Futebol inglês

Convocação da Inglaterra: Tuchel tem escolhas discutíveis e ausências que chamam atenção

Tuchel tem tantas opções à disposição que até decisões justificáveis abrem debate antes dos jogos contra Croácia e Espanha

A nova convocação da Inglaterra para enfrentar Croácia e Espanha pela Nations League confirmou a enorme concorrência que Thomas Tuchel tem à disposição. Jobe Bellingham e Josh King receberam a primeira oportunidade na seleção principal, Ben White retornou e algumas ausências importantes, como Cole Palmer e Phil Foden, também chamaram atenção.

Mas, além dos nomes que ganharam ou perderam espaço na hierarquia, algumas decisões permitem outro debate. Há jogadores convocados cuja presença pode ser questionada diante das alternativas disponíveis, enquanto outros ficaram fora mesmo apresentando argumentos esportivos relevantes.

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As três escolhas de Tuchel que podem ser questionadas

A presença de Jason Steele talvez seja a mais curiosa da lista. Aos 36 anos, o goleiro não é titular absoluto do Brighton e dificilmente aparece como uma opção real de médio ou longo prazo para assumir a meta inglesa. Sua importância para Tuchel parece estar ligada também ao ambiente do grupo.

Steele integrou a seleção durante a Copa do Mundo sem entrar em campo, e seu profissionalismo foi valorizado internamente. Ainda assim, manter uma vaga para um goleiro experiente sem perspectiva clara de minutos levanta uma questão: a Inglaterra não poderia aproveitar esses períodos para desenvolver uma opção mais jovem?

Morgan Gibbs-White é um caso bem menos evidente. O meia já demonstrou qualidade suficiente na Premier League para justificar uma convocação, inclusive depois de uma segunda metade de temporada passada muito produtiva pelo Nottingham Forest.

Thomas Tuchel, técnico da seleção inglesa
Thomas Tuchel, técnico da seleção inglesa (Foto: Tiego Grenho / Every Second Media / IMAGO)

O problema está na quantidade de jogadores semelhantes à disposição de Tuchel. Jude Bellingham, Morgan Rogers e Eberechi Eze ocupam zonas próximas, enquanto Josh King chega agora oferecendo também versatilidade pelos lados.

Por isso, a discussão não é exatamente se Gibbs-White tem nível para a seleção, mas se a Inglaterra precisava de mais um jogador com características parecidas em uma lista de apenas 25 nomes.

Dominic Calvert-Lewin oferece algo que a Inglaterra não possui em abundância: experiência como centroavante de Premier League. O jogador do Leeds tem 75 gols na competição e voltou a marcar com frequência nesta temporada. Além disso, já conhece o ambiente da seleção principal e havia recebido uma oportunidade de Tuchel no início do novo ciclo após a Copa.

A dúvida está no planejamento. Aos 29 anos, Calvert-Lewin dificilmente representa uma solução de longo prazo para o período pós-Harry Kane. Sua convocação ganha ainda mais discussão diante da temporada de Will Lankshear no Middlesbrough, embora o jovem tenha sofrido recentemente um problema físico.

As ausências que chamam atenção na seleção da Inglaterra

Kiernan Dewsbury-Hall disputa espaço justamente em um dos setores mais concorridos da seleção. O fato de atuar por um Everton que não produz muito ofensivamente também não favorece sua candidatura, mas o meio-campista tem conseguido se destacar individualmente em partidas recentes.

Nico O'Reilly comemora gol do Manchester City sobre Arsenal (Foto: Imago/Pro Sports Image)
Nico O'Reilly comemora gol do Manchester City sobre Arsenal (Foto: Imago/Pro Sports Image)

Com Eze e Gibbs-White convocados para funções semelhantes, Dewsbury-Hall tem motivos para imaginar o que ainda precisa acrescentar para receber sua primeira oportunidade sob Tuchel.

A ausência de Nico O'Reilly causa estranheza principalmente pelo contexto recente. O jogador de 21 anos atua regularmente por um Manchester City de Champions League e oferece uma versatilidade interessante: pode jogar como lateral-esquerdo ou no meio-campo. O'Reilly também disputou os 90 minutos contra a Espanha no período internacional de setembro antes de deixar o grupo posteriormente por lesão.

Desta vez, Tuchel preferiu Lewis Hall e Djed Spence para as opções pelos lados. O'Reilly ainda tem idade e tempo para recuperar espaço, mas sua ausência mostra como uma posição conquistada em um período internacional pode desaparecer rapidamente. Em março, o jovem havia sido apontado como uma possível solução para o problema da Inglaterra na lateral esquerda.

Will Lankshear talvez seja o nome mais interessante entre os jogadores que ficaram fora. O atacante iniciou a temporada do Championship com 13 gols em seus primeiros 13 jogos de liga pelo Middlesbrough, números que inevitavelmente colocam seu nome no debate sobre o futuro da posição de centroavante da Inglaterra.

Convocar um jogador da segunda divisão representaria uma aposta incomum, mas Lankshear tem apenas 21 anos e um perfil mais alinhado ao próximo ciclo da seleção do que algumas alternativas experientes. Há, porém, uma ressalva importante. O atacante sofreu uma pancada na vitória sobre o Charlton em 31 de outubro e ficou fora do jogo seguinte, contra o Wrexham. Sua condição física pode ter pesado no momento da decisão.

A profundidade do elenco inglês significa que praticamente toda convocação de Tuchel produzirá ausências difíceis de explicar apenas pelo desempenho recente. Neste grupo, algumas escolhas parecem refletir não só forma, mas também confiança, experiência dentro do ambiente da seleção e características específicas procuradas pelo treinador. Croácia e Espanha oferecerão agora outra oportunidade para Tuchel testar essas decisões. Para quem ficou fora, a disputa por março já começou.

Foto de Naim Beneddra

Naim BeneddraColaborador

Descobri o futebol de verdade nos anos 90, embalado pelas façanhas de Romário e Bebeto na Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos. Desde então, o futebol nunca mais saiu do meu cotidiano. Com o tempo, consegui unir essa paixão a outra que sempre me acompanhou: a escrita. Transformar essas duas paixões em profissão é, sem dúvida, uma das maiores conquistas da minha vida.

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