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Chegamos ao momento em que o dinheiro do Campeonato Chinês balança a elite do futebol

Diego Costa, atualmente, figura entre os melhores centroavantes do mundo. Por aquilo que vem jogando nesta temporada, é o melhor para muita gente. Suas atuações vem sendo vitais para o sucesso do Chelsea, líder isolado da Premier League. E eis que, no momento em que o sergipano parece pronto para viver o melhor ano da carreira, superando seu 2013/14 pelo Atlético de Madrid, surge o risco de tudo desabar em Stamford Bridge. Na mesma semana em que recebeu uma proposta multimilionária do futebol chinês, pronta para torná-lo o segundo jogador mais bem pago do planeta, o artilheiro entrou em rota de colisão com a comissão técnica dos Blues.

Por enquanto, há muitos rumores sobre o imbróglio ocorrido nesta sexta. Fato é que Diego Costa acabou cortado da viagem para enfrentar o Leicester, no sábado, pela Premier League. Segundo o jornal The Guardian, um dos mais respeitados do Reino Unido, “o atrito envolve a massiva oferta de um clube da China”. Além disso, ele discutiu com um dos preparadores físicos, sobre uma lesão não cuidada da melhor maneira. Antonio Conte também teria se envolvido no bate-boca.

Já a Sky Sports, outro veículo de credibilidade no país, aponta que Diego Costa não treinou nos últimos três dias, desde que recebeu a proposta chinesa. O atacante teria ficado mexido diante dos valores apresentados no contrato, ganhando para si £30 milhões por ano. O montante é cerca de 50% maior do que o pago a Oscar, contratado pelo Shanghai SIPG como o maior salário do mundo – e que, dias depois, foi superado por Tevez, faturando aproximadamente £32 milhões por ano.

O Guardian também aponta que a intenção do Chelsea é manter o jogador, diante da oferta que recebeu pela venda. Diego Costa possui contrato com o clube até junho de 2019. E a diferença que o atacante faz na Premier League é evidente: são 14 gols e cinco assistências em 19 partidas, participando diretamente de 45% dos tentos anotados pelos Blues. Se a equipe quer recuperar a taça, não faz mesmo sentido perder o seu principal jogador até aqui.

A proposta a Diego Costa, sobretudo, parece romper uma barreira no futebol. Até o momento, o futebol chinês tinha contratado apenas de astros fora dos holofotes – na reserva de seus times ou em ligas secundárias. Ainda não havia ameaçado a elite do futebol europeu. E é um tanto quanto emblemático que possa acontecer justamente com o líder da Premier League, o campeonato mais rico do mundo. Justamente com o Chelsea, que gastou £1,24 bilhões em contratações desde a chegada de Roman Abramovich em 2003/04, mais do que qualquer outro clube.

Vai ser interessante acompanhar o desenrolar desta novela, independente de seu desfecho. Diego Costa vivia em uma fase mais centrada do que de costume. E o ambiente do Chelsea, que vinha sendo ótimo, tende a ficar conturbado, ao menos em relação ao seu centroavante. Se decidir permanecer (e, por enquanto, nada além de rumores indica que ele vá sair), o sergipano precisará deixar de lado o desentendimento para seguir em frente com a equipe na busca pelo título. Mas, se desejar se transferir diante do valor suntuoso, pode criar um marco no futebol: o momento em que um dos destaques da principal liga do mundo abriu mão do sucesso pelos milhões do futebol chinês. Quem perde? Provavelmente não será apenas o Chelsea.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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