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Há 120 anos, a taça da Copa da Inglaterra era roubada e valia £10 de recompensa

A Copa da Inglaterra é o torneio profissional de clubes mais antigo do mundo. Não à toa, seu passado está recheado de histórias impagáveis, que parecem muito desconexas da realidade do futebol atual. E uma das mais deliciosas completa 120 anos nesta sexta: o dia em que a taça da FA Cup acabou roubada. Um problema causado pelo Aston Villa, após triunfar no clássico contra o West Bromwich na decisão de 1895.

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O Aston Villa era o principal esquadrão do futebol inglês na década de 1890. Clube com fortes ligações escocesas, o Villa aproveitou o início do profissionalismo para buscar vários talentos do país vizinho. Estrelado por J. J. Campbell e James Cowan, o time conquistou cinco títulos ingleses entre 1894 e 1900. Além disso, foram outras duas taças da Copa da Inglaterra no período. A primeira delas, em 1894/95, batendo o West Brom por 1 a 0 na final – com um gol de Bob Chatt com apenas 30 segundos, por 114 anos o mais rápido da história das finais do torneio. Orgulho sem tamanho, tanto pela importância da taça quanto por encerrar um jejum de oito anos dos Villans na competição.

A alegria era tamanha que o Villa resolveu expor sua taça ao público em Birmingham. Deixou na vitrine de uma loja de materiais esportivos na cidade. Péssima ideia. Quando o dono do comércio, William Shillcock, chegou para trabalhar na manhã do dia seguinte, o troféu havia sido roubado. Levaram o “The Little Tin Idol” e um bocado de dinheiro que havia no caixa.

Para tentar recuperar a taça, a Football Association ofereceu uma recompensa à população: incríveis £10 – sim, isso mesmo, só dez libras, que nos valores atuais equivalem a cerca de £1100. Nada feito. Os Villans precisaram pagar £25 de multa à FA e ainda arranjar um novo troféu. O prêmio continuou sendo usado até 1910, quando acabou no Museu do Futebol em Preston.

E qual o paradeiro da antiga taça? Só acabou conhecido em 1958, quando Harry Burge confessou o crime aos 83 anos. Segundo ele, o troféu acabou derretido para que moedas fossem produzidas. Outros tempos. No entanto, sem evidências, ele nunca cumpriu pena. E há quem desconfie que o artigo histórico ainda hoje enfeite a estante de algum colecionador.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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