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Defesa prevalece, De Gea faz milagre, e Liverpool e United fazem clássico travado

Havia muita expectativa para o clássico inglês desta segunda-feira. O Liverpool em ótima fase contra o Manchester United de Pogba, Ibrahimovic e Mourinho. Decepcionou. Foram 90 minutos de defesas anulando ataques, muitas divididas e faltas. Prevaleceu a estratégia de José Mourinho, que buscou o jogo travado e arrancou um ponto. Nas poucas chances que os anfitriões conseguiram criar, David De Gea brilhou com defesas sensacionais. E o resultado final não poderia ter sido outro: 0 a 0.

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Mourinho não estacionou o ônibus que nem naquela fatídica visita a Anfield com o Chelsea, no dia em que Gerrard escorregou para a história, mas montou um time compacto, com linhas próximas, que tinha como prioridade defender-se. Com a bola recuperada, tentou jogadas verticais, sem muitos toques de lado ou elaboração. Funcionou em termos. O Manchester United não correu riscos durante os primeiros 45 minutos e finalizou mais vezes que o dono da casa. Mas o que mais chegou perto de uma chance clara de gol foram arremates de fora da área, que na prática não levaram perigo algum a Karius.

O Liverpool encerrou a etapa inicial com 66% de posse de bola, um índice bem acima do que o time costuma praticar com Jürgen Klopp desde a temporada passada – por volta de 56%. Mas tocou a bola apenas entre a defesa e a intermediária ofensiva, onde esbarrava na barreira de jogadores vestidos de azul. Ao se aproximar do último terço de campo, o espaço desaparecia. Dava lugar a jogadas forçadas, erros de passe ou bolas esticadas para Sturridge, uma nulidade enquanto esteve em campo.

Klopp experimentou um posicionamento um pouco diferente para Coutinho. Atuou mais recuado, na mesma linha de Emre Can, ambos à frente de Jordan Henderson. O ataque teve Firmino pelo flanco esquerdo, Mané no direito e Sturridge centralizado, mas com bastante movimentação. A ideia provavelmente foi qualificar o passe na região do meio-campo, onde Klopp previa, com razão, que haveria mais espaço. E Coutinho tentou bastante. Foi o que mais participou de ações ofensivas, sem, no entanto, conseguir conclui-las direito. Longe da área adversária, não arriscou nenhum dos seus característicos chutes de média distância na etapa inicial.

Resumo do primeiro tempo: muita intensidade, muito perde e ganha e muita correria, mas nenhuma chance verdadeira de abrir o placar para nenhum dos lados. O segundo tempo teve a mesma lógica, mas foi mais aberto – um pouco -, talvez pela deterioração física.

Logo aos 8 minutos, Pogba, atuando quase como um segundo atacante, muito próximo de Ibrahimovic, achou o atacante sueco na segunda trave, mas a cabeçada saiu muito errada. A resposta do Liverpool veio com Emre Can. Matip encontrou um raro espaço entre as linhas do Manchester United e colocou o meia alemão dentro da área. Can foi trombando e passando a bola de um pé para o outro até achar o espaço para bater de canhota. De Gea buscou, em uma defesa que seria espetacular se ele não estivesse prestes a fazer uma ainda melhor.

Quando Philippe Coutinho pega pela esquerda e busca o pé direito, todos sabem o que irá acontecer. A sua confiança nesta jogada anda tão grande que ele nem precisa de muito espaço ou de um bom ângulo. Está naquele momento que a bola acha o fundo da rede quase sozinha. E ela faria isso novamente contra o Manchester United, não fosse a intervenção milagrosa de De Gea, que conseguiu alcançá-la com o braço direito.

A entrada de Lallana no lugar de Sturridge fez o Liverpool melhorar coletivamente, simplesmente por haver mais um jogador vestido de vermelho participando da construção das jogadas, já que o atacante inglês passou todo o seu tempo em campo isolado no setor ofensivo. E, além dessas duas chances, as melhores da partida, ainda houve outro grande lance, em que Coutinho deu de calcanhar para Firmino, que entrava livre, cara a cara com De Gea, mas Valencia conseguiu recuperar-se e fez um corte preciso.

Foi um empate ruim para o Liverpool, que jogava em casa, tenta provar que pode brigar de verdade pelo título e, sob o comando de Klopp, está acostumado a boas apresentações nos grandes jogos. Um pouco melhor para o Manchester United, já que venceu a estratégia de Mourinho de travar a partida de Anfield Road. Mas, por outro lado, seu time ganhou apenas uma partida nas últimas cinco rodadas da Premier League e ainda está devendo.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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