Futebol inglês

Manchester United segue caminho do ‘risco calculado’ na lateral esquerda

Clube tenta reforçar a posição, sofre diante de um mercado implacável e tem somente Luke Shaw de garantia

Tão logo a janela de transferências abriu, a previsão era de que o Manchester United dedicaria parte dos esforços à contratação de um lateral-esquerdo. Ao invés disso, Michael Carrick ganhou reforços apenas para o meio-campo (Andrey Santos, Carlos Baleba e Youri Tielemans) e o gol (Karl Darlow).

Isso significa que o treinador vai passar pelo menos metade da temporada sem uma alternativa concreta a Luke Shaw. Não é o ideal, a estratégia pode dar errado, mas é um risco calculado. Os Red Devils até tentaram, contudo, não foram páreos para o mercado.

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Por que a lateral esquerda deveria ser prioridade no Manchester United

A lateral esquerda é assunto delicado no Manchester United desde a temporada passada, em que Luke Shaw e Tyrell Malacia eram as únicas opções disponíveis. O neerlandês, quando relacionado, participava pouco, de modo a disputar somente três jogos — 15 minutos em campo no total. O inglês esteve em 38 partidas.

A virada de ciclo marcou o encerramento do vínculo de Malacia e o clube decidiu não renovar. Só essa situação seria o suficiente para a diretoria se movimentar e levar novos nomes ao setor. Ao adicionar o longo histórico de problemas físicos de Shaw, reforçar a lateral esquerda deixaria de ser dispensável e se tornaria urgência.

Manchester United quer dar concorrente de maior peso a Luke Shaw
Luke Shaw, lateral do Manchester United (Foto: IMAGO/Sportimage)

Diversos jogadores foram associados a uma transferência para Old Trafford, dentre eles, Lewis Hall, do Newcastle, Alejandro Balde, do Barcelona, ​​e Jorge Salinas, do Racing Santander.

Hall estava no topo da lista de alvos. O lateral de 21 anos é desejo antigo do United, porém, os Magpies rejeitaram a investida. O radar mirou então em Balde, de 22 anos. A negociação seria por empréstimo, mas não avançou na reta final da janela. O mesmo ocorreu em relação a Salinas, 19. O clube recém-promovido à LaLiga ainda conta com o atleta.

A última cartada da diretoria foi tentar convencer Rayan Ait-Nouri a mudar de lado em Manchester. O plano era contratar o argelino por empréstimo, proposta recusada pelo City. Segundo a “BBC Sport”, os Citizens só aceitariam se o contrato incluísse cláusula de obrigação de compra, o que não era de interesse dos Red Devils.

O único lateral-esquerdo que o United estava realmente disposto a comprar em definitivo era Lewis Hall. A pedida do Newcastle, se concordasse em negociá-lo, seria alta, e o orçamento da janela foi dedicado especialmente ao meio-campo.

Estratégia arriscada e coloca Luke Shaw — e Carrick — em problemas

O mercado para times ingleses se encerrou na terça-feira (1º) e deixou o clube de mãos atadas. Shaw, 31 anos, pode não conseguir jogar todos os duelos que estão no calendário. Em 2025/26, a equipe não tinha competições europeias e foi eliminada precocemente da Copa da Liga Inglesa e da Copa da Inglaterra, o que se mostrou uma “benção e uma maldição”.

O grupo pôde se dedicar quase que exclusivamente à Premier League, terminou o torneio em terceiro lugar e voltou à Champions League. Logo, o cronograma de partidas desta temporada vai ficar maior.

Michael Carrick, técnico do Manchester United
Michael Carrick, técnico do Manchester United (Foto: Grzegorz Wajda / ZUMA Press Wire / IMAGO)

Carrick deve recorrer ao improviso para evitar o desgaste do inglês. Noussair Mazraoui, lateral-direito de origem, já fez a função no lado oposto em algumas ocasiões, assim como Diogo Dalot.

O jovem Harry Amass, de 19 anos, passou o último ciclo emprestado a Sheffield Wednesday e Norwich e retornou a Old Trafford na pré-temporada sem esperanças de permanecer. Como é o único atleta da posição além de Shaw, é provável que entre na rotação da equipe principal.

Apesar de todos os problemas que podem surgir no horizonte, o Manchester United parece ter aprendido com os erros. Depois de gastar mais do que gostaria em alguns jogadores ou contratar nomes apenas para preencher lacunas, sem considerar o futuro no time, o clube decidiu ser cauteloso no mercado e não ceder à pressão.

No entanto, essa cautela a diretoria não pode se dar ao luxo de ter no próximo verão europeu, em que a lateral esquerda será somente uma das posições defensivas a carecer de reforço dado o encerramento do contrato de Shaw e dos zagueiros Lisandro Martínez e Harry Maguire, por exemplo.

Foto de Milena Tomaz

Milena TomazRedatora de esportes

Jornalista entusiasta de esportes. Se formou em Comunicação Social em 2019.

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