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Leicester só empatou no jogaço contra o West Brom, mas dá gosto de ver sua sede de vitória

Dois pontos perdidos podem custar caro na conta do Leicester na Premier League. Mas as Raposas mereceram deixar o campo sob aplausos nesta terça-feira, apesar do empate por 2 a 2 com o West Bromwich. O time de Claudio Ranieri perdeu gols em excesso, é verdade, mas buscou a vitória com uma vontade impressionante até o último segundo no Estádio King Power. Não aconteceu, graças também ao empenho dos visitantes em segurar o resultado e fazer frente aos líderes. Com o resultado, o Leicester se mantém na liderança, com três pontos de vantagem sobre o Tottenham. No entanto, os Spurs têm um compromisso difícil nesta quarta, visitando o West Ham em Upton Park.

A noite do Leicester não começou bem. O time já teve que lidar com o desfalque de N’Golo Kanté, com uma lesão muscular. E saiu em desvantagem logo aos 11 minutos. Aproveitando os espaços na defesa adversária, Darren Fletcher lançou José Salomón Rondón, que não perdoou diante de Kasper Schmeichel. A partir de então, as Raposas passaram a colocar os adversários contra a parede. E o suado empate veio aos 30 minutos. Após cobrança de escanteio, Danny Drinkwater chutou de fora da área e a bola desviou antes de entrar.

Dono da posse de bola, como não é o costume nessa temporada, o Leicester buscava o ataque a todo o momento. E quase conseguiu a virada com Jamie Vardy, que cabeceou contra o travessão. A insistência, todavia, seria premiada nos acréscimos do primeiro tempo. A virada saiu com de Andy King, justamente o substituto de Kanté. O membro mais antigo do elenco e que participou de toda a escalada do clube, desde a terceira divisão. Em uma belíssima jogada coletiva, Riyad Mahrez ajeitou a bola de calcanhar para o meio-campista, que vinha de trás e bateu o goleiro Ben Foster.

O segundo gol do Leicester deixou a torcida eufórica na saída para os vestiários. Mas o West Brom não se entregaria tão cedo. E respondeu com outro golaço, para igualar novamente o marcador. Craig Gardner foi capaz de uma cobrança de falta perfeita, cheia de curva e no ângulo, sem qualquer chance para Peter Schmeichel. Depois disso, os visitantes até tiveram as suas chances, mas a pressão toda foi das Raposas. O terceiro tento insistia em não sair. E, outra vez, o time da casa esbarrou no travessão, em cabeçada de Shinji Okazaki.

O tempo que passava impelia o Leicester cada vez mais à frente. Garra e obstinação não eram problemas para a equipe de Claudio Ranieri, explorando principalmente o jogo pelas laterais e as bolas cruzadas na área. Contudo, o West Brom conseguia ser melhor pelo alto. E, nas duas vezes em que os anfitriões ficaram livres para fuzilar, Ben Foster operou defesas à queima-roupa diante de Vardy e Morgan. Mahrez teve a chance de matar nos minutos derradeiros, mas enfeitou demais no voleio e isolou. Por fim, no último lance, a bola cruel passou por King e Ulloa na pequena área, a pouco mais de um metro da linha decisiva, mas não entrou. Não era dia da vitória do Leicester. Mas, ao menos, era de uma boa partida de futebol.

Neste momento, o maior desafio ao Leicester está em si. Em manter o ritmo impressionante na Premier League e conseguir somar os pontos necessários a cada rodada. Não é tão simples, ainda mais para quem tem um elenco enxuto e aguenta tantas expectativas sobre os ombros. A equipe de Claudio Ranieri cada vez é mais visada, e precisa se adaptar o seu estilo de jogo, contra adversários na defensiva, sem dar tantos espaços para a verticalidade dos azuis. De qualquer maneira, não se pode negar o espírito de luta do Leicester. A entrega e a intensidade com que jogam. O título pode até não vir, mas não será por falta de vontade. Uma dedicação que torna a campanha do Leicester ainda mais cativante e que dá gosto de assistir, independente do resultado. O tipo de atitude que ajuda a engrandecer o futebol do time.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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