Futebol inglês

‘Manter a calma sempre’: Como o budismo ajuda Lewis-Skelly a lidar com a pressão no Arsenal

Aos 19 anos, meio-campista do Arsenal recorre à atenção plena, técnicas de respiração e escrita para administrar pressão dentro e fora de campo

Myles Lewis-Skelly encontrou no budismo uma forma de entender melhor aquilo que acontece dentro da própria cabeça antes de entrar em campo. Aos 19 anos, o jogador do Arsenal vive um momento de afirmação no futebol inglês, voltou a ser convocado para a seleção e se prepara para o duelo da Liga das Nações contra a Espanha.

Em meio à pressão que acompanha uma carreira que avançou rapidamente, o meio-campista recorre a técnicas de respiração, atenção plena, música e até ao hábito de escrever em um diário para controlar o nervosismo.

A preocupação do jovem não está apenas em afastar a ansiedade antes de uma partida. Lewis-Skelly demonstra interesse em compreender os próprios pensamentos e identificar aquilo que interfere em seu estado emocional. Para explicar esse processo, ele recorreu a um conceito do budismo conhecido como “mente de macaco”, utilizado para representar uma mente inquieta, que salta constantemente de um pensamento ou preocupação para outro.

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A ideia ajuda a explicar por que o jogador busca diminuir os estímulos e recuperar a tranquilidade antes de atuar. Em vez de tentar simplesmente ignorar o nervosismo, Lewis-Skelly procura reconhecer o que está acontecendo e trabalhar para que esse estado não controle suas decisões. É uma preparação que, para ele, começa antes mesmo de a bola rolar.

— Sempre que sinto algum tipo de peso, para mim é importante acalmar meu sistema nervoso e trazer tranquilidade de volta à minha mente, para ficar calma. Seja através de técnicas de respiração, música ou conversando com outras pessoas, sinto que é importante manter a calma sempre.

Atenção plena como parte da preparação de Lewis-Skelly

Lewis-Skelly durante jogo do Arsenal
Lewis-Skelly durante jogo do Arsenal (Foto: David Klein / Sportimage / IMAGO)

A relação do jogador com essas práticas também passa pelas pessoas que estão ao seu redor. Lewis-Skelly atribui a elas parte do contato com princípios que incorporou à rotina, mas coloca a atenção plena no centro desse processo. A preocupação em treinar a mente aparece, para ele, de maneira semelhante ao cuidado dedicado ao desenvolvimento físico de um atleta.

— São definitivamente as pessoas ao meu redor que me ajudam com esses tipos de princípios e conceitos. Mas isso vem da prática da atenção plena, porque quero abordar a importância da mente. Ela é um músculo, então você precisa treiná-la.

O diário é outra ferramenta que ganhou espaço nessa preparação. Lewis-Skelly acredita que colocar os pensamentos no papel permite enxergar com mais clareza aquilo que provoca diferentes reações e, a partir daí, ter maior controle sobre a própria atenção. A prática também é conhecida no ambiente do Arsenal, já que Mikel Arteta também utiliza o diário como parte de sua rotina.

— Isso me ajuda a ser mais intencional com meus pensamentos. Escrever em um diário me ajuda a entender o que me traz alegria, o que me traz felicidade, o que me tira a alegria, o que me tira a felicidade. Isso me permite ser mais intencional sobre o que estou pensando. E isso se reflete em campo.

A relação entre esse trabalho mental e o futebol de Lewis-Skelly ganha ainda mais relevância diante do momento que ele atravessa. O jogador não só voltou à seleção inglesa como também mudou de maneira importante sua participação no Arsenal. Depois de se destacar inicialmente como lateral-esquerdo, passou a ser utilizado por Arteta no meio-campo, justamente a posição em que Thomas Tuchel o convocou.

De fora da Copa a uma nova oportunidade na Inglaterra

Lewis-Skelly em ação pela seleção inglesa
Lewis-Skelly em ação pela seleção inglesa (Foto: Sebastian Frej / IMAGO)

Lewis-Skelly chegou a figurar entre os jogadores considerados para a Copa do Mundo depois de uma reta final de temporada de destaque, mas acabou ficando fora da lista final. Agora, quase um ano depois de sua última partida pela Inglaterra, contra a Letônia, em outubro de 2025, ele tem novamente a possibilidade de entrar em campo pela equipe nacional nas próximas duas semanas.

O retorno acontece em um cenário diferente daquele de sua estreia. Mais experiente, com uma função consolidada no Arsenal e convocado como meio-campista, o jogador chega à seleção com uma questão bastante clara sobre seu futuro dentro de campo. E a resposta também não deixa dúvida sobre sua preferência.

— Sou meio-campista. Mas, no fim das contas, tudo se resume às necessidades da equipe. Nenhum jogador, nenhum indivíduo, é maior que o objetivo da equipe. Farei tudo o que for preciso para ajudar a equipe.

A declaração combina com a maneira como Lewis-Skelly descreve sua preparação mental. Embora tenha uma preferência definida pela posição em que deseja atuar, ele coloca as necessidades coletivas acima da escolha individual. Da mesma forma, quando fala sobre o nervosismo, não trata a pressão como algo que possa simplesmente desaparecer, mas como uma condição que precisa ser administrada.

Com o jovem do Arsenal à disposição de Tuchel, a Inglaterra terá pela frente os seguintes adversários na Liga das Nações: Espanha (26/09), Tchéquia (29/9) e Croácia (03/10).

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

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