Inglaterra

Mais para Fulham

Mohamed al-Fayed é um cara rico. Possui, entre outras coisas, a Harrod’s, tradicional loja de departamentos londrina, e era o seu filho que estava com a princesa Diana quando ela morreu em um acidente de carro. Quando o egípcio adquiriu o Fulham , em 1997, o clube acabara de subir da quarta para a terceira divisão inglesa, e, a partir dali, obteve três promoções em cinco anos até chegar à primeira divisão. Onde está desde então.

Al-Fayed não foi o primeiro milionário a comprar um time de futebol, mas o fez quando os Abramovichs ainda não eram comuns – os milionários malucos desta era eram, em geral, árabes. Além de levar o clube à principal divisão inglesa, investiu em jogadores caros para as divisões inferiores, e em técnicos idem – Kevin Keegan, que deixou a equipe para dirigir o English Team, e Jean Tigana.

Quando finalmente chegou à Premier League, não faltou quem previsse uma rápida ascensão, vaga na Copa Uefa e até mesmo na Liga dos Campeões para a equipe. O que nunca aconteceu: a melhor posição do Fulham desde então foi um 9º lugar na temporada 2003/4, e, nas duas últimas temporadas, a equipe se safou de cair na última rodada.

Faltando seis jogos para o final do campeonato deste ano, o Fulham é o oitavo, e tem, de fato, chances – embora mais matemáticas do que efetivas – de chegar à Liga Europa. Isso, no entanto, não justificaria uma coluna a seu respeito, não fosse pelo fato de que a equipe do oeste londrino ter batido, em pleno City of Manchester, o Manchester City, o novo brinquedo de um milionário árabe.

Comparar Mansour bin Zayed Al Nahyan, o dono do City, com Al-Fayed é covardia: o árabe tem quase cem vezes mais dinheiro do que o egípcio. Assim como não dá para comparar o modesto Fulham com o Manchester City, que muitos dizem ter em Manchester mais torcida que o rival United. Mas talvez a comparação seja mais adequada do que a que vinha sendo feita, entre os Citizens e o Chelsea. Porque seus donos são árabes, sim. Mas, principalmente, pela desproporção entre investimento e resultado.

O fato de que durante os primeiros anos da era Al-Fayed o Fulham estava nas divisões de baixo não impediu o egípcio de ter os jogadores mais caros da Inglaterra fora da divisão principal. Assim como o fato de o Manchester City não ter um time propriamente dito não impediu que a equipe pagasse por Robinho por 32,5 milhões de libras, recorde britânico. Completamente diferente do Chelsea, que gastou muito em seu primeiro ano, mas em muitos jogadores, nenhum com o nome e o valor de Robinho.

Abramovich, se sabe, também cansou de seu brinquedo, mas, além do brinquedo ter um história recente mais bem sucedida, há um grupo de gestores que mantém o time na elite. O Fulham, por outro lado, parece ter dado “sorte” de recuperar Roy Hodgson, que já dirigiu a Internazionale mas, ultimamente, andava meio em baixa – apesar de uma ótima campanha recente com a Finlândia.

O Manchester City contratou muito, e mal. Trocou um treinador experimentado no trato com estrelas por um inexperiente, ídolo do rival, e com história apenas em clubes médios – sem, portanto, egos para administrar. Por enquanto, deu tudo errado. O City, além de ter dado ao Fulham uma de suas raras vitórias fora de casa, parece totalmente sem rumo. Não sabe p que esperar de Robinho, embora a torcida peça sua presença em todos os jogos. E, pior, não há nada que indique que o futuro é melhor do que o presente.

Dinheiro não traz títulos? Mais ou menos, como o Chelsea mostrou. Traz, desde que venha com gestão adequada. Financeira e esportiva. O Manchester City, pelo jeito, não tem nenhuma das duas. Seu futuro parece mais parecido com o do Fulham do que com o do Chelsea.

Vermelhos

O Liverpool goleou o Blackburn por 4 a 0, e Jamie Carragher declarou que Fernando Torres é o melhor jogador do mundo. O Manchester United, pela segunda vez consecutiva, venceu por um gol de um jovem que até pocuo tempo atrás ninguém sabia quem era, e seu treinador disparou contra o melhor jogador da equipe – e, diz o prêmio, do mundo.

Embora a situação do United na Europa seja muito melhor do que a do Liverpool, o ânimo nos domínios de Rafa Benítez parece estar melhor do que nos escritórios de Alex Ferguson. Os Red Devils ainda lideram, mas não é razoável imaginar que Macheda tem futebol para decidir toda semana.

Além disso, o United é muito melhor do que o Porto, ou seja, basta tirar a máscara e descer do salto, CR em especial, para vencer em Portugal e continuar brigando pela Europa. O que o Liverpool terá bem mais dificuldade em fazer.

Em Manchester, uma nova conquista continental será mais comemorada do que mais uma liga inglesa. Em Liverpool, por outro lado, o título inglês não vem faz tempo, e pode bem ter mais gosto para a torcida do que mais um troféu da LC.

Os dois seguem favoritos, mas o momento dos Reds aponta mais para cima. As próximas seis rodadas têm tudo para entrar para a história das grandes decisões de títulos da Inglaterra. Convém não esquecer que na cola dos dois vermelhos há um azulzinho que tem incomodado bastante nos últimos tempos.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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