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Leicester entrou em erupção e se transbordou pelas ruas para festejar seus campeões

Leicester se uniu. Sofreu, torceu, vibrou, provocou até terremoto. Abraçou o seu time na terceira divisão, na segunda, quando estava para cair na primeira. E, lógico, a partir do momento em que as Raposas tomaram de assalto o topo da Premier League. Se o companheirismo fez toda a diferença para que o elenco de Claudio Ranieri não desacreditasse do título em nenhum momento, era possível inspirar este sentimento para dentro dos pulmões em cada canto cidade. Ao longo da temporada, Leicester inteira foi uma só. O que se tornou perceptível nesta segunda, com a parada dos campeões. A população se transformou em uma enorme massa azul, que transbordou pelas ruas.

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Em outros momentos de sua história, Leicester já havia visto o desfile de seus heróis – fosse em conquistas das divisões inferiores ou da Copa da Liga Inglesa. Mas não dá, nem de longe, para se comparar com a erupção que ocorreu desta vez. O tamanho da façanha das Raposas na Premier League, agora, só pode ser comparado com a euforia coletiva que se deu pela cidade. A multidão dimensiona muito bem não só o significado do título, bem como as expectativas que gerou entre todos os torcedores. Um feito inédito, inigualável. Dos 330 mil habitantes de Leicester, mais de 250 mil saíram às ruas, enquanto 100 mil se reuniram no palco onde se comemorou a vitória. Todos querendo viver um pouco daquele momento inesquecível. Tomar também a própria parte, como alguém que contribuiu para a conquista.

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“Nós sabíamos que haveria muita gente, mas não estávamos esperando isso. Vimos a High Street abarrotada de gente. Isso será lembrado por eras, um mar azul. São memórias que durarão pelo resto da minha vida. Tivemos garotas levantando as blusas e pessoas se pendurando em postes. Muita gente debruçada nas janelas. Você se preocupa com elas, mas isso só mostra o quanto estão interessados em nós e no que fizemos”, afirmou o meio-campista Marc Albrighton, em entrevista ao Leicester Mercury.

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O elenco do Leicester desfilou em carro aberto, com a taça nas mãos. Já no palco principal, no Victoria Park, festejaram ao som da banda Kasabian – que, além de tocar a música que serviu por anos de tema à Premier League, é também da cidade. Entusiasmo visível nos rostos de cada um, de jogadores a torcedores, de idosos a crianças.

“Isso tudo é incrível para a cidade. As pessoas falam sobre a diversidade de Leicester, mas o título nos uniu ainda mais”, avaliou Ish Lunat, um dos tantos populares nas ruas. “Somos uma cidade no meio da Inglaterra, que as pessoas só conhecem por passarem por ela na estrada, mas agora realmente estamos no mapa. A temporada foi incrível, com as pessoas descobrindo que seus vizinhos era tão apaixonados pelo time quanto eles próprios”.

Leicester vive o seu maior sonho. E não quer acordar tão cedo. Na próxima temporada, a cidade ainda terá motivos para se fantasiar, vestindo-se com as cores da Liga dos Campeões. O que fica, no entanto, é a representatividade de uma conquista tão grande. A convivência que se aproximou a partir do clube. As lembranças que se passarão entre gerações. Entre todos aqueles que ajudaram a tornar Leicester uma só, toda azul.

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Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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