Ele resolve

O Manchester City careceu de alguém que centralizasse as responsabilidades em alguns momentos da temporada, sobretudo a partir de janeiro. David Silva caiu vertiginosamente de produção, Agüero não foi sempre regular, Balotelli não tinha o controle emocional para tanto. Com um elenco recheado de bons jogadores, era natural que algum lampejo acontecesse. No entanto, nada suficiente para evitar os tropeços que, a partir da 28ª rodada, pareciam custar o título aos azuis.
A primeira reação de Roberto Mancini foi a reintegração de Tevez. O argentino deu conta do recado logo de início, mas não demorou a receber novamente atenção especial dos adversários. A partir de então, surgiu aquele que, caso se confirme o título, merecerá os créditos como herói dos Citizens: Yaya Touré. O marfinense teve atuações impecáveis nas duas partidas mais decisivas da temporada, contra Manchester United e Newcastle. Resolveu, assim como já tinha feito na FA Cup 2010/11, primeiro título da era multimilionária do clube.
Touré não tem a mesma grife de outros companheiros de equipe, mas compensa todo o investimento realizado pelo sheik Mansour em seu futebol. Foram 24 milhões de libras por sua contratação, mais 250 mil libras semanais pagas em seu salário – o maior do elenco mais bem pago da Inglaterra. Dinheiro justificado não apenas por sua explosão nos momentos importantes, como também por sua constância no restante da temporada.
Os números são fundamentais para entender o protagonismo do meio-campista. Touré perdeu apenas seis partidas da equipe no Campeonato Inglês – cinco por causa da Copa Africana de Nações e outra por suspensão. Além dos seis gols e cinco assistências, o africano aparece entre os líderes do time em outras estatísticas fundamentais, como dribles e lançamentos. É quem mais toca na bola durante as partidas do City e ainda possui um aproveitamento de mais de 90% nos passes.
Durante a maior parte da campanha, Touré foi o esteio no meio de campo dos Citizens. Pela qualidade em seu passe e capacidade na marcação, atuou na maioria das vezes como volante. Começou na posição contra United e Newcastle, até Roberto Mancini explorar seu potencial técnico e físico durante o segundo tempo das duas partidas. Os Magpies faziam grande partida defensiva até a fera ser liberada para atacar, após a entrada de De Jong. Somente assim o marfinense foi capaz de ruir o esquema de Alan Pardew e abrir o caminho para o triunfo.
Graças à vitória conquistada no St. James Park, fica muito difícil de acreditar que os azuis deixarão escapar a oportunidade de reconquistar a Inglaterra após 44 anos. O desafio final é contra o Queens Park Rangers, no Etihad Stadium. Um adversário que luta contra o rebaixamento e não vence fora de casa desde novembro – somando dez derrotas e dois empates no período. Em um estádio no qual o City perdeu apenas dois pontos em 54 possíveis ao longo da Premier League.
Ao United, resta torcer pelo improvável. Fazer a própria parte na rodada final, contra o Sunderland no Stadium of Light, já não é das tarefas mais fáceis. E imaginar que os Red Devils irão tirar oito gols de diferença no saldo em caso de vitória dos dois clubes é pura ingenuidade. Diante da situação, até mesmo Roberto Mancini, irredutível durante toda a temporada, finalmente deu o braço a torcer ao admitir o favoritismo de sua equipe.
Por fim, vale lembrar: foi Yaya Touré quem decidiu a partida contra o QPR no primeiro turno, garantindo com um gol de cabeça a suada vitória por 3 a 2 em Loftus Road. “Eu sempre disse que vim ao clube para fazer história. Estou mantendo a minha promessa e vim para ajudar a transformar este clube em um clube de sucesso”, afirmou, após o jogo contra o Newcastle. E, ao que tudo indica, o meio-campista cumprirá seu objetivo no próximo domingo, justamente no dia de seu aniversário de 29 anos. Um presente e tanto aos torcedores do Manchester City.
Fórmula para o sucesso?
O Chelsea demonstrou estar consciente de seus trunfos para a final da Champions. A decisão da FA Cup foi mais uma prova do controle dos Blues sobre seu próprio jogo: as principais virtudes se sobressaíram no Wembley para garantir o título. Pela fase recente, o Liverpool pode não ter um adversário dos mais temíveis, mas jogava todo o resto da temporada na ocasião. Um teste considerável antes do Bayern e pelo qual os londrinos passaram com louvor.
A primeira das cartas na manga foi lançada logo de início, quando Ramires disparou pela direita e consumou o favoritismo inicial dado ao Chelsea. Já no segundo gol, a precisão de Lampard veio à tona outra vez, bem como o poder de fogo de Drogba. Três armas ofensivas recorrentes nos jogos do time de Roberto Di Matteo e, até agora, decisivas no rumo da temporada em Stamford Bridge.
O Liverpool cresceu progressivamente com a entrada de Andy Carroll, em noite inspiradíssima, e pressionou suficientemente para conseguir o empate. O que não aconteceu graças à consistência defensiva, outra característica marcante nesta nova fase do clube londrino, e da fase estupenda que vive Petr Cech – tendo entrado ou não a cabeçada de Carroll. A conquista é resultado de uma mudança proporcionada não apenas por pressão dos senadores, como também por seus papéis centrais no processo dentro de campo.
Embora as deficiências de Arsenal e Tottenham saltem aos olhos na corrida pelo Top Four, o Chelsea encontrará em Munique o caminho mais curto para solucionar seus problemas na Premier League. Os blues têm a chance de conquistar a taça mais cobiçada por Roman Abramovich e, de quebra, tirar um rival da próxima LC. Um feito para um elenco que, ao menos nos últimos desafios, apresentou maturidade suficiente para tanto.
Curtas
Premier League
– Os londrinos disputam um título particular nesta temporada. Arsenal e Tottenham querem saber quem é mais incompetente na disputa por um lugar na Liga dos Campeões. Os Gunners não se cansaram das falhas ao permitir o empate do Norwich no Emirates. Já os Spurs foram extremamente ineficientes contra o Aston Villa e ficaram apenas igualdade.
– A tabela da rodada final guarda o Fulham em White Hart Lane para o Tottenham e o West Bromwich em The Hawthorns para o Arsenal. Dois desafios que estão longe de intimidar, contra times sem interesse algum no campeonato. De qualquer forma, um novo vacilo a esta altura seria imperdoável. Já o Newcastle, além de torcer contra, terá que passar pelo Everton no Goodison Park.
– Na parte inferior da tabela, o Blackburn faz jogo de vida ou morte nesta segunda e, mesmo em casa, terá problemas contra o Wigan – que está a dois pontos da salvação. Em boa forma, os Latics tiveram o técnico Roberto Martínez eleito como o melhor da competição em abril.
– Se seguir na elite, o Queens Park Rangers precisará agradecer a Djibril Cissé, autor do gol salvador no triunfo sobre o Stoke City. E, também no último minuto, o Bolton cedeu o empate ao West Bromwich, que diminui as chances do clube escapar da degola. Os londrinos não esperam muito contra o Manchester City, mas esperam ao menos um empate dos Trotters no Britannia Stadium, contra o mesmo Stoke.
Championship
– O West Ham está com a vaga na decisão dos playoffs encaminhada. Venceu o Cardiff City por 2 a 0 no País de Gales graças à própria eficiência e faz o jogo de volta nesta segunda, em Londres. Só um desastre atrapalha a caminhada dos Hummers.
– O Blackpool, por sua vez, fez seu dever ao derrotar o Birmingham em casa. As lamentações, contudo, ficam para o 1 a 0 magro no placar, em partida na qual as Tangerines tiveram boas chances para ampliar.
League One e League Two
– No final das contas, o Sheffield Wednesday ficou com a segunda colocação na League One, que dá acesso automático à segunda divisão. As Owls fizeram sua parte ao bater o Wycombe Wanderers por 2 a 0 e ainda viu o Sheffield United empatar com o já rebaixado Exeter City, ficando três pontos à frente dos rivais.
– Já os playoffs, além das Blades, contará com Huddersfield Town, Milton Keynes Dons e Stevenage, que superou o Notts County na tabela de classificação graças apenas ao saldo de gols superior.
– Na League Two, o Crawley Town confirmou a terceira vaga do acesso e acompanhará Swindon Town e Shrewsbury Town na terceirona em 2012/13. Southend United, Torquay United, Cheltenham Town e Crewe Alexandra se digladiam pela quarta vaga.



