Inglaterra

Final sem magia na Copa da Inglaterra

Não tem jeito. Por mais zebras e momentos surpreendentes que a Copa da Inglaterra deste ano tenha proporcionado, o torneio não conseguiu trazer uma final emocionante. E isso já era esperado. Quando um time de segunda divisão chega a uma decisão como essa, a única chance de emoção é a zebra abrir o placar no começo da partida.

Não foi o que aconteceu no sábado. O Cardiff até que conseguiu equilibrar as coisas contra o Portsmouth até os 37 minutos, quando o goleiro Enckelman cometeu uma falha típica de time pequeno e deixou Kanu em condições de marcar o gol que viria a ser do título. Depois disso, a partida caiu no marasmo: o Cardiff tinha maior posse de bola, mas nem chegava perto de empatar a final.

O placar não foi surpresa nenhuma. Não só o Portsmouth é claramente melhor que o adversário como também, nesta FA Cup, foi o rei do 1 a 0: nada menos que cinco de suas seis partidas no torneio terminaram com esse placar. Apesar de ter enfrentado um caminho bastante fácil (só jogou contra um time da primeira divisão, o Manchester United), não dá para tirar os méritos de Pompey. Num torneio que foi marcado pelas zebras, o time de Harry Redknapp foi o único a levar a copa a sério o suficiente para lidar com os azarões de maneira eficaz.

Redknapp, aliás, foi o personagem mais lembrado da final. Apesar de seus negócios no mínimo nebulosos, o técnico é querido pela maior parte da imprensa, por sua personalidade afável. Este foi seu primeiro título em 44 anos no futebol, como jogador e treinador. Para o Portsmouth, a espera foi ainda maior: fazia 58 anos que o clube não ganhava nada. Como recompensa, Pompey vai disputar uma copa européia pela primeira vez em sua história.

Só pegou mal a entrevista de Redknapp após a conquista. Ainda na emoção do título, o técnico disse que salvar o Portsmouth do rebaixamento, há dois anos, foi um feito maior que ganhar a FA Cup. É… Mesmo com toda a ‘magia’ desta temporada, a Copa da Inglaterra não é mais a mesma.

Rangers repete o Celtic

Para tristeza do lado azul de Glasgow, o Rangers caminha para o mesmo destino do Celtic de 2002/3. O time perdeu a Copa Uefa para o Zenit e deverá deixar escapar também o título do Campeonato Escocês.

Na Copa Uefa, não há o que reclamar dos Gers. O time chegou à final baseado numa retranca tenebrosa – praticamente, sua única arma a nível continental – e tentou repetir a fórmula na decisão. O esquema até que deu certo por 72 minutos, mas acabou sucumbindo frente a um time que era claramente superior.

O problema é que o excesso de jogos causado pela boa campanha na competição continental atrapalhou o Rangers no campeonato local. O time já vinha se arrastando há várias rodadas e, no último sábado, o gato subiu no telhado, quando os Gers não conseguiram mais que um empate com o Motherwell. Na segunda-feira, a equipe bateu o St. Mirren por 3 a 0, igualando-se ao Celtic em pontos antes da rodada decisiva, que será disputada nesta quinta-feira. Aliás, essa série de quatro jogos decisivos em nove dias mostra o quão sobrecarregado o time do Rangers ficou.

Para não perder o título, os Gers precisam contar com um improvável tropeço do Celtic frente ao Dundee United. Em caso de vitória dos Bhoys, o Rangers precisaria golear o Aberdeen por 5 a 0 (isso se o Celtic ganhar seu jogo pelo placar mínimo) para ser campeão no saldo de gols. Até nisso a situação é parecida com 2002/3, quando os dois times também chegaram à última rodada com o mesmo número de pontos (e, incrivelmente, também estavam empatados no saldo de gols).

Sendo assim, a equipe azul deverá terminar a temporada só com o título da Copa da Escócia (e também o da Copa da Liga) como consolação. Esse, pelo menos, está fácil: basta derrotar o Queen of the South, da segunda divisão, na final. Mesmo estando longe da glória imaginada, não há do que reclamar. Afinal, mesmo que o Celtic possa comemorar seu terceiro título seguido (coisa que não acontecia desde os anos 1970), quem fez história mesmo nesta temporada foi o Rangers.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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