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Di Canio nega ser racista, mas já gera polêmica no Sunderland

A postura ideológica de Paolo Di Canio é motivo de constantes controvérsias. Em 2005, o italiano declarou abertamente se alinhar politicamente com o fascismo, bem como a admiração por Benito Mussolini – o ex-meia possui a palavra “Dux” tatuada no braço, em homenagem ao ditador.  E mais uma vez o treinador gerou polêmica ao ser anunciado como novo comandante do Sunderland.

Já tinha acontecido em 2011, quando assumiu o Swindon Town, seu primeiro clube como técnico. Um dos patrocinadores deixou o time após o anúncio, se recusando a vincular sua imagem com a de Di Canio. Apesar da oposição, o italiano foi campeão da League Two, a quarta divisão. Mas, em fevereiro, foi demitido por “divergências ideológicas” com a diretoria.

Desta vez, foi o vice-presidente do Sunderland quem se desligou do clube após a contratação de Di Canio. Ligado ao partido trabalhista, David Miliband justificou sua saída principalmente pela posição política do técnico. Logo após a decisão, os Black Cats saíram em defesa de seu contratado, enquanto o italiano também se defendeu. Di Canio negou ser racista e disse que as acusações feitas a seu respeito são injustas.

“Algo pode ter acontecido há muitos anos, mas o que conta são os fatos. Minha vida fala por mim. Logicamente, dói como as pessoas tratam minha dignidade, o que não é justo. Acredito em meus princípios e tenho valores. O que me ofende mais é que tentam questionar os valores que meus pais deram a mim. Isso não é aceitável”, declarou Di Canio.

O treinador, inclusive, afirmou que sua imagem foi construída de maneira negativa pela imprensa: “Eu nunca tive problemas no meu passado. Expressei minha opinião durante uma entrevista e algumas palavras foram tratadas pela mídia conforme era conveniente. Eles deram um tom muito negativo a minha frase, o que não é verdade. Nunca tive problemas com ninguém  e não sei porque tenho que repetir minha história sempre que mudo de clube, me defendendo de algo que não me pertence”.

Além disso, Di Canio apontou que só falará sobre futebol nas próximas entrevistas: “Falar de racismo é absolutamente estúpido e ridículo. Quando jogava na Inglaterra, meus melhores amigos eram Trevor Sinclair e Chris Powell [ambos negros]. Eles podem dizem tudo sobre o meu caráter. Não quero falar sobre política porque não é minha área. Não estamos no Parlamento, estamos em um clube de futebol. Quero falar sobre esportes”.

Independente do passado ou de suas declarações, Di Canio possui um bom histórico como técnico. Depois de um bom início, Martin O’Neill não conseguiu fazer o time render nesta temporada e a diretoria do Sunderland preferiu apostar em um novo nome para tentar fugir do rebaixamento – o time não vence há oito jogos. Resta saber se as polêmicas ligadas a Di Canio piorem ainda mais o ambiente e impeçam uma reação dos Black Cats.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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