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Garnacho segue desafiando hierarquia na Argentina por causa de Cristiano Ronaldo

Homenagens do jogador do United ao português já foram alvo de conselhos de Di María, seu companheiro na seleção argentina

Jogar como ponta requer velocidade, habilidade e acima de tudo muita ousadia na hora de enfrentar defensores. Seja no Manchester United ou no início de sua trajetória na seleção argentina, Alejandro Garnacho vem cumprindo essas expectativas com bastante sucesso, levando em conta os seus 19 anos e o potencial ainda a alcançar.

Entretanto, uma espécie de homenagem que ele faz ao comemorar seus gols também pode soar como uma provocação ao país em que o jogador resolveu representar como atleta profissional. Não é novidade que o garoto é fã de Cristiano Ronaldo, mas mesmo com conselhos como o de Ángel Di María, o espanhol naturalizado argentino segue imitando o português em suas comemorações.

No último domingo, o atacante brilhou ao fazer dois gols na vitória do United sobre o West Ham por 3 a 0. No seu primeiro tento, o camisa 17 sentou na placa de publicidade, ficou de costas para a torcida e pôs os braços na cintura, assim como o português fez em 2017, em celebração de um hat-trick no jogo entre Real Madrid e Atlético de Madrid, pelas semifinais da Champions League. No gol que fechou o placar e colocou o seu time na sexta posição da Premier League, ele voltou a sentar na placa, fazendo uma pose de selfie com a torcida ao fundo novamente.

E essa não foi nem de longe a primeira vez que Garnacho homenageou o seu ídolo e ex-companheiro. O espanhol naturalizado argentino também já havia celebrado gols apontando para o escudo do United, assim como também apontando os dedos para baixo e fazendo o famoso “siu”, em que o jogador pula em um giro de 180 graus, termina a celebração com a feição séria e os braços semi-abertos.

Garnacho e suas comemorações: bom por um lado, polêmico pelo outro

Mesmo respeitando o momento de felicidade, o meia Ángel Di María já chegou a aconselhá-lo a não imitar o jogador português, visto que ele foi o principal rival de Lionel Messi em disputas de melhor jogador do mundo por mais de uma década. Em uma entrevista ao canal argentino TyC Sports, o atual jogador do Benfica se posicionou sobre as celebrações do jovem de 19 anos. “A única coisa que eu não faria seria a comemoração do Cristiano. Eu faria o gol e comemoraria como faz o Messi, e terminaria dessa forma.”

Esse conselho não é a toa. Presença constante na seleção há cerca de 15 anos, Di María entende não só como funciona a seleção, mas também conhece a paixão do povo pela Albiceleste. Mais do que isso, o meia também explicou o quão importante o ambiente da seleção argentina pode ser para Garnacho, já que o jogador é visto como um dos jogadores mais promissores da nova geração que substituirá Messi e o próprio meia do Benfica.

— Ele é um jogador muito rápido, tem uma habilidade incrível. Ele vai ir ganhando experiência e vindo à seleção, que é um lugar em que se aprende muitíssimo e segue te melhorando. Me ajudou muito a crescer tecnicamente em todos os sentidos, é espetacular — disse Di Maria à época.

Filho de uma mãe argentina, Garnacho nasceu em Madri e deixou claro há tempos sua preferência por atuar pela seleção sul-americana. Até agora, o titular do United fez apenas 3 jogos com a Albiceleste, e ainda não marcou um gol. Mesmo fora da última convocação de Scaloni, o ponta ainda é visto com muito potencial para os próximos anos por Di María.

— Acho que vai ganhando com a experiência também. Quando eu era jovem, queria fazer uma jogada 30 vezes numa partida. Mas com os anos você vai percebendo que se a faz 10 vezes, mas melhor, vale mais a pena. (É um jogador que tem) um futuro muito grande. Depende dele, da cabeça dele poder lidar com isso. Não tenho muito a dizer, já que por algum motivo ele está jogando pelo Manchester United — afirmou o meia, que teve uma passagem apagada pelo time inglês entre 2014 e 2015.

Foto de Vanderson Pimentel

Vanderson PimentelRedator de esportes

Jornalista formado em 2013, e apaixonado por futebol desde a infância. Em redações, também passou por Estadão e UOL.
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