Inglaterra

Falta caráter

Ganhar a Copa daa Liga para ter tranquilidade em um ano em que é necessário ganhar um troféu de qualquer jeito. Uma final contra o 16º colocado da Premier League, contra uma equipe que tem apenas dois pontos a mais do que o penúltimo colocado da liga. Bastava atenção e determinação. Justamente o que o Arsenal não tem tido em quase nenhum momento na atual temporada.

O Birmingham City é campeão da Copa da Liga depois de quase 50 anos. O gol da vitória foi marcado por ninguém menos que Obafemi Martins, que, depois de passagens por grandes equipes da Europa – e outras aspirantes à grandeza – agora está emprestado a um time que tem como destaques um goleiro em que o Manchester United desistiu de apostar e um atacante que não era suficientemente bom para o Valencia.

O tamanho do conto de fadas para os azuis de Birmingham é facil de mensurar. O único título anterior dos Blues era justamente uma Copa da Liga, a de 1963. O que pode variar é o tamanho da ressaca em Ashburton Grove. Perder uma Copa da Liga pode não significar grande coisa – em 2008 o Chelsea perdeu para o Tottenham e, embora não tenha ganho nada na temporada, chegou à final da Liga dos Campeões e acabou como vice-campeão também na Premier League com apenas dois pontos de desvantagem. A maneira como o Arsenal foi derrotado pelos Blues, entretanto, exige uma reflexão séria sobre dois pontos: o modelo que vem sendo adotado por Wenger para montar sua equipe; e principalmente o caráter e poder de decisão da atual equipe.

Arshavin um dia foi considerado craque. Fábregas, além de craque, era o melhor jogador do mundo do futuro. Walcott, idem. Van Persie talvez seja o único cujo valor não foi superdimensionado. Não é só que em uma final contra um time evidentemente mais fraco nenhum deles tenha aparecido. É que nenhum deles apareça quase nunca quando o bicho pega.

A cena ridícula protagoniada entre o meia-boca Koscielny e o promissor porém pouco testado Chechenia, ou seja lá qual for o nome do gajo, é digna de pastelão. Se fosse na Copa de Portugal viraria hit no You Tube, e se fosse na Copa do Brasil seria usada para mostrar como o nível do nosso futebol caiu. Na Inglaterra, mostra uma coisa só: Wenger se enamorou tanto da personagem que construiu para si mesmo que não consegue mais mudar. Se recusa a ter em seu elenco um jogador sequer que seja testado e consagrado no mais alto nível, e prefere encher o grupo de Chechenias e Chamakhs, além de Walcotts e Fábregas. Seu único jogador com poder de decisão passa mais da metade do ano no departamento médico, e mesmo assim não é que esteejamos falando de um Sneijder ou de um Robben.

Está tudo errado no Arsenal, e a sorte de Wenger é que seus concorrentes ao título inglês estão passando por um momento de renovação – caso contrário os Gunners estariam em quarto, muito distantes do troféu. Mesmo que ganhe um dos três troféus que ainda disputa, e mesmo que este seja O troféu, não dá para disfarçar o fato de que este time dificilmente polarizará as atenções da Inglatera e da Europa nos próximos anos. Bem, a maior parte as equipes não vai, e isso é indiscutível, mas a maior parte das equipes não depende apenas de duas ou três contratações de peso. A Arsenal depende, não é de hoje, mas não as faz. Enquanto isso seu torcedor tenta se consolar com algumas belas partidas. Bastará por quanto tempo?

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