Guia do Liverpool: Transição com Iraola e sem Salah pode custar favoritismo na Premier League
Depois de uma temporada decepcionante, o Liverpool trocou Arne Slot por Andoni Iraola e perdeu três referências importantes sem uma compensação imediata
O Liverpool começa a temporada 2026/27 com algumas incertezas. Há talento suficiente em Anfield para imaginar uma reação imediata, um treinador que combina conceitualmente com aquilo que o clube construiu durante a era Jürgen Klopp e algumas das contratações realizadas apontam para um futuro bastante promissor.
Mas há também uma quantidade incomum de incógnitas para um time que pretende voltar a disputar a Premier League. A saída de Mohamed Salah, Ibrahima Konaté e Andy Robertson representa a perda de três referências de uma geração que ajudou a transformar o Liverpool em uma potência do futebol inglês e europeu.
O problema é que nenhum deles deixou uma transferência milionária para financiar a reposição. Eles simplesmente foram embora — e os reforços dos Reds não foram necessariamente à altura para substituí-los.
Contratações da Premier League 2026/27: Veja rumores e o vai e vem do mercado
Iraola traz de volta o futebol ‘rock and roll’ ao Liverpool, mas precisa reconstruí-lo
O novo treinador chega depois de três temporadas positivas no Bournemouth em um trabalho baseado em intensidade, pressão, verticalidade e agressividade. São princípios que fazem com que sua contratação pareça quase uma ponte natural entre o Liverpool de Klopp e uma nova geração de jogadores.
Mas existe uma diferença fundamental: Iraola não recebeu o Liverpool de 2019. Recebeu um time que terminou apenas em quinto lugar na Premier League, 25 pontos atrás do campeão Arsenal, e que perdeu justamente alguns dos jogadores que melhor representavam aquela identidade.
O espanhol quer uma equipe intensa, agressiva, vertical e capaz de jogar no campo do adversário. A ideia é atacar rapidamente depois da recuperação e manter o adversário sob pressão constante
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Durante o auge do alemão, a pressão pós-perda era tão importante quanto a posse. O objetivo não era simplesmente recuperar a bola, mas recuperá-la em uma região que permitisse atacar imediatamente uma defesa desorganizada. Os laterais davam amplitude e profundidade, os pontas atacavam espaços, o meio-campo cobria enormes distâncias e o time inteiro parecia jogar em uma velocidade acima da média.
Iraola não é Klopp, evidentemente. Seu Bournemouth tinha mecanismos próprios e não deve ser tratado como uma cópia do Liverpool campeão europeu. Mas existe uma compatibilidade filosófica importante. O problema é que o Liverpool perdeu justamente algumas das peças que tornavam aquela filosofia tão natural.
“Como o Liverpool navega pelo período congestionado de dezembro a janeiro, quando o retorno de Ekitiké de sua lesão de Aquiles deve fornecer algum reforço de ataque, pode ser o indicador mais claro da capacidade de Iraola de competir neste nível“, indica Lewis Nolan, redator do “SportsMole”.
Salah era extraordinário não apenas porque marcava gols, mas porque oferecia profundidade, condução, pressão e capacidade de atacar o espaço por trás da última linha. Iraola agora precisa construir uma nova versão dessa identidade com jogadores diferentes, e isso reflete diretamente no mercado.
Liverpool ainda não teve reforços gigantes para suprir as perdas
O próprio Iraola já deixou claro que o clube ainda não considera o elenco pronto. Em julho, o treinador afirmou que havia “situações óbvias” que precisavam ser resolvidas e apontou especificamente a necessidade de contratar um ponta. Ao mesmo tempo, reconheceu que outras posições também dependiam das oportunidades que o mercado oferecesse.
A situação ficou ainda mais evidente depois da pré-temporada nos Estados Unidos. O Liverpool venceu Sunderland e Wrexham, mas perdeu por 4 a 2 para o Leeds. Contra o Monaco, já em Anfield, abriu 2 a 0 e acabou derrotado por 3 a 2. Em ambas as partidas, a equipe mostrou momentos em que a intensidade de Iraola funcionou muito bem, mas também períodos em que simplesmente não conseguiu sustentar o ritmo.
O Liverpool já sofreu com isso na temporada passada. Foram 53 gols sofridos na Premier League, quase o dobro dos 27 concedidos pelo Arsenal. A equipe frequentemente parecia vulnerável nas transições defensivas, justamente o tipo de problema que pode ser ampliado por uma abordagem ainda mais agressiva.
| Jogador | País | Origem | Valor (€) |
|---|---|---|---|
Jérémy Jacquet Zagueiro | Stade Rennais Ligue 1 | €63,6 mi | |
Víctor Muñoz Ponta-esquerda | CA Osasuna La Liga | €40 mi | |
Ronald Araujo Zagueiro | Barcelona La Liga | Emp. | |
Harvey Elliott Meia-atacante | Aston Villa Premier League | Fim emp. | |
Vitezslav Jaros Goleiro | Ajax Eredivisie | Fim emp. | |
Konstantinos Tsimikas Lateral-esquerdo | Roma Serie A | Fim emp. |
| Jogador | País | Destino | Valor (€) |
|---|---|---|---|
Curtis Jones Meia | Inter Serie A | €30 mi | |
Ibrahima Konaté Zagueiro | Real Madrid La Liga | Livre | |
Mohamed Salah Ponta-direita | Trabzonspor Süper Lig | Livre | |
Andrew Robertson Lateral-esquerdo | Tottenham Premier League | Livre | |
Ármin Pécsi Goleiro | TSV Hartberg Bundesliga | Emp. | |
Rhys Williams Zagueiro | Sem clube — | Livre |
A contratação de Jérémy Jacquet por cerca de 60 milhões de euros é considerável, mas ainda voltada para o futuro. O francês tem apenas 20 anos e seu desenvolvimento foi interrompido por uma lesão no ombro na temporada passada. É o tipo de contratação para uma reconstrução de longo prazo: jovem, tecnicamente preparado, com experiência profissional suficiente para não ser apenas uma aposta.
O problema é que Iraola não pode esperar que um jogador de 20 anos seja imediatamente o substituto de Konaté — e aí entra Ronald Araújo. O uruguaio chegou por empréstimo de uma temporada do Barcelona, com opção de compra de aproximadamente 47 milhões de libras. Joe Gomez, Giovanni Leoni, Conor Bradley e o próprio Jacquet tiveram problemas físicos, deixando o Liverpool com pouquíssimas opções experientes na defesa.
Víctor Muñoz, por sua vez, pode representar uma tentativa de reconstruir o ataque sem tentar encontrar um “novo Salah”. O espanhol chega do Osasuna depois de uma temporada de sete gols e cinco assistências em 34 partidas, suficiente para receber sua primeira convocação para a seleção espanhola e fazer parte do elenco campeão mundial.
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Muñoz é rápido, direto, agressivo no um contra um e disposto a pressionar, podendo atacar em profundidade, acelerar transições e pressionar o lateral adversário. Ele não precisa ser Salah, e seria injusto exigir isso, mas precisa ajudar o Liverpool a voltar a ter ameaça constante pelos lados.
Ainda assim, um jogador de 22 anos vindo de uma temporada de afirmação no Osasuna não pode carregar sozinho a responsabilidade de substituir a produção de um dos maiores jogadores da história da Premier League.
Por outro lado, ainda há dúvida sobre o ataque dos Reds. Florian Wirtz cresceu de produção, mas nem ele nem Alexander Isak corresponderam à grande expectativa criada por suas contratações milionárias. Hugo Ekitiké, por sua vez, se lesionou.
Liverpool é candidato ao título ou um projeto em reconstrução?
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É tentador olhar para o elenco do Liverpool e pensar que um clube desse tamanho não pode ser tratado como um projeto em reconstrução. Mas seria justamente ignorar o tamanho das mudanças ocorridas em poucos meses.
O campeão de 2025 perdeu o treinador. Depois perdeu Salah, Robertson e Konaté depois de terminou apenas em quinto. Agora tenta reverter esse cenário com um técnico novo, jovens promissores e algumas soluções emergenciais. Isso não significa que o Liverpool não possa disputar a Premier League, mas neste momento, é difícil colocá-lo no mesmo patamar de estabilidade do Arsenal.
A boa notícia é que existe matéria-prima: Muñoz parece feito para o futebol de Iraola.,Jacquet tem potencial para ser um zagueiro de primeira linha e Araújo resolve uma emergência imediata. Wirtz ainda pode explodir e Isak tem histórico para provar que sua primeira temporada foi uma exceção. E jogadores como Dominik Szoboszlai, Ryan Gravenberch, Cody Gakpo e Alexis Mac Allister oferecem qualidade suficiente para formar um meio-campo e ataque de alto nível.
“A fase de grupos da Champions adiciona jogos no meio da semana a partir de setembro, e a corrida de seis jogos de dezembro apresenta um desafio significativo de gerenciamento de time para um treinador que nunca antes teve que equilibrar as demandas da competição continental”, alerta Nolan.
O Liverpool precisa voltar a ser um time coletivo justamente porque perdeu o jogador que, durante anos, foi capaz de transformar quase qualquer situação em gol. E Iraola parece ser o treinador certo para essa missão — se conseguir fazê-lo, os Reds podem rapidamente voltar à disputa pelo topo. Se não, a temporada 2026/27 provavelmente será menos sobre recuperar o título e mais sobre construir a próxima grande versão do Liverpool.
| Rod. | Data | Adversário | Horário (BRT) | |
|---|---|---|---|---|
| Agosto | ||||
| 1 | 23/08 Dom | Newcastle F | 12h30 | |
| 2 | 29/08 Sáb | Nott. Forest C | 11h | |
| Setembro | ||||
| 3 | 05/09 Sáb | Ipswich Town F | 11h | |
| 4 | 12/09 Sáb | Fulham C | 11h | |
| 5 | 19/09 Sáb | Bournemouth F | 11h | |
| Outubro | ||||
| 6 | 10/10 Sáb | Man City C | 11h | |
| 7 | 17/10 Sáb | Brentford F | 11h | |
| 8 | 24/10 Sáb | Brighton C | 11h | |
| 9 | 31/10 Sáb | Arsenal C | 12h | |
| Novembro | ||||
| 10 | 07/11 Sáb | Crystal Palace F | 12h | |
| 11 | 21/11 Sáb | Man Utd C | 12h | |
| 12 | 28/11 Sáb | Everton F | 12h | |
| Dezembro | ||||
| 13 | 02/12 Qua | Sunderland C | 17h | |
| 14 | 05/12 Sáb | Chelsea F | 12h | |
| 15 | 12/12 Sáb | Leeds United C | 12h | |
| 16 | 19/12 Sáb | Tottenham C | 12h | |
| 17 | 26/12 Sáb | Hull City F | 12h | |
| 18 | 30/12 Qua | Aston Villa F | 17h | |
| Janeiro | ||||
| 19 | 02/01 Sáb | Coventry City C | 12h | |
| Rod. | Data | Adversário | Horário (BRT) | |
|---|---|---|---|---|
| Janeiro | ||||
| 20 | 06/01 Qua | Sunderland F | 17h | |
| 21 | 16/01 Sáb | Crystal Palace C | 12h | |
| 22 | 23/01 Sáb | Man Utd F | 12h | |
| 23 | 30/01 Sáb | Everton C | 12h | |
| Fevereiro | ||||
| 24 | 06/02 Sáb | Arsenal F | 12h | |
| 25 | 10/02 Qua | Coventry City F | 17h | |
| 26 | 20/02 Sáb | Hull City C | 12h | |
| 27 | 27/02 Sáb | Tottenham F | 12h | |
| Março | ||||
| 28 | 03/03 Qua | Aston Villa C | 17h | |
| 29 | 13/03 Sáb | Ipswich Town C | 12h | |
| 30 | 20/03 Sáb | Fulham F | 12h | |
| Abril | ||||
| 31 | 10/04 Sáb | Newcastle C | 11h | |
| 32 | 17/04 Sáb | Nott. Forest F | 11h | |
| 33 | 24/04 Sáb | Leeds United F | 11h | |
| Maio | ||||
| 34 | 01/05 Sáb | Chelsea C | 11h | |
| 35 | 08/05 Sáb | Man City F | 11h | |
| 36 | 15/05 Sáb | Brentford C | 11h | |
| 37 | 23/05 Dom | Brighton F | 11h | |
| 38 | 30/05 Dom | Bournemouth C | 12h | |