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O City se impõe em Old Trafford e sustenta uma soberania para a história na Premier League

Não há quem pare o Manchester City na Premier League, definitivamente. O time de Pep Guardiola enfrentou seu maior desafio na campanha. Encarava o rival Manchester United, vice-líder da competição, ambicionando encurtar as distâncias e colocar um fim à invencibilidade dos celestes dentro da fortaleza vermelha, Old Trafford. O que se viu, no entanto, foi o líder soberano em campo. Os erros pontuais acabaram sendo decisivos, bem como Ederson se agigantou para garantir o resultado. Ainda assim, os Citizens foram superiores durante grande parte dos 90 minutos e fizeram por merecer o triunfo por 2 a 1, que agora garante uma vantagem de 11 pontos no topo da tabela.

Antes da partida, José Mourinho apostou em um ataque leve, provavelmente pensando em aproveitar os contra-ataques. Enquanto Romelu Lukaku era o homem de referência, havia uma trinca de apoio formada por Marcus Rashford, Jesse Lingard e Anthony Martial. O Manchester City, por sua vez, também vinha com um time leve. A grande novidade era a escolha de Gabriel Jesus para comandar o ataque, com Sergio Agüero permanecendo no banco de reservas.

E o Manchester United não trouxe nenhuma proposta ofensiva para o primeiro tempo, por mais que atuasse em casa. Preferia jogar de maneira mais cautelosa a partir do seu campo de defesa, fechando os espaços, sem dar margens aos adversários. Pouco mantinha a posse de bola, mal se aproximava da área de Ederson. Paulatinamente, os Citizens começaram a encontrar seus espaços, agindo em velocidade e apostando em alguns passes verticais. Conseguiam se infiltrar na linha defensiva dos Red Devils, mas pecavam demais nas finalizações. Algumas até iam em direção à meta de David de Gea. Nada que desse trabalho ao melhor arqueiro da Premier League neste início de temporada.

A movimentação de Jesus, Sterling e Sané no ataque era muito importante, mas não gerava tantas chances reais. Ainda assim, o Manchester City mantinha a calma para trabalhar a bola, até mesmo quando o United pressionava sua saída na defesa. E o esperado gol nasceria nos minutos finais da primeira etapa, aos 43. Primeiro, Sané foi lançado por Fabian Delph e dominou na área, soltando a bomba. Com a ponta dos dedos, De Gea fez uma defesaça e desviou para escanteio. Mas, após a cobrança, Nicolás Otamendi disputou com Lukaku, e a bola sobrou para David Silva. O herói da vitória agonizante contra o West Ham balançou as redes novamente, sem que De Gea pudesse operar qualquer milagre.

A sorte do Manchester United é que, nos acréscimos, o ataque conseguiu achar um gol. Na primeira finalização do time, Ederson defendeu em dois tempos o arremate de Martial. Depois, não teria o que fazer. Após cruzamento da esquerda, o erro defensivo foi duplo, com Otamendi pulando em falso e Delph furando o corte. De frente para o crime, Rashford não perdoou. O resultado era bastante benevolente aos Red Devils, que iam para o intervalo com uma igualdade que só existiu no placar, com o triplo de arremates para o City, que também chegaram a 75% de posse de bola.

Para o segundo tempo, as duas equipes precisaram mexer por lesão. Vincent Kompany e Marcos Rojo saíram, com as entradas de Ilkay Gündogan e Victor Lindelöf. O Manchester City parecia recuar um pouco mais com o deslocamento de Fernandinho para a zaga, em dificuldades para sair da defesa. Contudo, aos oito minutos, outro lance de bola parada retomaria a vantagem aos Citizens. Após cobrança de falta de David Silva, Lukaku carimbou Smalling na hora de afastar o perigo. Assim, a bola sobra limpa para Otamendi, outra vez fuzilando o vendido De Gea.

Com o gol, seria a vez de Guardiola ser cauteloso e rearranjar sua equipe. Substituiu Gabriel Jesus (que apareceu bastante, mas não acertou tantas jogadas) por Eliaquim Mangala. Fernandinho voltaria ao meio, diminuindo o sufoco e também soltando Kevin de Bruyne para controlar a troca de passes. Independentemente do adversário, o United precisava ser mais propositivo e passou a arriscar com uma frequência maior depois dos 20 minutos. Faltava capacidade para abrir a defesa adversária. Enquanto isso, os contra-ataques se tornaram uma alternativa aos visitantes. De Bruyne quase marcou o terceiro em um ataque rápido, batendo de fora da área, para que De Gea espalmasse o chute rasteiro.

Já nos 15 minutos finais, Ederson se colocou como personagem da noite. Mourinho não tinha outra alternativa a não ser partir com tudo ao ataque. Zlatan Ibrahimovic e Juan Mata entraram nos lugares de Lingard e Ander Herrera. Foi quando o goleiro do Manchester City se agigantou. Primeiro, fez uma boa defesa em arrancada de Rashford, que bateu forte, no canto. Por fim, o lance decisivo aconteceu aos 39, de maneira incrível. A bomba de Lukaku explodiu no rosto do arqueiro, em cima da linha. Depois, ele teria coragem para se jogar em direção ao rebote e fechar o ângulo de Mata, pronto para marcar. Aquele foi o último suspiro dos Red Devils. No restante do tempo, prevaleceu a tentativa dos Citizens em gastar o tempo, até com um bocado de cera. Bernardo Silva saiu do banco e poderia ter feito o terceiro nos contra-ataques, mas não aproveitou. De qualquer maneira, os três pontos estavam no bolso.

O Manchester City segue a sua caminhada com autoridade. Depois de algumas vitórias mais difíceis que o esperado, o time de Pep Guardiola não deixou de emendar sua sequência de bons resultados. Possui um aproveitamento absurdo, com 46 pontos conquistados em 48 possíveis. Onze pontos à frente do United, a questão não é mais qual o tamanho do favoritismo dos líderes, mas quando essa fase irrepreensível acabará. E quanto dará para conciliar essa postura arrasadora na exigente Premier League durante a maratona de fim de ano, bem como quando as fases finais das copas começarem. Uma hecatombe precisa acontecer para os Citizens deixarem esta taça escapar. Algo que, nesse momento, não se vislumbra.

Já o Manchester United, que também possui um bom aproveitamento para a média da Premier League, sofre com um adversário que já é histórico. E fica certa cobrança pelos riscos que José Mourinho demorou para assumir, contra um rival sabidamente perigoso no ataque, mas que também possui as suas deficiências atrás. Daria para ter sorte melhor em Old Trafford? Provável, especialmente pela maneira como o time se portou no segundo tempo, pelas defesas de Ederson e pelo jeito como os gols saíram. Porém, mesmo com todos os asteriscos, a atuação superior dos vizinhos é inegável. E isso ruiu os 40 jogos de invencibilidade que se sustentavam no Teatro dos Sonhos.

O próximo desafio do Manchester City? Os livros. Neste domingo, a equipe igualou o melhor início já registrado nos 129 anos do Campeonato Inglês, com as mesmas 15 vitórias e um empate do Tottenham de 1960/61. Se bater o Swansea na próxima quarta, os Citizens conseguem algo que aquele timaço dos Spurs não alcançou. Além disso, será o 15° triunfo consecutivo, algo também inédito, superando o Arsenal de 2002. Neste momento, somente a história consegue se comparar a este City.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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