Dificuldade de times da Premier League com gramado sintético faz Brentford adaptar treinos
Clube pretende evitar que campo artificial se torne desculpa para eventual eliminação na Copa da Inglaterra e se antecipa
Os clubes da Premier League têm tido retrospecto ruim em gramados sintéticos. Alguns exemplos recentes são as derrotas de Manchester City para o Bodo/Glimt na Champions League no Aspmyra Stadion, na Noruega, e de Crystal Palace no Leasing.com Stadium para o Macclesfield na Copa da Inglaterra. Tais situações deixaram o Brentford em alerta e motivaram ajustes na preparação do time.
O jornal “The Times” considerou que o sintético é ideal para “neutralizar” vantagens técnicas. O tipo é proibido na Premier League e na segunda, terceira e quarta divisão inglesa, de forma que equipes da elite, como City, Palace e Brentford, não têm o costume de jogar nestes pisos.
O Macclesfield, por outro lado, disputa a sexta divisão da Inglaterra e pode usar o campo artificial no Leasing.com Stadium, também conhecido por Moss Rose. Isso propicia chance “significativamente maior” de uma zebra acontecer em Copas do país.
‘Somos um grupo aventureiro’: Técnico do Brentford minimiza impacto do gramado
Esse tipo de surpresa é o que o Brentford quer evitar. Os Bees encaram o Macclesfield nesta segunda-feira (16), pela quarta rodada da Copa da Inglaterra, e pretendem não entrar para a estatística.
Quando a equipe da sexta divisão bateu o Crystal Palace por 2 a 1, jogadores dos Eagles se queixaram do gramado e afirmaram que tiveram dificuldade extra devido ao sintético.
Keith Andrews, técnico do Brentford, não quer saber de usar a diferença no campo como “desculpa” em caso de eliminação.
— O gramado não será usado como desculpa para nós. Somos um grupo aventureiro, gostamos de experiências diferentes — disse ele em coletiva.
Um campo com grama artificial fica à disposição para divisões de base dos Bees, porém, nos últimos dias, o time principal aproveitou as instalações para treinar, segundo o jornal.
Também foram feitas atividades em estrutura que se assemelha à que deve ser encontrada no Moss Rose até em questão de dimensão para ajudar na familiarização.

Tanta cautela tem fundamento. Em 2022/23, três dos sete jogos da primeira rodada da Copa da Inglaterra que ocorreram em estádios com grama sintética terminaram em “zebra”. A mais singular foi Ramsgate, da oitava divisão, superar o Woking, da quinta.
Na campanha passada, em dois de cinco jogos cujo piso foi artificial, a equipe de menor ranking avançou de fase, destacou o “Times”.
Além disso, ao longo das últimas três temporadas, alguns times que são classificados como “fora de ligas” na Inglaterra — que estão da quinta divisão em diante — e usam gramado sintético superaram clubes dos quatro primeiros escalões na Copa da Inglaterra. É o caso de Maidstone United, Tamworth e, mais recentemente, Macclesfield.

Marc White é técnico e proprietário do Dorking Wanderers, da sexta divisão, e o clube também utiliza campo artificial. Ele reconheceu ao falar com o jornal que a superfície está longe do ideal por proporcionar mudanças na forma como um jogo precisa ser conduzido.
O profissional afirmou que lançamentos longos podem causar quiques “imprevisíveis” e, a depender das condições — clima mais seco, por exemplo –, tende a ser difícil para os times mais adeptos ao sistema de “sair jogando”.
— São feitos para movimentos mais lentos no geral. Para futebol de base, é suficiente, mas o grande problema é a velocidade com que os jogadores profissionais se movem. Campos artificiais podem ser niveladores. Qualquer técnico diria que prefere jogar em grama natural — comentou ele.
Por essas e outras, Keith Andrews ressaltou que a preparação do Brentford tem a mesma intensidade que a feita para enfrentar o Arsenal no último dia 12 de fevereiro, pela Premier League. “Não vamos subestimá-los. Não está no nosso DNA fazer isso”, salientou o técnico.
A bola começa a rolar no confronto às 16h30 (de Brasília). O time vitorioso do duelo único vai enfrentar o West Ham nas oitavas de final.



