Principais estatísticas (Chelsea/West Ham): Posse de bola (58%/42%); Chutes (16/15); Chutes a gol (7/9); Dribles (4/4); Desarmes (15/23); Interceptações (9/11); Passes (494/338); Aproveitamento nos passes (83%/75%); Cruzamentos (18/37); Lançamentos (45/49)
Gols sofridos
C. Cole (18’/2T) – Mesmo marcado por Cahill e Azpilicueta, Jarvis teve brecha pela esquerda e cruzou para Cole saltar por cima de Ivanovic para cabecear
Diamé (41’/2T) – Cole recebeu cruzamento da esquerda, fez o pivô e rolou para Diamé bater de primeira, da entrada da área
Maiga (45’/2T) – Em contra-ataque, Cech defendeu chute de Taylor, mas Maiga aproveitou o rebote