Farsenal
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O último título que o Arsenal ganhou foi a FA Cup de 2005, um ano depois de seu último título da liga inglesa. Quem quisesse discutir naquele momento o modelo que Arsene Wenger implantou no clube seria preso e espancado pela torcida Gunner. Se é verdade que a equipe, antes de sua chegada, vinha de dois títulos recentes, não dá para ignorar que o francês mudou a cara do time, e transformou-o em protagonista não só em seu país como no continente
O continente, entretanto, nunca foi conquistado. E o país, ao que parece, demorará para lhe trazer outro título. O time que no ano passado chegou a ser chamado por alguns de “Barsenal” parece neste momento mais perto de outra alcunha: a de “Farsenal”. Seu elenco é lotado de jogadores medianos, seus craques passam mais tempo no DM do que em campo e seu futebol não só não é mais bonito como se tornou chato.
A crise no modelo não é recente, e já foi levantada nesta coluna no final da temporada passada. Desde que se viu sem os pilares do time que montou assim que chegou, Vieira, Pires e Henry especialmente, o Arsenal vem “prometendo” para o ano que vem. A promessa, porém, parece cada vez mais promessa de político brasileiro. Não precisa nem chegar o fim do mandato para saber que ela não se concretizará.
Diaby, Eboué, Song, Chamakh, poderíamos preencher parágrafos com os nomes de jogadores dos Gunners que, se fossem do Tottenham, não teriam 1/3 da moral que têm.
Todos habilidosos, todos jovens, nenhum decisivo. Arshavin, que deveria cumprir esse papel, não parece ter nascido para isso. Van Persie certamente pode decidir, desde que jogue, o que não acontece.
Assim como Cesc. Cesc é genial, certo? Pois bem: por que, então, nos anos de protagonismo que vive a seleção de seu país o espanhol não passa, no time nacional, de reserva de luxo. De um lado, os titulares são foras-de-série. De outro, as contusões atrapalham. Se fosse só isso, porém, pelo menos haveria alguma dúvida sobre uma eventual titularidade do jogador, que absolutamente inexiste.
Fábregas tem que jogar mais, se quebrar menos. E, jogando mais, precisa ter mais gente de nível a seu lado. Caso contrário estará condenado a ser coadjuvante de Xavi e Iniesta.
Assim como seu time parece condenado a ser coadjuvante de Chelsea e United – e, em breve, do Manchester City.
O Arsenal precisa de um goleiro decente. Precisa de jogadores ocm mais presença física. E precisa de pelo menos mais dois titulares de mesmo nível que o time. Dinheiro para isso, há. Capacidade para escolher os jogadores e para encaixá-los no time, idem. O que parece faltar é vontade de abdicar de um modelo que pode ser “bonitinho”, mas que não funciona.
Jovens jogadores pode fazer o sucesso de um time em um torneio curto, ou num mata-mata, como uma Copa do Mundo. Na Premier League, entretanto, um Eboué só não chega bem ao verão. E se há até pouco tempo o conjunto de Eboués era suficiente para chegar ao final da primavera sonhando, agora não basta nem para enfrentar o West Brom.
Não há crise em Ashburton Grove, mas há impaciência. A torcida vendera Wenger, não sem motivo, e não vai colocaá-lo na parede. Mais um ano sem título, porém, não vai ser fácil de engolir. Como a mudança necessária não é radical, não dá para entender porque os Gunners não fazem. Mas eles não fazem.