‘Guardiola deve ter desistido umas 100 vezes’: Presidente do Manchester City expõe bastidores
Khaldoon Al Mubarak contou que atuou como "psiquiatra" do treinador espanhol ao longo dos 10 anos de Citizens
O fim de 2025/26 também marcou o último capítulo de Pep Guardiola no Manchester City. Ao longo dos últimos 10 anos, o treinador marcou seu nome na história dos Citizens com 20 títulos. Entretanto, a passagem do espanhol pelo Etihad Stadium não foi tranquila do início ao fim.
Quem garante isso é Khaldoon Al Mubarak, presidente do Manchester City. Em entrevista ao canais oficiais do clube, o dirigente revelou que atuou como “psiquiatra” de Guardiola, que tinha uma reação emocional nos momentos de oscilações dentro de campo dos Citizens, motivando ameaças de deixar o comando.
— Eu diria que ele é mais do que apenas o técnico do clube. Para mim, ele é um amigo. Somos próximos. E vou dizer, e não sei se ele vai admitir, mas me considero o psiquiatra dele. Tive que ajudá-lo ao longo dos anos. Não nos bons momentos, que são fáceis. O difícil é lidar com os desafios — começou Al Mubarak.
— E inevitavelmente, nesses últimos 10 anos, tivemos muitos altos e baixos. Nos momentos difíceis, ele deve ter desistido umas 100 vezes, só para vocês saberem, só para constar — expôs o dirigente dos Citizens.
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Mesmo com contrato renovado até junho de 2027, o treinador de 55 anos fez um acordo com a diretoria do Manchester City para abandonar o cargo. Como justificativa, o espanhol declarou que sabia que “não teria energia suficiente” para desempenhar a função até o fim do vínculo assinado anteriormente.
Presidente do Manchester City compara Guardiola à fábula do Menino e o Lobo
Embora Pep Guardiola tenha demonstrado intenção de sair repetidamente ao longo da última década, Khaldoon Al Mubarak argumenta que a atitude não era para valer. O presidente dos Citizens comparou a postura do técnico espanhol com a fábula de Esopo “O Menino e o Lobo”.
Na história, um jovem pastor entediado mente aos aldeões sobre o ataque ao rebanho. Quando a ajuda chega, não encontram nenhum lobo, mas sim o menino se divertindo com a brincadeira. Al Mubarak aponta semelhanças nas ocasiões que Guardiola avisava que queria desistir, pois sabia que era da boca para fora.
— No caso do Pep, quando ele diz “eu desisto”, não significa que ele está desistindo. Você não leva isso tão a sério. Você tem que administrá-lo. Ele nunca pensou que ficaria mais de quatro anos, depois mais de cinco. Então, na cabeça dele, era sempre: “Ok, quanto tempo mais?” — resumiu o dirigente.
Contudo, na fábula, o lobo acaba atacando de fato o rebanho do menino, que até grita por socorro. Porém, os aldeões não atendem ao chamado por pensarem que era mais um alarme falso. Ciente do final dessa história, Al Mubarak reconheceu a mudança do discurso do treinador nos bastidores e acatou ao pedido de romper o vínculo em 2025/26.
Ten years that will live forever.
— Manchester City (@ManCity) May 24, 2026
Thank you for everything, Pep 🩵 pic.twitter.com/eEFr8RPirx
— Sempre que ele desistiu ou achava que chegou a hora, eu o convencia a voltar, até o momento em que eu soube que realmente era a hora certa, o momento em que Pep decidiu, de fato, que chegou a hora — concluiu o presidente do Manchester City.
Khaldoon Al Mubarak ainda reconheceu que “não contestou de forma alguma” a decisão do espanhol em dar adeus “porque sabia que, desta vez ele, estava falando sério”. Guardiola prometeu que vai tirar um período sabático do futebol, sem estipular um prazo para voltar à área técnica de um clube ou seleção.