O que venda de parte do Liverpool a Jeff Bezos por R$ 30 bilhões pode indicar sobre futuro do clube
Imprensa inglesa diz que negociação deve ser anunciada nesta semana
Um consórcio que inclui o magnata Jeff Bezos, fundador da Amazon, e o brasileiro Eduardo Saverin, cofundador do Facebook, está prestes a selar acordo para adquirir fatia do Liverpool. A transação pode garantir ao grupo de investidores participação superior a 30%, de acordo com informações da “Sky Sports”.
O Liverpool é de propriedade da Fenway Sports Group (FSG) desde 2010, e a possível aplicação avaliaria o clube inglês em 6 bilhões de dólares (R$ 30,5 bilhões), de modo a colocá-lo no patamar de um dos negócios mais valiosos do esporte. Porém, a motivação pode não ser apenas financeira.
Contratações da Premier League 2026/27: Veja rumores e o vai e vem do mercado
A FSG abriu a possibilidade de venda do clube a investidores externos em 2022. A mensagem na época foi de que poderia negociar com acionistas minoritários ou até a venda total — o que não se concretizou. Entrou em cena no ano seguinte a companhia de investimentos esportivos Dynasty Equity, que comprou 3% em acordo avaliado entre 82 e 164 milhões de libras.
Era um período pós-pandemia da Covid-19 e os valores colaboraram com o equilíbrio de receitas perdidas durante a crise sanitária, além de terem sido usados para liquidar dívidas acumuladas de reformas em Anfield e no centro de treinamento, segundo a “BBC Sport”.
O panorama agora é outro. O relatório “Deloitte Football Money League” de janeiro de 2026 mostrou solidez financeira do Liverpool, que alcançou receita de 836 milhões de euros. Esportivamente as coisas também caminham bem, com grandes investimentos em contratações estreladas e nove títulos desde a temporada 2018/19.
Potencial venda de 30% do Liverpool abre discussões sobre futuro do clube
As recentes negociações, portanto, podem indicar mudanças no Liverpool no futuro. O consórcio em questão é liderado por Amit Bhatia, empresário britânico-indiano que é genro do bilionário da indústria de aço Lakshmi Mittal.
Bathia não é alheio ao futebol, pelo contrário. Foi diretor e coproprietário do Queens Park Rangers por 18 anos. Ele renunciou ao cargo no conselho e deixou o clube da Championship em julho de 2026, pouco antes de a FSG confirmar à “BBC Sport” que um consórcio liderado por ele tinha interesse em realizar “investimento minoritário estratégico” no Liverpool.
/https%3A%2F%2Fmedia.trivela.com.br%2Fmain%2F2026%2F07%2Fimago1036476929-scaled.jpg)
Já Bezos nunca teve envolvimento concreto na área de esportes. Dono da quarta maior fortuna do mundo segundo a “Forbes” (280,6 bilhões de dólares), o norte-americano ainda mantém 8% de participação na Amazon e também é dono do jornal “The Washington Post” e da empresa de tecnologia espacial Blue Origin, mas não chegou a firmar acordos de compras de instituições esportivas.
Em 2023, foi associado a uma potencial compra da franquia de futebol americano Washington Commanders, da NFL, depois que Daniel Snyder a colocou à venda. Houve ainda a chance de comprar o Seattle Seahawks, mas nenhuma das transações evoluiu.
Eduardo Saverin já esteve em consórcio que tentou — sem sucesso — comprar o Chelsea em 2022 e tem fortuna estimada em 33 bilhões de dólares (“Forbes”). O montante de Mittal, por sua vez, é de 31,1 bilhões de dólares. São nomes já consolidados no cenário mundial com potencial de investir alto nos Reds.
— Investimento de 30% significa que você gastou muito para não ter voz ativa, principalmente se você agora também é responsável por parte dos custos futuros. A menos, é claro, que 30% seja apenas o trampolim para o controle total — algo que já vimos acontecer em outros lugares — analisou o jornalista Matt Slater, do “The Athletic”.
A ideia de que a FSG esteja em fase de “preparar o terreno” para venda total também é cogitada por Adam Patel, da “BBC Sport”. A empresa norte-americana adquiriu o clube em forte crise financeira em 2010 por 300 milhões de libras e poderia sair do controle ao considerar que a instituição já atingiu o auge financeiramente e esportivamente, na opinião do jornalista.
/https%3A%2F%2Fmedia.trivela.com.br%2Fmain%2F2026%2F07%2Fimago9531920-scaled-e1784661331874.jpg)
Esse tipo de movimentação seria semelhante à feita no caso da equipe de hóquei Pittsburgh Penguins. A franquia foi adquirida pela FSG por 900 milhões de dólares em 2021 e vendida cinco anos depois por 1,7 bilhão de dólares, conforme noticiou o “The Athletic”.
Apesar disso, segundo o jornal, a FSG não pretende abrir mão de estar no controle do Liverpool por ora. Outro fator que pode contribuir para mantê-los no poder é a crescente expansão do interesse por futebol a nível global.
A acionista majoritária não comentou publicamente detalhes do possível acordo, mas o negócio deve ser anunciado nesta semana, conforme informou a “Sky Sports”.