InglaterraPremier League

Balanço da EPL – pt. II

Depois da primeira parte do balanço da temporada do Campeonato Inglês, concluímos nesta semana a análise dos clubes, com aqueles que ficaram da 1ª à 10ª colocação na tabela. Relembre os melhores momentos dos últimos meses, como a conquista do Manchester City, a campanha surpreendente do Chelsea na LC, as goleadas do Manchester United, as atuações do Arsenal ou a ascensão do Newcastle. E também as passagens não tão felizes assim – boa parte deles protagonizadas pelo Liverpool. Aproveite:

WEST BROMWICH
Colocação final:
10º
Campanha: 47P 13V 8E 17D 45GP 52GC (Ap. 36,8% em casa e 45,6% fora)
Maior vitória: Wolverhampton 1×5
Maior derrota: Manchester City 4×0
Melhor e pior colocação no ano: 9º (18ª rodada) e 20º (quinta rodada)
Técnico: Roy Hodgson
Principal jogador: Chris Brunt, meio-campista
Decepção: Zoltán Gera, meio-campista
Artilheiro: Peter Odemwingie, com dez gols
Melhor passador: Chris Brunt, com oito assistências
Transferências (em milhões de euros): 9 em compras e 5,2 em vendas
Copas nacionais: quarta fase da FA Cup e terceira fase da League Cup
Competição continental: não disputou
Nota da temporada: 6

Assim como aconteceu nos primeiros meses de comando de Roy Hodgson, o West Bromwich conseguiu fechar o campeonato no meio da tabela e rechaçou o rótulo de candidato à Championship. O início da campanha do time não foi tão bom assim, com apenas uma vitória em sete rodadas e a ameaça clara de rebaixamento. No entanto, os Baggies recuperaram o padrão de jogo apresentado no final da temporada passada, apostando no conjunto.  Sem passar por grandes oscilações, a equipe protagonizou uma ligeira escalada na reta final e registrou vitórias marcantes, como diante de Chelsea e Liverpool.

Sem gastar muito, o clube conseguiu se reforçar bem durante a janela de transferências, com o goleiro Ben Forster e o atacante Shane Long correspondendo em campo. Variando entre o 4-2-2-2 e o 4-2-3-1, o West Brom apresentou suas maiores virtudes no meio de campo, organizado pelo capitão Chris Brunt. Ao seu lado, James Morrison também teve excelente desempenho na cadência. Mais à frente, Peter Odemwingie foi menos decisivo que em sua primeira temporada no estádio The Hawthorns, mas ainda assim marcou gols importantes para estabilizar o time na tabela e referendar o trabalho de Hodgson para o English Team.

FULHAM
Colocação final:

Campanha: 52P 14V 10E 14D 48GP 51GC (Ap. 61,4% em casa e 29,8% fora)
Maior vitória: 6×0 Queens Park Rangers
Maior derrota: 0x5 Manchester United
Melhor e pior colocação no ano: 8º (por duas rodadas) e 18º (por duas rodadas)
Técnico: Martin Jol
Principal jogador: Clint Dempsey, atacante
Decepção: Bryan Ruiz, atacante
Artilheiro: Clint Dempsey, com 17 gols
Melhor passador: Clint Dempsey e Bobby Zamora, com sete assistências
Transferências (em milhões de euros): 17,5 em compras e 7,6 em vendas
Copas nacionais: quarta fase da FA Cup e terceira fase da League Cup
Competição continental: fase de grupos da Liga Europa
Nota da temporada: 6

Estabelecido no pelotão intermediário do Campeonato Inglês, o Fulham registrou mais uma campanha sem grandes sustos, embora também distante de dar um passo à frente. Disputando a Liga Europa desde as primeiras fases preliminares, o time demorou sete rodadas até vencer seu primeiro jogo na EPL, mas conseguiu apresentar uma melhora posteriormente. Vitórias contundentes sobre Arsenal, Newcastle e Liverpool também ajudaram a demonstrar o poderio da equipe em Craven Cottage, onde o ataque teve boa produção. A classificação para a segunda fase da Liga Europa não veio, o que ajudou os londrinos a concentrar forças no segundo turno.

Em sua temporada de estreia, Martin Jol manteve o padrão de jogo de outros tempos, ainda que tenha mudado o esquema tático para o 4-2-3-1. Clint Dempsey sobrou com os Cottagers e, apontado como um dos melhores jogadores do campeonato, dificilmente segue no clube. Outro nome assediado é o de Moussa Dembelé, que combinou predicados ofensivos e defensivos no centro do campo, ao lado do capitão Danny Murphy. E, mesmo com a venda de Bobby Zamora, as contratações de Pavel Pogrebnyak e Mahamadou Diarra no meio da competição se encaixaram perfeitamente às necessidades, assim como tinha ocorrido com Zdenek Grygera e John Arne Riise na pré-temporada.

LIVERPOOL
Colocação final:
8º (classificado para a Liga Europa)
Campanha: 52P 14V 10E 14D 47GP 49GC (Ap. 47,3% em casa e 43,8% fora)
Maior vitória: 4×1 Chelsea
Maior derrota: Tottenham 0x4
Melhor e pior colocação no ano: 3º (terceira rodada) e 9º (por duas rodadas)
Técnico: Kenny Dalglish
Principal jogador: Luis Suárez, atacante
Decepção: Stewart Downing, meio-campista
Artilheiro: Luis Suárez, com 11 gols
Melhor passador: Charlie Adam, com dez assistências
Transferências (em milhões de euros): 63,4 em compras e 22,9 em vendas
Copas nacionais: vice-campeão da FA Cup e campeão da League Cup
Competição continental: não disputou
Nota da temporada: 4

Depois de um reinício promissor, Kenny Dalglish tinha elementos suficientes para alcançar um resultado consistente em sua primeira temporada completa no Liverpool. Foram mais de 63 milhões de euros gastos pelo clube em novos contratados e apenas Raúl Meireles saiu, entre aqueles com lugar cativo no 11 inicial. Dinheiro praticamente todo jogado fora, juntamente com o projeto inicial implementado por John W. Henry. Mesmo sem ter que se preocupar com torneios continentais, os Reds não pegaram o embalo no campeonato inglês e, com seus piores números em 20 anos de Premier League, só salvaram a temporada de um desastre maior por causa da coquista da Copa da Liga Inglesa e do vice-campeonato na Copa da Inglaterra.

As dificuldades de Dalglish em encontrar soluções para a inoperância do meio de campo e do ataque ficaram em evidência principalmente em Anfield Road, onde o Liverpool pecou pelo excesso de empates e o baixo número de gols, chegando a somar cinco derrotas seguidas. Inegavelmente, as lesões de Steven Gerrard, Lucas Leiva e Glen Johnson prejudicaram o time, assim como a suspensão de Luis Suárez, principal destaque do time, após caso de racismo com Evra. Já os prodígios lançados pelo técnico na temporada passada estiveram longe de cumprir a curva ascendente projetada. Porém, nada supera as frustrações com Jordan Henderson e Stewart Downing, caros e nulos. Charlie Adam foi o melhor dos contratados, mas não fez nada de excepcional.

EVERTON
Colocação final:

Campanha: 56P 15V 11E 12D 50GP 40GC (Ap. 57,9% em casa e 40,3% fora)
Maior vitória: 4×0 Fulham e 4×0 Sunderland
Maior derrota: Liverpool 3×0
Melhor e pior colocação no ano: 7º (por oito rodadas) e 20º (segunda rodada)
Técnico: David Moyes
Principal jogador: Leighton Baines, defensor
Decepção: Diniyar Bilyaletdinov, meio-campista
Artilheiro: Nikica Jelavic, com nove gols
Melhor passador: Steven Pienaar, com sete assistências
Transferências (em milhões de euros): 7,2 em compras e 26,8 em vendas
Copas nacionais: semifinal da FA Cup e oitavas de final da League Cup
Competição continental: não disputou
Nota da temporada: 7

Se tivesse jogado no primeiro turno tudo o que apresentou a partir de 2012, certamente o Everton brigaria por uma vaga na Liga Europa. Com uma tabela especialmente difícil entre a sexta e a 11ª rodada, a equipe de David Moyes chegou a rondar a zona de rebaixamento ao fim deste período. A redenção começou a ser desenhada no fim do primeiro turno e ganhou impulso após janeiro. A partir da 20ª rodada, foram apenas duas derrotas em 18 jogos, além de atuações brilhantes, como no empate por 4 a 4 com o Manchester United. Fazendo valer o apoio da torcida em Goodison Park, o clube teve bom aproveitamento em casa, muito por conta da solidez defensiva.

Entre os motivos que explicam a guinada dos Toffees está o sucesso absoluto durante a janela de transferências de inverno. Landon Donovan e Darron Gibson fizeram boas partidas, assim como Nikica Jelavic e Steven Pienaar, que tomaram para si o protagonismo no ataque. Em especial, o croata emendou excelente sequência a partir de março, quando se tornou titular. Foram nove gols em dez jogos, certificando o oportunismo do atacante. Já entre os mais antigos, o entrosamento da linha defensiva pesou a favor dos resultados, assim como o papel de Marouane Fellaini na cabeça de área. Não por menos Leighton Baines, Phil Jagielka e John Heitinga disputarão a Euro.

CHELSEA
Colocação final: 6º (classificado para a Liga dos Campeões)
Campanha: 64P 18V 10E 10D 65GP 46GC (Ap. 68,4% em casa e 43,8% fora)
Maior vitória: 6×1 Queens Park Rangers
Maior derrota: Liverpool 4×1
Melhor e pior colocação no ano: 3º (por seis rodadas) e 13º (primeira rodada)
Técnico: André Villas-Boas e, a partir de março, Roberto Di Matteo
Principal jogador: Juan Mata, meio-campista
Decepção: Romelu Lukaku, atacante
Artilheiro: Frank Lampard e Daniel Sturridge, com 11 gols
Melhor passador: Juan Mata, com 13 assistências
Transferências (em milhões de euros): 102,1 em compras e 30,8 em vendas
Copas nacionais: campeão da FA Cup e quartas de final da League Cup
Competição continental: campeão da Liga dos Campeões
Nota da temporada: 9

Um jogo e aquela que prometia ser a pior temporada da era Roman Abramovich se tornou a melhor da história do Chelsea. É verdade que o título da Liga dos Campeões não veio apenas por conta da decisão em Munique, mas foi graças à vitória sobre o Bayern que os Blues apagaram o desempenho não mais que regular na Premier League. Apesar das grandes expectativas, André Villas-Boas não conseguiu dar consistência ao time e acabou derrubado pelos senadores em março, fora do Top Four na liga e virtualmente eliminado pelo Napoli na LC. Só então Di Matteo chegou, solucionando uma fragilidade defensiva que parecia crônica e explorando o potencial dos veteranos. A situação na EPL não melhorou, mas o clube conquistou os títulos da Copa da Inglaterra e da Champions.

A mudança tática para o esquema 4-2-3-1 também proporcionou uma transformação no estilo de jogo. Foi-se o pedido persistente de AVB pela posse, dando espaço à objetividade e ao empenho defensivo. Ramires e Fernando Torres evoluíram com Di Matteo, enquanto Ashley Cole e Lampard recuperaram o brilho de outrora. Entretanto, os maiores beneficiados foram Drogba e Cech, protagonistas dos feitos do Camp Nou e da Allianz Arena.  E, ainda que a recuperação dos antigos tenha dado certo, a glória veio a custo alto. Mesmo abaixo de outras megalomanias já feitas por Abramovich, os gastos com transferências nesta temporada foram os maiores do futebol inglês. Ao menos o bom início de Cahill, Meireles e, principalmente, Juan Mata, os credenciam como peças-chave na nova era que há de vir em Stamford Bridge.

NEWCASTLE
Colocação final:
5º (classificado para a Liga Europa)
Campanha: 65P 19V 8E 11D 56GP 51GC (Ap. 66,7% em casa e 47,3% fora)
Maior vitória: 3×0 Manchester United e 3×0 Stoke City
Maior derrota: Tottenham 5×0
Melhor e pior colocação no ano: 3º (por duas rodadas) e 14º (primeira rodada)
Técnico: Alan Pardew
Principal jogador: Papiss Cissé, atacante
Decepção: Gabriel Obertan, meio-campista
Artilheiro: Demba Ba, com 16 gols
Melhor passador: Yohan Cabaye, com oito assistências
Transferências (em milhões de euros): 26,2 em compras e 16,1 em vendas
Copas nacionais: quarta fase da FA Cup e oitavas de final da League Cup
Competição continental: não disputou
Nota da temporada: 9

De candidato à posições medianas na classificação, o Newcastle alcançou um desempenho surpreendente graças à grande capacidade demonstrada no mercado de transferências. Questionado durante sua chegada ao clube, no final de 2010, Alan Pardew se mostrou o melhor negociador da Inglaterra e, merecidamente, foi eleito o treinador do ano pela Premier League. Mais que a capacidade de recrutar talentos, porém, o comandante demonstrou diversas outras qualidades na montagem da equipe. O encaixe correto das peças ajudou o time a permanecer invicto nas 11 primeiras rodadas do torneio. E, quando o clube parecia perder forças, Pardew foi capaz de remodelar o sistema tático, resultando em nova guinada na tabela e, por pouco, quase conquistando a vaga Liga dos Campeões.

Remanescentes de outros períodos, Tim Krul, Fabricio Coloccini e Cheik Tioté mantiveram a regularidade do sistema defensivo, especialmente dentro do St. James Park. Não à toa, estiveram entre os melhores de suas posições. No meio de campo, Yohan Cabaye apresentou grande capacidade de organização. Mais à frente, Hatem Ben Arfa adicionou velocidade ao time, entrosado com Demba Ba, insaciável no primeiro turno. E, quando o senegalês perdeu a fome de gols, os Magpies foram buscar na Alemanha Papiss Cissé, capaz de balançar as redes tantas vezes quanto de fazer jogadas impressionantes, exemplificado pelo que aconteceu contra o Chelsea em maio. Se mantiver o elenco, os Magpies serão candidato às competições europeias novamente.

TOTTENHAM
Colocação final:
4º (classificado para a Liga Europa)
Campanha: 69P 20V 9E 9D 48GP 51GC (Ap. 73,7% em casa e 47,3% fora)
Maior vitória: 5×0 Newcastle
Maior derrota: 1×5 Manchester United
Melhor e pior colocação no ano: 2º (por duas rodadas) e 12º (terceira rodada)
Técnico: Harry Redknapp
Principal jogador: Scott Parker, meio-campista
Decepção: Aaron Lennon, atacante
Artilheiro: Emmanuel Adebayor, com 17 gols
Melhor passador: Gareth Bale, com 14 assistências
Transferências (em milhões de euros): 8,5 em compras e 41,7 em vendas
Copas nacionais: semifinal da FA Cup e terceira fase da League Cup
Competição continental: fase de grupos da Liga Europa
Nota da temporada: 7

O Tottenham definitivamente se firmou entre os postulantes às vagas na Liga dos Campeões. Entretanto, assim como já havia acontecido na temporada passada, a perda de ritmo entre o primeiro e o segundo turno relegou o clube à Liga Europa – ainda que a conquista do Chelsea em Munique tenha sido um imprevisto preponderante para a frustração. Depois de duas derrotas em seus dois primeiros jogos, os Spurs emendaram dez vitórias em 11 jogos e esboçaram até mesmo brigar pelo título. Mas a inconstância do time fora de White Hart Lane custou caro, especialmente quando a badalação sobre Harry Redknapp, cotado para assumir o comando da seleção inglesa, aumentou. Por fim, o treinador terá que se reinventar em Londres por mais um ano, e desta vez sem os milhões da LC.

O elenco inegavelmente melhorou no início da temporada: sem perder jogadores essenciais, os londrinos ainda trouxeram reforços pontuais. Scott Parker esteve longe de parecer um estreante no meio de campo, acumulando atuações notáveis. Além dele, Brad Friedel superou as desconfianças, salvando um time que teve que conviver com os desfalques defensivos durante todo o tempo, enquanto Adebayor foi a referência que faltava no ataque. E Kyle Walker surgiu como grata revelação na lateral. Dos mais antigos, Gareth Bale, Rafael van der Vaart e Luka Modric seguiram como motores da equipe, embora tenham falhado em alguns momentos decisivos – muito por conta de invencionices de Redknapp.

ARSENAL
Colocação final:
3º (classificado para a Liga dos Campeões)
Campanha: 70P 21V 7E 10D 74GP 49GC (Ap. 70,2% em casa e 52,6% fora)
Maior vitória: 7×1 Blackburn
Maior derrota: Manchester United 8×2
Melhor e pior colocação no ano: 3º (por dez rodadas) e 18º (terceira rodada)
Técnico: Arsène Wenger
Principal jogador: Robin van Persie, atacante
Decepção: Gervinho, atacante
Artilheiro: Robin van Persie, com 30 gols
Melhor passador: Robin van Persie, com 14 assistências
Transferências (em milhões de euros): 64,8 em compras e 78,3 em vendas
Copas nacionais: oitavas da FA Cup e quartas de final da League Cup
Competição continental: oitavas de final da Liga dos Campeões
Nota da temporada: 7

É impossível falar sobre o desempenho do Arsenal nesta temporada sem colocar Robin van Persie como fator essencial. Se não fizeram campanhas brilhantes, os Gunners ao menos se garantiram por mais um ano na Liga dos Campeões, graças à grande forma do atacante. Livre das lesões que o assombraram durante boa parte da carreira, o holandês assumiu as responsabilidades diante das saídas de Cesc Fàbregas e Samir Nasri, disputando das 38 rodadas da EPL e participando de 59,5% dos gols de sua equipe – e na LC, quase liderou uma virada que parecia inimaginável contra o Milan. Um alívio para Arsène Wenger, que resolveu abrir os bolsos desta vez durante a janela de contratações, mas, exceção feita a Arteta e Oxlade-Chamberlain, não trouxe grandes acréscimos com a maioria dos novatos.

As perspectivas pareciam as piores possíveis depois das três primeiras rodadas, com os londrinos figurando na zona de rebaixamento após a acachapante derrota por 8 a 2 contra o Manchester United. A situação só se clarearia a partir da oitava rodada, com sete triunfos em oito jogos e o ingresso no Top Four, aonde conseguiu permanecer mesmo com os tropeços excessivos nas rodadas finais. O ataque conseguiu manter os bons números dentro e fora do Emirates Stadium, embora a defesa tenha sofrido quase o dobro de gols como visitante. E, além de van Persie, outros jogadores apresentaram evolução, como Laurent Koscielny, Thomas Vermaelen e Alex Song, enquanto Thomas Rosicky recuperou no segundo turno o futebol que já parecia perdido no passado.

MANCHESTER UNITED
Colocação final:
2º (classificado para a Liga dos Campeões)
Campanha: 89P 28V 5E 5D 89GP 33GC (Ap. 82,6% em casa e 73,7% fora)
Maior vitória: 8×2 Arsenal
Maior derrota: 1×6 Manchester City
Melhor e pior colocação no ano: 1º (por treze rodadas) e 5º (primeira rodada)
Técnico: Alex Ferguson
Principal jogador: Wayne Rooney, atacante
Decepção: Chris Smalling, defensor
Artilheiro: Wayne Rooney, com 27 gols
Melhor passador: Antonio Valencia, com 14 assistências
Transferências (em milhões de euros): 57,3 em compras e 15,5 em vendas
Copas nacionais: quarta fase da FA Cup e oitavas de final da League Cup
Competição continental: fase de grupos da LC e oitavas de final da LE
Nota da temporada: 8

A perda da hegemonia diante do Man City obviamente foi sentida pelo Manchester United, mesmo que as perspectivas parecessem piores por alguns momentos. Depois de um bom início na competição, incluindo o massacre sobre o Arsenal, os Red Devils receberam um choque de realidade justamente no clássico. A vitória por 6 a 1 dos Citizens foi exagerada, mas importante demarcar a nova fase do confronto. A falta de forças na perseguição aos rivais, combinada à eliminação precoce na Champions, parecia determinar a derrocada do clube. Todavia, Alex Ferguson soube recuperar a motivação a partir de janeiro, chegando à liderança após a 28ª rodada. Não fossem os deslizes na reta final – ou o saldo de gols prejudicado pelo primeiro dérbi – e a taça estaria hoje em Old Trafford.

A aposta em uma base jovem, que parecia dar certo em um primeiro momento, não teve a evolução esperada. O único dos garotos a terminar a temporada em alta foi justamente David De Gea, o mais criticado no final de início. E, na contramão deste processo de renovação, o retorno de Paul Scholes, que deixou a aposentadoria, marcou uma mudança de atitude da equipe. O veterano foi um dos protagonistas do United, ao lado de Ashley Young e Antonio Valencia. Porém, a estrela da companhia ainda é Wayne Rooney, que passou por um por um momento apagado durante o primeiro turno, mas registrou média de um gol por jogo a partir de fevereiro, impulsionando a reação do clube. Já a defesa, apesar de sentir a perda de Nemanja Vidic, viu Jonathan Evans surpreender positivamente na ausência do capitão.

MANCHESTER CITY
Colocação final:
1º (classificado para a Liga dos Campeões)
Campanha: 89P 28V 5E 5D 93GP 29GC (Ap. 96,4% em casa e 59,6% fora)
Maior vitória: Manchester United 1×6 e Norwich 1×6
Maior derrota: Chelsea 1×2
Melhor e pior colocação no ano: 1º (por 25 rodadas) e 2º (por 13 rodadas)
Técnico: Roberto Mancini
Principal jogador: Yaya Touré, meio-campista
Decepção: Stefan Savic, defensor
Artilheiro: Sergio Agüero, com 23 gols
Melhor passador: David Silva, com 17 assistências
Transferências (em milhões de euros): 94,8 em compras e 27,4 em vendas
Copas nacionais: terceira fase da FA Cup e semifinal da League Cup
Competição continental: fase de grupos da LC e oitavas de final da LE
Nota da temporada: 9

As afirmações de que o Manchester City tinha “obrigação” de conquistar a Premier League pode até fazer algum sentido, mas não apaga o feito notável. Sem sair das duas primeiras posições em nenhum momento, o favoritismo se escancarou com o atropelo em Old Trafford, em conjunto com a invencibilidade nas primeiras 15 rodadas. A equipe de Roberto Mancini só começou a demonstrar sinais de fraqueza na virada do ano, quando o ataque, até então irresistível, passou a se satisfazer com pouco. A perda da liderança só se consumaria na 28ª rodada, pouco antes do United abrir oito pontos de vantagem. A guinada, enfim, veio com seis vitórias nos últimos seis jogos e, sobretudo, com os dois gols nos acréscimos contra o Queens Park Rangers, que levaram a equipe do desastre à glória. O heroísmo final ajuda até mesmo a minimizar a derrocada na primeira fase na Liga dos Campeões – próximo passo para a afirmação do sheikh Mansour no futebol.

Com a conquista garantida apenas no saldo de gols, a importância do Etihad Stadium é evidente. Dentro de casa, os Citizens perderam apenas dois pontos de 57 possíveis, além de manterem média de 2,9 gols marcados e somente 0,63 sofridos. E ninguém jogou no local do que Sergio Agüero, decisivo contra o QPR e a parcela mais segura dos 94,8 milhões de euros gastos em contratações. David Silva teve seu brilho, mas caiu de rendimento no segundo turno, enquanto Mario Balotelli e Carlos Tevez deixaram de exercer um papel mais importante por conta das polêmicas. A chave para o pódio, todavia, foi guardada por Yaya Touré, em conjunto com o sistema defensivo. Mesmo em alta, o marfinense conseguiu crescer ainda mais nos momentos decisivos. E, ao seu lado, Gareth Barry, Gaël Clichy, Joe Hart e, principalmente, Vincent Kompany, trabalhavam duro para também fazer a melhor defesa do campeonato.

Mostrar mais

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo