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A vontade de Diego Costa decidiu contra o Liverpool e vale ouro ao invicto Chelsea

Os times de José Mourinho possuem características bastante marcantes. Costumam ter uma solidez defensiva enorme, enquanto atacam com grande verticalidade. E também são ossos duros de roer. Difícil uma equipe do comandante que deixa de brigar pela bola dentro de campo e, quando isso acontece, provavelmente o ciclo do português já está chegando ao fim. O Chelsea que lidera a Premier League após 11 rodadas invicto, pelo contrário, consegue ser aguerrido a cada instante. E foi assim que conquistou uma grande vitória em Anfield, batendo o Liverpool de virada por 2 a 1. Com Diego Costa sendo o símbolo deste espírito.

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O jogo deste sábado nem foi a melhor atuação do camisa 19 pelos Blues. Dá até para questionar se ele foi o melhor em campo, com Nemanja Matic dominando o meio-campo e Willian entrando muito bem no segundo tempo. Entretanto, a sua postura do sergipano contagiou o resto de seus companheiros, em uma partida que se desenhava bastante dura para o Chelsea, especialmente depois que Emre Can abriu o placar aos oito minutos.

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Já era sabido que Diego Costa não é jogador de desistir dos lances, como grande característica nos tempos de Atlético de Madrid. Também é o centroavante que gosta de provocar e tirar os zagueiros adversários do sério. Tudo em seu plano para tentar arrebentar as defesas adversárias com muito jogo de corpo, senso de oportunismo e, claro, uma capacidade enorme de balançar as redes. E a partir da garra do camisa 19 é que a virada saiu.

Em um lance iniciado com Diego Costa é que o escanteio do gol de empate aconteceu, aos 13 minutos. Jogada na qual o Chelsea também tem muito para agradecer à tecnologia implantada na Premier League. Simon Mignolet pareceu salvar sobre a linha o arremate de Gary Cahill, mas o relógio do árbitro Anthony Taylor apitou o tento. Um gol que dificilmente seria validado apenas pelos olhares da arbitragem.

O empate impulsionou o Chelsea para a pressão, liderada por Diego Costa. Aí também é que começou a pesar o gênio arredio do centroavante – que, vale ressaltar, também às vezes passa dos limites e beira a deslealdade. Skrtel perdeu a paciência com ele em um lance na linha de fundo e quis arrumar briga na saída para o intervalo. O Liverpool começava a perder a calma em um jogo no qual precisava ter os nervos no lugar. E, sem pensar o jogo como deveria, acabou sendo presa para os Blues.

Porque, mais do que marrento, Diego Costa é bom jogador. Sua vontade e o faro de gols decidiram o placar aos 22 da etapa final. Posicionado no lugar certo, o camisa 19 apareceu também no segundo exato para completar o cruzamento de Azpilicueta. E tinha que ser ele mesmo para anotar. Das 15 finalizações que o Chelsea teve na partida, cinco foram dadas pelo centroavante, enquanto quatro passes para elas vieram de seus pés. Presença em 60% dos lances mais ofensivos, que ajudam a entender como ele é primordial para o time.

Após o gol, os Blues diminuíram um pouco o seu ímpeto. Tentaram buscar os contra-ataques, enquanto se fechavam muito bem para evitar qualquer perigo do Liverpool. Uma virtude de Mourinho que quase sempre dá certo e encerrou o marcador em 2 a 1. Franco favorito à Premier League, o Chelsea lidera com sete pontos de vantagem, em diferença que pode cair para, no máximo, a quatro. O Liverpool, por sua vez, dá sequência ao péssimo início de campanha e é apenas o sétimo, correndo sérios riscos de despencar algumas posições ainda neste final de semana.

Enquanto isso, Diego Costa se consolida mesmo como a grande contratação da Premier League neste início de temporada. O futebol de muita força do centroavante parece feito para o torneio e seus 10 gols enfatizam ainda mais isso – principalmente porque ajudaram a decidir contra alguns dos adversários mais duros, como Liverpool, Arsenal, Everton e Swansea. Com sergipano, Mourinho consegue potencializar ainda mais as preferências em seu time. O que, por enquanto, vai apontando rumo ao título.

Destaque do jogo

Diego Costa correu, brigou, criou, arrematou e marcou o gol que deu a vitória para o Chelsea. Um contraste enorme com Mario Balotelli, também grande reforço para a temporada, apenas no papel. Se o sergipano se esforçava em todos os lances, a apatia do italiano é sintomática sobre o futebol dos Reds.

Momento-chave

O gol validado pela tecnologia na linha do gol. Se muita gente diz que os recursos eletrônicos “tiram a graça da discussão do futebol”, eles compensam com a justiça. Talvez o Chelsea até vencesse, mas não conseguiria uma reação tão rápida.

Os gols

8’/1T – GOL DO LIVERPOOL! Emre Can arrisca de fora da área, a bola desvia em Cahill e acaba tirando Courtois da jogada.

13’/1T – GOL DO CHELSEA! Após escanteio, Terry cabeceia e Mignolet espalma. No rebote, o Cahill fuzila e o goleiro tenta tirar em cima da linha. Segundo a tecnologia, a bola entrou.

22’/2T – GOL DO CHELSEA! Grande jogada de Azpilicueta pela ponta esquerda. O lateral cruza rasteiro e Diego Costa aparece no segundo pau para chutar forte.

Curiosidade

Desde o início da Premier League, em 1992/93, apenas um jogador precisou de menos jogos que Diego Costa para chegar a 10 gols. Enquanto o camisa 19 atingiu a marca com nove atuações, Micky Quinn conseguiu em seis, pelo Coventry City.

Ficha técnica

Liverpool 1×2 Chelsea

Estádio: Anfield, em Liverpool
Árbitro: Anthony Taylor
Gols: Emre Can, 9’/1T; Gary Cahill, 14’/1T; Diego Costa, 22’/2T
Cartões amarelos: Raheem Sterling e Mario Balotelli (Liverpool); Thibaut Courtois, Branislav Ivanovic, Nemanja Matic, Oscar e Diego Costa (Chelsea)
Cartões vermelhos: nenhum

Liverpool
Simon Mignolet, Glen Johnson, Martin Skrtel, Dejan Lovren e Alberto Moreno; Steven Gerrard, Emre Can (Joe Allen, 25’/2T) e Jordan Henderson; Philippe Coutinho (Fabio Borini, 25’/2T), Mario Balotelli (Ricky Lambert, 34’/2T) e Raheem Sterling. Técnico: Brendan Rodgers.

Chelsea
Thibaut Courtois, Branislav Ivanovic, Gary Cahill, John Terry e César Azpilicueta; Nemanja Matic; Ramires (Willian, 9’/2T), Oscar, Cesc Fàbregas e Eden Hazard (Filipe Luis, 50’/2T); Diego Costa (Didier Drogba, 45’/2T). Técnico: José Mourinho.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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