Futebol inglês

O alerta a Bruno Fernandes no Manchester United e o que isso tem a ver com Andrey Santos

Capitão acumula mais de 16 mil minutos de Premier League desde 2021/22 e segue recebendo enorme carga física; brasileiro pode ajudar a redistribuir funções no meio

Bruno Fernandes voltou ao centro das discussões no Manchester United depois da pesada goleada por 4 a 1 para o Como, pela Champions League. O português questionou a forma como a equipe pressionou o adversário e acabou entrando em rota de colisão pública com Michael Carrick. Mas o problema pode ser mais profundo do que uma divergência entre capitão e treinador.

Aos 32 anos, Bruno Fernandes continua sendo utilizado como se pudesse acumular criação, pressão, cobertura de espaços e chegada ao ataque com a mesma intensidade de temporadas anteriores. Os números mostram um jogador submetido a uma carga física enorme durante anos, e a queda recente de produção pode indicar que Carrick precisa alterar sua função para recuperar o melhor de seu capitão.

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Bruno Fernandes pode estar pagando pelo excesso de minutos no United

Segundo o “Stats Muse”, Bruno Fernandes soma 16.256 minutos na Premier League desde a temporada 2021/22. Entre jogadores de linha ainda em atividade, apenas os zagueiros James Tarkowski e Virgil van Dijk aparecem à frente.

A comparação com outros meio-campistas chama atenção. Declan Rice está pouco atrás, mas Alex Iwobi, o próximo jogador da posição na lista, soma 13.729 minutos. A diferença para Bruno Fernandes é de 2.527 minutos, aproximadamente 28 partidas completas.

O português também ultrapassou a marca de 3 mil minutos em cada uma das últimas seis temporadas de Premier League. Sob Carrick, na reta final de 2025/26, disputou os 90 minutos de todos os 17 jogos do treinador no campeonato.

E não se trata apenas de permanecer em campo. Dados do “FotMob” apontam que Bruno Fernandes realizou 366 sprints na última Premier League, sexto maior número entre meias ofensivos, e percorreu 383,2 km. Nesse último quesito, terminou atrás apenas de Morgan Rogers e Enzo Fernández entre jogadores de sua posição.

Todo esse esforço veio em uma temporada na qual Bruno Fernandes produziu 30 participações em gols e foi eleito o melhor jogador da Premier League. O rendimento justificava a dependência. O problema é esperar que essa exigência física possa ser mantida indefinidamente.

Bruno Fernandes se lamenta durante clássico de Manchester
Bruno Fernandes se lamenta durante clássico de Manchester (Foto: Dave Shopland / IMAGO)

Carrick continua colocando Bruno em funções de alto desgaste

Contra o Como, Bruno atuou como falso 9 em uma estrutura de pressão que não funcionou. Em diferentes momentos, precisou perseguir a circulação italiana sem conseguir realmente incomodar a saída de bola.

Após o jogo, o próprio capitão explicou que a opção por não pressionar homem a homem havia partido da comissão técnica e defendeu uma postura mais agressiva para reduzir o tempo e o espaço concedidos ao adversário.

O episódio expôs um problema maior. Carrick também utilizou Bruno Fernandes pela esquerda contra o Leeds, enquanto o português chega ao duelo com o Bournemouth depois de cinco partidas consecutivas de Premier League sem gol ou assistência.

O United possui velocidade na frente com jogadores como Marcus Rashford, Amad Diallo, Bryan Mbeumo e Matheus Cunha. Isso reduz a necessidade de transformar Bruno em uma peça responsável por liderar constantemente a primeira linha de pressão.

O cenário também ajuda a explicar por que sua associação com Youri Tielemans pode apresentar limitações, apesar de o belga ter sido contratado justamente com a expectativa de desafogar Bruno Fernandes. Não se trata de falta de esforço. Os dois registram números semelhantes de sprints por partida, mas nenhum deles possui hoje a explosão necessária para sustentar sozinho um meio-campo que precisa pressionar em alta intensidade.

Andrey Santos pelo Manchester United. Foto: IMAGO / Sportimage

Andrey Santos pode liberar Bruno Fernandes para fazer o que sabe melhor no United

Uma alternativa seria recuar Bruno Fernandes em um meio de três, dando ao capitão mais liberdade para receber a bola, organizar o jogo e escolher quando avançar.

Carlos Baleba poderia ocupar uma das vagas, enquanto Andrey Santos e Kobbie Mainoo aparecem como opções para aumentar a capacidade física e defensiva ao redor do português.

É nesse ponto que Andrey pode ganhar importância. Durante sua passagem pelo Strasbourg em 2024/25, o brasileiro esteve entre os cinco melhores jogadores da equipe em ações combinadas de desarme e interceptação, características que podem ser úteis para um United que sofre para recuperar a bola de maneira coordenada.

Andrey Santos não precisaria assumir a função criativa de Bruno. A lógica seria justamente o contrário: permitir que o brasileiro participe mais da pressão, das coberturas e das disputas no meio para diminuir a quantidade de tarefas defensivas impostas ao capitão.

Mainoo também pode cumprir esse papel, mas o perfil de Andrey, cuja evolução defensiva e versatilidade já haviam sido destacadas em sua chegada ao Manchester United, oferece a Carrick uma alternativa que ainda foi pouco explorada. Sua capacidade de atacar espaços e participar das recuperações pode trazer um equilíbrio diferente ao setor.

Isso não resolveria sozinho todos os problemas do Manchester United. Carrick continua lidando com falhas coletivas de pressão, dificuldades defensivas e um início de temporada que já colocou seu emprego sob forte pressão.

Mas a utilização de Bruno Fernandes está diretamente sob responsabilidade do treinador. Depois de anos dependendo do português para quase tudo, o United talvez precise fazer o movimento inverso: pedir menos para receber mais.

Se Carrick pretende manter Bruno Fernandes como principal referência técnica da equipe, redistribuir seu desgaste físico pode ser uma das mudanças mais importantes. E Andrey Santos, justamente por oferecer características diferentes das do capitão, pode ser uma das peças capazes de tornar essa transição possível.

Foto de Naim Beneddra

Naim BeneddraColaborador

Descobri o futebol de verdade nos anos 90, embalado pelas façanhas de Romário e Bebeto na Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos. Desde então, o futebol nunca mais saiu do meu cotidiano. Com o tempo, consegui unir essa paixão a outra que sempre me acompanhou: a escrita. Transformar essas duas paixões em profissão é, sem dúvida, uma das maiores conquistas da minha vida.

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