Inglaterra

Espera benéfica

A espera da seleção inglesa por Wayne Rooney terá fim nesta terça-feira. Um retiro que, desconsiderando a aparição fugaz no amistoso contra a Bélgica, durou oito meses. Foram seis partidas sem o camisa 10, quatro delas testes para saber quem estaria credenciado a ocupar seu lugar no início da Eurocopa. Com o atacante, o English Team ganha seu diferencial, o craque em alta que não teve nos primeiros jogos da campanha. E a esperança é a de que Rooney possa trazer um novo espírito à equipe, ainda sem convencer após os primeiros testes.

A mentalidade ofensiva teve evolução notável contra a Suécia. A Inglaterra não ficou retraída como acontecera na estreia da Euro. A presença de Andy Carroll no ataque foi importante para a equipe, que pôde explorar mais as bolas longas e os cruzamentos. Os ingleses finalizaram três vezes mais do que contra a França, sem necessariamente ficar dependente do centroavante. Carroll, que chutou a gol apenas duas vezes ao longo dos 90 minutos, ajudou a abrir espaços para que seus companheiros conseguissem atacar mais.

No entanto, apesar da melhora, faltou voracidade ao time. Os ingleses pareceram acomodados com o resultado durante a maior parte do tempo. Dos 23 minutos do primeiro tempo, quando Carroll abriu o placar, aos 14 do segundo, quando Mellberg virou para os escandinavos, foram apenas duas finalizações da Inglaterra. Falta de brio que quase custou caro e só foi revertida quando Walcott saiu do banco, dando uma opção de desafogo pelo lado direito, que não existia com o inconstante Milner.

Já o sistema defensivo demonstrou brechas que não existiram na estreia. Scott Parker e Gerrard continuaram fazendo bem a cobertura na faixa central, mas o jogo dos adversários fluiu pelos flancos. Milner e Young deixaram espaços em suas costas, com Glen Johnson e Ashley Young pressionados em muitos momentos. Contra a Ucrânia, que explora bastante o ataque pelos lados, o problema precisará ser sanado para evitar maiores apuros.

A entrada de Rooney, espera-se, tornará o English Team mais incisivo. A princípio, quem deverá pagar com seu lugar será Danny Welbeck, mesmo tendo se destacado nos primeiros jogos. Acompanhado por Carroll, o camisa 10 terá maior liberdade para buscar o jogo e fazer a ligação com o meio de campo, deficiente em muitos momentos. E, se o desespero apertar, o time terá um jogador com potencial para decidir, tornando-o menos dependente dos lançamentos de Gerrard ou da inspiração de qualquer outro do elenco.

Para a carreira de Rooney, a Eurocopa ainda poderá ter um caráter especial. Não se pode negar o talento do atacante e sua importância dentro do futebol inglês. Porém, seus maiores feitos ficam limitados à camisa do Manchester United. Falta dar um passo à frente pelo país. Apesar de ser o nono maior artilheiro da história da seleção, seus bons números são praticamente limitados a fases eliminatórias e amistosos.

A exceção em torneios internacionais aconteceu justamente em sua primeira participação na Euro, quando surgiu como aposta e explodiu como artilheiro do time que chegou até às quartas de final. Desde então, Rooney nem se classificou para a fase final do torneio continental em 2008, enquanto decepcionou nas Copas do Mundo de 2006 e 2010, quando sequer balançou as redes. Se 2004 foi o ano da ascensão, 2012 é a melhor oportunidade para a afirmação pela equipe nacional.

A expulsão contra Montenegro, bem como a eliminação precoce na Liga dos Campeões, parecem ter levado o atacante a um momento de maior maturidade desde o início do ano, menos suscetível às mudanças de humor e mais disposto a decidir. A partir de janeiro, marcou 19 gols em 22 jogos, uma excelente fase que passou mais despercebida do que deveria pela ausência de títulos com o Manchester United.

O afastamento deu tempo suficiente para que o atacante refletisse sobre o seu papel no English Team. Assim como a falta do camisa 10 obrigou a Inglaterra também revisse suas expectativas para o torneio. O time de Roy Hodgson, longe de ser brilhante, é bem mais consciente de suas limitações, ao contrário do que ocorreu nos últimos anos. E, se Rooney estiver disposto mesmo a transformar a carreira a partir da Eurocopa, o desafio contra a Ucrânia será uma excelente oportunidade de renovar a reputação tanto para ele quanto para a seleção.

Curtas

– E a batata de Harry Redknapp no Tottenham terminou de assar, em situação bastante justificável diante do péssimo final de temporada. Seria difícil imaginar uma maneira de o treinador reinventar a equipe depois das tentativas frustradas nos últimos meses e sem o dinheiro da Champions. Entre os nomes cotados, David Moyes e André Villas-Boas, que indicariam um projeto de longo prazo dos Spurs.

– A Premier League divulgou nesta segunda-feira a tabela de jogos para a temporada 2012/13. A competição começa no dia 18 de agosto e o atual campeão Manchester City terá o Southampton pela frente em sua primeira partida. Já o destaque da rodada inicial fica para o encontro entre Newcastle e Tottenham em St. James Park.

– Quem não gostou da tabela foi o Manchester United, que terá jogos fora de casa depois de cinco partidas da fase de grupos da Liga dos Campeões, entre eles contra Chelsea, Newcastle e Liverpool.

– Quanto ao mercado de transferências, a semana foi de poucas movimentações. O único clube a trazer novas peças foi o Queens Park Rangers, que contará com Ryan Nelsen e Andy Johnson.

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Equipe Trivela

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