Inglaterra

Jogador de clube amador inglês abandona o futebol após sofrer ofensa racial em final de campeonato

A discussão em torno do racismo no futebol, ampliada pelos episódios recentes ocorridos com Danny Rose, Raheem Sterling e Moise Kean, ganha mais um capítulo. Na última quarta-feira, 3, a final da Saturday Vase Cup, um torneio amador do condado de Leicestershire, disputada entre FC Wymeswold e Cosby United, foi encerrada sem vencedores depois que o atacante Linford Harris, do Wymeswold, sofreu ofensas raciais enquanto deixava o gramado depois de ter sido expulso da partida. Inconformados, os companheiros de Harris decidiram abandonar a partida em protesto.

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“Eu havia sido expulso, e por isso fizeram comentários dizendo: “Típico homem negro, arruinando o jogo para todos novamente”. E quando eu saí do vestiário, havia uma pequena confusão”, explicou o jogador em entrevista ao The Guardian. “Eu disse aos rapazes: ‘O que está acontecendo?’, e nós nos reunimos e dissemos que não íamos tolerar aquilo e saímos juntos. Eu sinto que foi a escolha certa”. Abalado com o ocorrido, Harris decidiu se afastar do futebol permanentemente. “Eu não consigo passar por nada como aquilo novamente. É muito baixo para mim. Eu nunca havia passado por aquilo antes pessoalmente”, afirmou. “Eu estava com familiares lá, eles estavam atrás do homem (que realizou as ofensas)… foi abertamente racista na frente de pessoas de todas as idades. Havia crianças lá. Eu não podia acreditar”, completou.

Para o Melton Times, Harris afirmou que o incidente pode servir como um alerta de que o racismo na Inglaterra é um problema que não se limita ao futebol profissional, mas atinge também a base da pirâmide. O jogador também relatou que não recebeu nenhum apoio da federação local. “A federação não me deu nenhum suporte e eu nem sabia com quem falar sobre o ocorrido”, mostrando que as campanhas realizadas durante os jogos da Premier League, por exemplo, talvez não estejam sendo eficazes o suficiente, do combate à discriminação ao apoio e orientação às vítimas. Mais uma vez, Harris fez questão de deixar claro que não voltará aos gramados. “Eu tenho jogado futebol desde os 11 anos e eu amo jogar, mas isso me colocou para fora e não vou mudar minha cabeça”.

A federação do condado de Leicestershire e Rutland, organizadora do torneio e filiada à Football Association, se pronunciou em uma nota oficial dizendo que “irá investigar todas as alegações e tomar as ações disciplinares necessárias”. O caso também está sendo investigado pela polícia local. A Kick it Out, entidade inglesa responsável por campanhas anti-racismo entrou em contato com Harris e também deve realizar uma investigação independente.

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