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Decepção, Arshavin deixa o Arsenal pela porta dos fundos

Andrey Arshavin chegou ao Arsenal cheio de expectativas. O meia russo havia se tornado um dos nomes mais especulados no mercado de transferências a partir de 2008, após liderar o Zenit ao título da Copa da Uefa e ter ótimo desempenho na Euro 2008. Pretendido pelo Barcelona, acabou levado pelos Gunners no início de 2009, por € 16,5 milhões. Um casamento que terminou de maneira melancólica nesta semana, com a dispensa do russo após 4,5 anos de serviços.

O início de Arshavin com os Gunners não foi tão ruim. O meia animou a torcida em seu primeiro semestre no Estádio Emirates, com boas atuações e participação em mais de um gol por jogo (6 tentos, quatro deles em um empate memorável com o Liverpool, e 8 assistências) na reta final da Premier League 2008/09. Contudo, o nível do astro internacional não se manteve. Emprestado ao Zenit em 2010/11, chegou a disputar jogos pela equipe reserva na temporada seguinte. Finalmente, em 2012/13 esteve em campo apenas 11 vezes, quase sempre como substituto nos 15 minutos finais de jogo.

A verdade é que Arshavin nunca encontrou seu lugar no Arsenal. Transitou em diferentes posições sem encontrar sua melhor forma. Além disso, a acomodação pareceu dominar o russo em diversos momentos da carreira. O brilhantismo do meia era esporádico, limitado a arrancadas fulminantes e a chutes indefensáveis.

Quando desembarcou em Londres, aos 28 anos, Arshavin parecia viver seu ápice. Amadureceu de forma crescente no Zenit e apresentou seus melhores números em 2007, ano do primeiro título nacional do clube. Já com a seleção, o ponto fora da curva foi justamente em 2008, quando o desempenho na Eurocopa foi preponderante.

Arshavin se vai sem mostrar serviços, para enxugar a folha de pagamentos do Arsenal. A quarta maior contratação da história dos Gunners e talvez a maior prova dos erros de Arsène Wenger no mercado de transferências. O treinador, que geralmente prefere conter gastos e apostar em promessas, investiu alto na revelação da Euro 2008 e perdeu dinheiro por se prender apenas ao momento do jogador.

De certa forma, Wenger achou o substituto de Arshavin na última temporada. Santi Cazorla foi o “baixinho e habilidoso” que o francês esperava encontrar, marcando gols importantes e ajudando na criação do time. É óbvio que apenas contar com um meia incisivo não basta aos londrinos, que precisam se mover na direção de reestruturar o time – ou o desastre que se prenuncia há algum tempo realmente acontecerá.

Enquanto isso, Arshavin volta ao mercado sem contrato. Entre as especulações surgidas para o seu futuro estão o retorno ao Zenit ou a ida para algum clube do Oriente Médio. Talvez o melhor caminho para sanar as frustrações seja mesmo encher os bolsos, diante de uma carreira promissora que nunca se cumpriu na Premier League.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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