Ex-Liverpool: ‘O VAR é a pior coisa que foi introduzida no futebol. Arruinou o jogo e a arbitragem’
Tecnologia volta ao centro das atenções na Premier League após decisões contestadas, críticas públicas e pressão crescente por mudanças no modelo de intervenção
A discussão sobre o VAR voltou a ganhar força na Inglaterra após mais um episódio controverso na Premier League. Introduzida na temporada 2019/20 com a promessa de reduzir erros graves e tornar a arbitragem mais justa, a tecnologia segue longe de ser unanimidade no país.
Na última sexta-feira (20), as críticas cresceram de tom depois do empate por 2 a 2 entre Bournemouth e Manchester United, que reacendeu o debate sobre o impacto do recurso não somente nas decisões de campo, mas também na própria experiência do futebol.
Alan Shearer e Stephen Warnock atacam VAR na Premier League
A partida ficou marcada por uma nova polêmica envolvendo a arbitragem de vídeo. O time da casa teve um pênalti assinalado a seu favor, enquanto, pouco antes, os Red Devils haviam reclamado de um lance semelhante sem a mesma punição.
A diferença de critério revoltou o clube de Old Trafford, que viu o capitão Bruno Fernandes e o técnico Michael Carrick se manifestarem publicamente contra a condução do jogo. O descontentamento é tamanho que o United prepara uma queixa formal.

Foi nesse contexto que Alan Shearer e Stephen Warnock, ex-jogadores e hoje comentaristas, fizeram ataques contundentes ao modelo atual de uso do VAR no futebol inglês. Maior artilheiro da história da Premier League, com 260 gols, Shearer avaliou que o nível recente das arbitragens no campeonato está em queda e atribuiu parte importante desse problema à crescente dependência da cabine de vídeo.
— Eles (os árbitros) dependem muito (do VAR) e isso está afetando o nível de arbitragem. Não é uma boa imagem. (O árbitro de Bournemouth x United) Devia ter dado um pênalti quando deu dois assim. Como é que não dá outro? — questionou o ex-atacante, em declaração à “BBC”.
Para Shearer, em vez de corrigir falhas, a ferramenta tem contribuído para ampliar a insegurança dos árbitros e a sensação de incoerência nas decisões. Warnock, por sua vez, foi ainda mais incisivo e tratou a existência do VAR como um prejuízo estrutural ao jogo
— É a pior coisa que foi introduzida no jogo. Acho que arruinou o jogo. Arruinou o prazer nos estádios. Acho que arruinou a arbitragem. Acho que é uma espécie de rede de segurança sempre que arbitram. O VAR não é perfeito, não é ótimo, comete erros e continua a ser subjetivo, o que é um grande problema, e acho que é uma má adição ao jogo — afirmou o ex-lateral, com passagens por Liverpool, Aston Villa e Leeds United.
As falas refletem um incômodo cada vez mais recorrente no futebol europeu: a percepção de que a tecnologia, embora criada para corrigir equívocos claros, passou a interferir em excesso e sem eliminar a subjetividade. Em vez de pacificar discussões, o VAR frequentemente produz novas controvérsias, sobretudo quando lances parecidos recebem interpretações diferentes em um curto espaço de tempo — exatamente o que ocorreu no duelo entre Bournemouth e United.
😮💨🇧🇷 Bournemouth explora área que Casemiro domina em empate agitado com o Unitedhttps://t.co/LkGAvMt1F1
— Trivela (@trivela) March 20, 2026
O tema, inclusive, já ultrapassou o debate local. No início da semana, a Uefa convocou representantes das principais ligas europeias — Premier League, LaLiga, Serie A, Bundesliga e Ligue 1 — para uma reunião prevista para o próximo verão, na qual o uso do VAR estará em pauta.
Entre as possibilidades em discussão, está a adoção de um critério mais restritivo, com intervenção apenas em erros flagrantes.



