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Neville: “Corinthians precisa segurar meias do Chelsea”

Gary Neville carrega três Mundiais de Clubes na bagagem. Guarda na memória detalhes de cada uma das edições do torneio. Recorda a falha do goleiro Marcos no título de 1999 e a festa após a magra vitória por 1 a 0 sobre a LDU em 2008. Mas o ex-lateral do Manchester United fala mesmo com desenvoltura é sobra a dose de drama que viveu na competição. Em 2000, ele viajou até o Brasil para a disputa do primeiro Mundial no atual formato e viu a sua carreira quase ficar marcada depois de entregar dois gols em jogo contra o Vasco, ainda na fase de grupos.

A derrota por 3 a 1 para o time de Romário e Edmundo contribuiu para a eliminação precoce do Manchester e abateu Neville. Em depoimento à próxima edição da revista ESPN, ele descreve a “quase depressão” que enfrentou no retorno para casa. O ex-jogador atualmente é auxiliar da seleção inglesa, comentarista da Sky Sports e colunista do jornal Mail on Sunday. Um dos profissionais mais exaltados pela imprensa local, Gary Neville bateu um papo informal com o blogueiro sobre Neymar, Premier League e, claro, o possível confronto entre Chelsea e Corinthians no Mundial. Confira abaixo.

O que você acha do Neymar?

É um jogador que todo mundo discute nos últimos anos. Querem saber para onde ele vai e tentam descobrir quando isso acontecerá. Difícil, né? (Risos)

Com certeza.

Para onde você acha que ele irá?

Barcelona ou Real Madrid. Dificilmente para a Inglaterra.

Ah, não? (Risos)

Acredito que não.

É, mas creio que ele se daria melhor na Espanha, mesmo. Pelo clima, a língua, a presença de outros jogadores brasileiros. A Premier League é difícil, mas já foi mais no passado. Hoje estamos mais abertos a atletas sul-americanos. O Oscar é um excelente exemplo. Estava no estádio no dia do jogo contra a Juventus, pela Liga dos Campeões. Acompanhei de perto o seu desempenho naquela noite. O futebol na Inglaterra está mudando.

A impressão que se tem é que alguns jogadores que chegam à Inglaterra passam por um processo de “robotização”. O Anderson, do Manchester United, é um exemplo. Perdem um pouco da técnica.

Pode ser. Mas não é mais assim. Como disse, o jogo está mudando. Atualmente, temos times que encantam com um estilo de jogo diferente, mais plástico, menos robotizado, digamos. O Swansea é um deles. O Chelsea é outro. Acredito que os brasileiros podem vir hoje para a Inglaterra e se darem bem. Não sentirão mais essa diferença.

O que você acha que o Corinthians precisa fazer caso encontre o Chelsea no Mundial de Clubes?

O Chelsea não vem bem. Me parece cansado. Vem jogando demais nas últimas semanas. Não sei até que ponto isso pesará nessa viagem para o Japão. Se o Corinthians quiser mesmo ter uma chance, precisará segurar os garotos do meio de campo, Eden Hazard, Juan Mata e Oscar. É um time impressionante. Tem individualidade, excelente no um contra um. É um novo Chelsea. Sou fã do Oscar.

Foto de Ubiratan Leal

Ubiratan Leal

Ubiratan Leal formou-se em jornalismo na PUC-SP. Está na Trivela desde 2005, passando por reportagem e edição em site e revista, pelas colunas de América Latina, Espanha, Brasil e Inglaterra. Atualmente, comenta futebol e beisebol na ESPN e é comandante-em-chefe do site Balipodo.com.br. Cria teorias complexas para tudo (até como ajeitar a feijoada no prato) é mais que lazer, é quase obsessão. Azar dos outros, que precisam aguentar e, agora, dos leitores da Trivela, que terão de lê-las.

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