Inglaterra

Eric Dier: Não culpem os jogadores pelos valores que são pagos por eles

O grande assunto do mercado que se fechou na última semana não foram exatamente as movimentações por Neymar ou Mbappé. Esses jogadores, que juntos custaram € 400 milhões, são exemplos de um contexto maior, de valores inflacionados e fora da realidade de pessoas comuns – a maioria do público do futebol. Uma discussão que vale a pena ser realizada. Eric Dier forneceu os seus 20 centavos. Preparando-se para enfrentar a Eslováquia, nesta segunda-feira, pela Inglaterra, o volante do Tottenham afirmou que os jogadores são os últimos culpados pela loucura do mercado.

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“Não é culpa de Dembélé (que foi do Borussia Dortmundo para o Barcelona por € 145 milhões, pós-variáveis) que ele é bom jogando futebol e que alguém quer pagar £ 140 milhões por ele. Os jogadores de futebol são os últimos culpados por pessoas que querem pagar tanto dinheiro por eles. Eles não têm palavra nisso. É o mundo em que vivemos e é um negócio. Se outro esporte gerasse tanta receita ao redor do mundo, seus atletas ganhariam valores similares de dinheiro. Não estou dizendo que concordo com isso. Estou apenas dizendo que é onde está a indústria”, afirmou, segundo o Telegraph.

Dier mencionou a pressão que jogadores recebem hoje em dia, com monitoramento 24 horas por dia por meio das redes sociais. Exigem que sejam exemplos para as crianças, mas esquecem que, na maioria dos casos, estamos falando de pessoas na casa dos 20 anos, que é a metade de uma carreira de jogador profissional, mas apenas o começo de uma vida adulta.

“As pessoas não percebem o quanto é difícil para nós lidar com isso. Não é fácil. Eu li algo que Jamie Carragher escreveu ano passado, falando sobre psicólogos. Ele disse que somos jogadores de futebol muito bem dotados, mas não humanos, ou algo assim”, lembrou. “Eu acho que as pessoas têm que se lembrar disso de vez em quando. Somos seres humanos normais, com um dom, e é muito difícil lidar com todas essas situações que acontecem no futebol, com dinheiro e fama, etc”.

“Eu acho que como jogador de futebol é muito importante ser um exemplo e tentarmos tomar os caminhos certos porque milhares de crianças estão nos observando. Eu acho que o jogador de futebol lida com isso a sério. Mas, se você seguir qualquer jovem de 21 ou 22 anos por seis meses, tenho certeza que verá um monte de coisa errada. No futebol, os 25 anos são a metade da carreira, mas, do ponto de vista da vida, você ainda é um jovem e vai cometer erros. É como as pessoas lidam com esses erros que mostra o verdadeiro caráter delas”, encerrou.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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