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United frustra Kagawa e tende a desperdiçar seu melhor meia

Durante o mercado de transferências, um dos principais alvos do Manchester United foi a contratação de um meia criativo. Alguns jogadores de renome foram especulados em Old Trafford, como Mesut Özil e Juan Mata, mas ninguém foi trazido para a posição. Um indício de que os Red Devils se esqueceram – ou não querem lembrar – que uma boa solução para a carência anda esquentando o banco de reservas há um bom tempo: Shinji Kagawa.

Durante seu primeiro ano com o United, a adaptação e as lesões foram as desculpas para que Kagawa não fosse utilizado tantas vezes. O meia esteve em campo apenas 26 vezes, 22 como titular. Sir Alex Ferguson, no entanto, deixou o clube apontando o japonês como um de seus legados ao clube para os próximos anos. Destacou a habilidade e a capacidade criativa do novato, especialmente pela capacidade de desenvolvimento. Algo que parece não ter sido captado ainda por David Moyes.

Kagawa esteve em campo por apenas sete minutos nesta temporada, entrando no final da Supercopa da Inglaterra. Em três partidas do clube pela Premier League, o japonês ficou no banco em duas e sequer foi relacionado para o clássico contra o Liverpool. A frustração é evidente e foi manifestada pelo meia nesta terça, depois de marcar um dos gols da vitória por 3 a 1 sobre Gana, em amistoso preparatório dos nipônicos rumo à Copa de 2014.

“Por favor, pergunte a David Moyes os motivos para eu ficar fora do time. É frustrante ficar sem jogar, mas marcar um gol como esse me dá confiança. Espero que possa levar isso ao clube e que a situação melhore. É duro não jogar regularmente. Em alguns dias é pior do que em outros, vem como ondas”, afirmou Kagawa, em entrevista à AFP após a vitória japonesa.

“É muito bom voltar ao Japão e jogar, marcar um gol me faz sentir bem. Eu só quero me manter trabalhando duro e buscando minha chance. Quando voltar ao United, será um desafio entrar no time. Tenho que esperar minha chance na Liga dos Campeões e na Premier League. Estou certo que ela virá”, complementou.

Para Kagawa, ter espaço no Manchester United é importante não apenas para seu sucesso com o clube. Embora seja intocável na seleção japonesa, ritmo de jogo faz diferença ao cérebro do time. Ser deixado de lado em Old Trafford é não manter em prática o talento que pode levar os Samurais Azuis a uma boa campanha no Mundial. E que, consequentemente, é o melhor instrumento para o meia tenha mercado, caso seja mesmo preterido pelos Red Devils.

Melhor jogador da Bundesliga 2011/12, Kagawa já demonstrou ter bola suficiente para vingar no United. Precisa de uma chance, já que o encaixe no time não deve ser o maior problema. O japonês pode atuar tanto aberto pelo lado esquerdo do campo, onde ninguém tem se firmado na equipe, ou centralizado em uma variação do 4-4-2 para o 4-2-3-1. Se não for aproveitado, o meia sabe que, caso queira sair, terá os braços abertos de Jürgen Klopp no Borussia Dortmund.  Pior para os Red Devils, que pagaram relativamente pouco pelo jogador (€ 16 milhões) e poderão perdê-lo sem se dar conta da pechincha que fizeram.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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