Inglaterra

‘Impossível de parar’: Como a própria Premier League se rendeu a João Gomes

Volante brasileiro tem se tornado muito mais do que um defensor e rendeu elogios da própria liga

Apesar da temporada histórica negativa do Wolverhampton, João Gomes tem conseguido se sobressair e ganhar destaque. Um dos capitães da equipe, o brasileiro tem sido elogiado até mesmo pelo perfil oficial da Premier League.

O camisa 8 dos Wolves foi alvo do Manchester United durante meses ao longo da temporada, mas trocas de comando e crise interna no clube podem ter esfriado as conversas — que chegaram a valores de 50 milhões de euros. E mesmo fora das convocações de Carlo Ancelotti na seleção brasileira, ainda está em alta.

João Gomes todo-campista na Premier League

Em seu perfil oficial, a liga inglesa analisou a evolução do volante brasileiro e destacou como João tem evoluído em diferentes atributos do seu jogo:

“Ele tem mais dribles do que Cole Palmer, mais divididas que Declan Rice e melhor aproveitamento nos passes do que Bruno Fernandes. João Gomes domina todas as áreas do campo”.

Segundo dados da própria Premier League, o brasileiro está entre os líderes na liga em divididas, duelos vencidos no chão e recuperações agressivas. O poder defensivo do volante já era conhecido, mas outros aspectos do seu jogo começaram a chamar atenção.

João tem se mostrado um exímio driblador na atual temporada. Seus 1,4 dribles certos por jogo o colocam como o quarto meio-campista com mais dribles em toda a liga, enquanto grande parte desses dribles são no seu próprio campo.

João Gomes comemora gol do Wolves
João Gomes comemora gol do Wolves (Foto: Sports Press Photo/Imago)

Esses dados são cruciais para mostrar como o camisa 8 é um dos principais volantes da liga para sair da pressão. Tem tido grande sucesso em girar nas costas do marcador e seu posicionamento corporal para receber o passe evoluiu a ponto de aumentar a confiança dos próprios companheiros de time — mesmo sob pressão, João ainda recebe o passe porque acreditam que ele é a melhor opção para progredir.

A Premier League ainda mostra como o brasileiro tem entendido cada vez mais as dinâmicas dos espaços e como tirar vantagem deles, principalmente às suas costas. Ressalta lances em que, com poucos toques, consegue sair da marcação e aproveitar o espaço atrás de si mesmo sem marcação.

Seu trabalho defensivo é igualmente impressionante“, reforça a análise da liga. João cobre o meio-campo como padrão, mas se desloca para os lados para fechar linhas de passe e tem interceptações cruciais porque consegue ler o posicionamento do adversário e o ângulo em que a bola pode chegar a ele.

João Gomes é exaltado pelos microajustes que faz constantemente no seu jogo. Isso resulta, por exemplo, na forma como faz uma recuperação se tornar uma ação ofensiva rapidamente com o conceito de “desarmar armando”: quando, por exemplo, recupera a bola já driblando o opositor ou quando uma interceptação se torna um passe automaticamente.

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O futuro de João Gomes pós-Wolves

Quando deixou o Flamengo, João Gomes era visto como um volante mais tradicional: prioritariamente defensivo, apesar de ter a técnica clássica brasileira com a bola nos pés. Depois dessa temporada, a Premier League e seus clubes já o veem de outra forma.

A Trivela já havia adiantado, durante a janela de transferências de janeiro, que o brasileiro não deve ficar no Wolverhampton na próxima temporada. Principalmente se a equipe cair para a Championship.

Segundo ouviu a reportagem, além do interesse já claro do Manchester United, João Gomes também foi alvo do futebol espanhol, com o Atlético de Madrid como um dos interessados no volante. Qualquer operação, no entanto, só seria concretizada na janela de verão europeu.

Aos 25 anos, o meio-campista tem contrato com os Wolves até 2030, depois de uma renovação recente, com opção de renovação por mais uma temporada. Mesmo com o novo vínculo, que também serviu para valorizá-lo, é praticamente impossível que ele siga no clube em caso de rebaixamento.

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

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