Futebol nem sempre é justo, e a vitória do United sobre o Arsenal foi mais uma prova

Nem sempre a equipe de melhor futebol ficará com a vitória. Essa constatação é ainda mais verdadeira quando se trata de um clássico. Com ela em mente, o Manchester United foi bravo, sortudo e cirúrgico para deixar o Estádio Emirates com os três pontos após o triunfo por 2 a 1 sobre o Arsenal. Diante das circunstâncias do jogo, um resultado tão inesperado quanto a quarta colocação em que agora está o time comandado por Louis van Gaal, mas que chega em boa hora para o holandês, já bastante pressionado. Nada bom para o colega de profissão Wenger, que vê a paciência da torcida se esvaindo a cada resultado frustrante.
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Os primeiros 30 minutos do confronto passaram a ideia de que, mais cedo ou mais tarde, o Arsenal abriria o placar e se conduziria para uma vitória tranquila. Além de não atacar, o Manchester United não conseguia trocar muitos passes em sequência e dava espaço de sobra para as subidas dos Gunners. Entre uma série de chances perdidas e outras bloqueadas por David De Gea, que vive fase espetacular, o time de Londres não conseguiu sair à frente no placar, e nos 15 minutos finais da etapa inicial o United mostrou que estava vivo, embora respirando por aparelhos. Em ambos os lances de ataque perigosos que teve, Di María foi seu principal articulador.
Mesmo a pequena reação dos comandados de Van Gaal no último terço do primeiro tempo não arrefeceu o ímpeto do Arsenal. Na volta para o segundo tempo, o que se via era a mesma partida dos primeiros trinta minutos do duelo. Entretanto, quando o United teve mais uma chance, se aproveitou dela – contando também com aquela ajudinha da arbitragem. Em bola levantada na área, Fellaini empurrou Gibbs contra o goleiro Szczesny, que caiu e não pode se levantar a tempo para se preparar para o chute de Valencia. O equatoriano, contando com uma sorte que acompanharia o United pelo resto do jogo, chutou e viu o próprio Gibbs, sentado no meio do caminho, desviar a bola contra a própria rede.
Embora não da mesma maneira como na etapa inicial, o Arsenal seguiu dominando o jogo e criando as principais chances, mas falhava no momento de definir essas jogadas. Para piorar, perdeu Wilshere, que fazia boa partida, por lesão e viu Szczesny também ter de sair, por decorrência daquele lance do gol.
Enfrentar o United naquelas circunstâncias implicava na obrigação da vitória para Wenger, então o time se lançou completamente ao ataque. Isso ficou ainda mais latente nos 20 minutos finais de jogo, e foi aí que o United aproveitou para matar o jogo. Van Gaal não armara bem o time no meio de campo, não havia transição e muito menos uma grande contenção às subidas do Arsenal, mas o time não precisou de nada disso para chegar ao segundo gol. Na entrada de sua própria área, os visitantes pararam o ataque do adversário, e Fellaini lançou para Di María. O argentino olhou para a frente e viu o campo adversário completamente vazio, e, a seu lado, Rooney acompanhou a corrida até o desguarnecido gol de Damián Martínez. Com calma, o inglês recebeu do camisa 7, conduziu até a área e bateu na saída do arqueiro para fazer 2 a 0.
Os oito minutos de acréscimo permitiram ao Arsenal acreditar na vitória. A pressão de minutos antes foi retomada, mas o velho problema da falta de decisão no ataque voltou a atrapalhar. Neste sábado, particularmente, Alexis Sánchez, que vinha sendo o diferencial até agora na Premier League, não foi efetivo, e Danny Welbeck também teve atuação apagada.
Já no início dos acréscimos, o Manchester United teve outra oportunidade muito parecida com a do gol de Rooney. Desta vez, foi o inglês quem lançou Di María na cara do gol. O argentino, entretanto, enfeitou demais o lance, tentando encobrir seu conterrâneo Martínez, e viu a bola passar rente à trave esquerda. O preciosismo do camisa 7 quase acabou custando a vitória ao United, já que na sequência Giroud, que voltava de lesão após quase três meses afastado, marcou uma pintura para diminuir a desvantagem.
Pragmaticamente, nenhum dos times teve muito o que comemorar. É claro que, pelo resultado, a primeira vitória fora de casa, sobretudo em um clássico, o torcedor do United deixa Londres com um sorriso de orelha a orelha no rosto. Mas, após a pausa para a data Fifa, não houve evolução no trabalho de Louis van Gaal. Arséne Wenger se vê em situação ainda mais complicada. Depois de quase 20 anos no comando do Arsenal, nem mesmo a conquista da Copa da Inglaterra na temporada passada acalmou sua torcida. Os seguidos deslizes na campanha de 2014/15 têm intensificado o coro de “fora, Wenger”, e essa derrota em casa para um rival que também passa por situação irregular pode ter sido a gota d’água para muitos.
Destaque do jogo
Wayne Rooney foi essencial para o triunfo do United. Sem espaço ou muitas chances criadas por boa parte do jogo, os Red Devils tiveram a confiança depositada em seu capitão recompensada com uma boa condução da bola no ataque pelo camisa 10 e com o gol que praticamente definiu o triunfo.
Momento-chave
Como em maior parte do jogo o Arsenal foi superior, o momento em que Rooney aproveitou contra-ataque para fazer 2 a 0 foi o respiro final de que o Manchester United precisava. Com os oito minutos de acréscimo, o Arsenal chegou ao empate e até teve oportunidades de empatar o duelo, mas o tento do camisa 10 realmente havia selado o triunfo improvável do United no Emirates.
Os gols
10’/2T: GOL DO MANCHESTER UNITED!
Fellaini empurra Gibbs contra o goleiro Szczesny, que fica vencido no lance e vê Valencia pegar a sobra. O chute do equatoriano desvia no próprio Gibbs e vai no canto do gol.
39’/2T: GOL DO MANCHESTER UNITED!
Di María puxa contra-ataque e toca para Rooney, que bate na saída do goleiro Martínez.
49’/2T: GOL DO ARSENAL!
Giroud bate com força, de fora da área, e acerta uma linda finalização no ângulo direito de De Gea, sem chances para o espanhol.
Curiosidade
Com o passe para o gol de Rooney, Di María chegou a 20 assistências em jogos de liga (espanhola e inglesa) em 2014, número superior ao de qualquer outro jogador nos cinco principais campeonatos nacionais da Europa (Inglaterra, Espanha, Itália, Alemanha e França).
Ficha técnica
ARSENAL 1X2 MANCHESTER UNITED
Arsenal
Wojciech Szczesny (Damián Martínez, 14’/2T); Calum Chambers, Per Mertesacker, Nacho Monreal e Kieran Gibbs; Aaron Ramsey (Olivier Giroud, 32’/2T), Mikel Arteta, Alex Oxlade-Chamberlain, Jack Wilshere (Santi Cazorla, 10’/2T) e Alexis Sánchez; Danny Welbeck. Técnico: Arsène Wenger
Manchester United
David De Gea; Paddy McNair, Chris Smalling e Tyler Blackett; Antonio Valencia, Marouane Fellaini, Michael Carrick, Luke Shaw (Ashley Young, 16’/2T, e Darren Fletcher, 44’/2T) e Wayne Rooney; Robin van Persie (James Wilson, 30’/2T) e Ángel Di María. Técnico: Louis van Gaal
Local: Estádio Emirates, em Londres
Árbitro: Mike Dean
Gols: Gibbs (contra), 20’/2T, Rooney, 39’/2T, e Giroud, 49’/2T
Cartões amarelos: Cazorla e Giroud (Arsenal); James Wilson (Manchester United)
Cartões vermelhos: nenhum



