É só entre dois
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Antes da 22ª rodada, se falava em uma possível aproximação do Tottenham ao grupo de times que disputa o título da Premier League. Os resultados do fim de semana mostraram que os dois times de Manchester têm força para disputar o título até o final – e provavelmente sozinhos.
O Tottenham era o time com melhor perspectiva de surpreender. Embora o Manchester City fosse favorito jogando em casa, não seria um absurdo pensar que os Spurs poderiam complicar o time do técnico Roberto Mancini. De fato, o time de Harry Redknapp complicou. A derrota já nos acréscimos foi um balde de água fria na torcida dos Spurs e uma demonstração de força do City, que manteve um incrível aproveitamento de 100% em casa.
Um detalhe desse jogo é que Mario Balotelli está sendo considerado na Inglaterra o melhor cobrador de pênaltis da Premier League. Frio, ele joga com o goleiro o jogo de quem se mexe primeiro e espera até o último instante para bater na bola. O goleiro quase inevitavelmente cai para um dos lados e ele cobra no outro. Se ele não cair, é basicamente impossível chegar à bola cobrada no extremo canto. Uma frieza que mostrou um Balotelli capaz de cobrar um pênalti decisivo, nos acréscimos do jogo, contra uma equipe forte e em um jogo que valia muito. O italiano já é comparado a Eric Cantona – se não pelas jogadas, ao menos pelo jeito marrento de ser.
Aliás, há outra semelhança. Em um lance com Scott Parker, Balotelli poderia – e deveria – ser expulso. Ele, digamos, deixou o pé sobre a cabeça do volante dos Spurs, que estava caído. O árbitro não viu, Redknapp reclamou, com razão, e o jogo foi vencido pelo City com um gol decisivo do italiano. O tipo de situação que Cantona cansou de viver em sua carreira. E que poderia mudar o jogo. Poderia, mas não mudou.
Tiro pela culatra
O Arsenal tinha a chance de mostrar força neste domingo contra o Manchester United e entrar de vez no top 4. O time, mais uma vez, mostrou que tem deficiências sérias que não o permitem nem sonhar com o título, nem se garantir com facilidade entre os que irão à Liga dos Campeões, o que é bastante preocupante.
O United marcou primeiro, aproveitando melhor suas oportunidades do que os Gunners. E em um dia que até Robin van Persie perde um gol feito, o Arsenal não poderia mesmo vencer. O artilheiro holandês até empatou o jogo, mas o gol no final de Danny Welbeck selou a sorte do domingo no estádio Emirates.
O time de Alex Ferguson continua em uma toada de futebol pouco atrativo, mas eficiente. Ainda não é um time que se possa confiar para ganhar o título, mas é impossível duvidar que possa alcançar e passar o City, até pela sua história recente. E, claro, por ter jogadores que eventualmente podem ser decisivos, especialmente Wayne Rooney.
Por outro lado, Arsène Wenger precisa de mais gente que decida. Van Persie é ótimo, mas é pouco para quem quer ir bem. E olha que o Chelsea está mal das pernas, com um tropeço pouco esperado contra o Norwich fora de casa. Blues e Gunners parecem disputar, ponto a ponto, quem merece menos ir à Liga dos Campeões. O que reforça que o Tottenham deve estar na principal competição do continente na próxima temporada.
Ritmo de feijoada
Kenny Dalglish tornou-se uma espécie de para-raios do Liverpool. Mesmo com atuações fracas e frequentemente sem demonstrar nenhuma vontade, o técnico defendia seus jogadores, até mesmo no caso de Luis Suárez e o episódio de racismo contra Patrice Evra. E quando até Dalglish, em entrevista coletiva após a derrota para o Bolton, resolve soltar os cachorros, é porque a coisa está feia.
O time foi dominado pelo Bolton, que luta desesperadamente contra o rebaixamento. Uma derrota pesada com uma postura de um time que não mostrou sequer empenho. Nem a volta de Steven Gerrard melhorou o time. Lucas, principal jogador de desarme do time, tem feito muita falta – está contundido e desfalca o time até o final da temporada. Andy Carroll não vingou ainda, Henderson e Downing não fizeram valer os milhões que custaram e nenhum deles tem demonstrado o empenho que o time precisa para vencer.
Fora da disputa do título e muito longe da vaga na Liga dos Campeões, Dalglish espera que o time mostre um pouco mais de empenho contra o Manchester City, na semifinal da Copa da Liga. Depois de dizer que muitos jogadores não estão mostrando que são dignos de vestirem a camisa do Liverpool, é bom mesmo que o time comece a responder em campo.
Curtas
A disputa pela ponta na Championship está forte. O West Ham tem 53 pontos, mas pode ser alcançado pelo Southampton, que joga nesta segunda contra o Leicester e tem 50. Cardiff tem 49, Middlesbrough e Hull City têm 45 e Birmingham tem 43, todos na zona do playoff.
Blackpool, Reading e Leeds, com 42 pontos e a apenas um do primeiro time da zona de playoff, são respectivamente sétimo, oitavo e nono. Na parte de baixo, Nottingham Forest, Doncaster Rovers e Coventry formam a zona do rebaixamento. Millwall, a cinco pontos, e Ipswich Town, a quatro da zona do rebaixamento, são os times mais ameaçados.
Na League One, o Charlton nada de braçadas. São sete pontos de vantagem para o Huddersfield, o que lhe dá tranquilidade para ficar com uma das vagas de acesso direto. Sheffield United, Sheffield Wednesday, Milton Keynes Dons e Stevenage formam o grupo de playoff, seguido de perto por Carlisle United e Bounermouth.
A League 2 tem nada menos do que três times com o mesmo número de pontos na ponta da tabela. Southend United, Crawley Town e Cheltenham Town formam o trio de 52 pontos, seguidos por Swindon Town, Shrewsbury, Torquay e Oxford, no grupo do playoff.