Arsenal não vence Chelsea desde 2011, mas último triunfo veio com oito gols no placar

Quando passar pelo túnel do Estádio Emirates e emergir frente às arquibancadas lotadas de apreensão e esperança, Arsène Wenger estará carregando um enorme peso sobre suas costas. A pressão pela vitória sobre o Chelsea não se resume à necessidade dos três pontos para manter o pouco que resta do sonho de conquista da Premier League; é questão de orgulho também. O último triunfo dos Gunners contra os Blues aconteceu há quase quatro anos. De maneira memorável, com show de Van Persie e gol até mesmo de André Santos.
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O último triunfo do Arsenal sobre o Chelsea veio de forma significativa, em um jogo empolgante, de oito gols, mas hoje é apenas uma memória distante. O 5 a 3 em pleno Stamford Bridge teve como maior protagonista Robin van Persie, autor de três gols, e os coadjuvantes foram vários. A começar por Mata, que se livrou muito bem da marcação de André Santos antes de cruzar com perfeição para que Lampard abrisse o placar, de cabeça, aos 13 minutos. O volume de jogo dos Blues era alto, e aos 28 Sturridge teve chance de ouro de fazer 2 a 0. A jogada desperdiçada custou caro, e aos 35, após boa troca de passes, Ramsey lançou Gervinho na cara do gol, que rolou para Van Persie empatar. Antes do intervalo, os donos da casa tomaram a frente novamente, com escanteio cobrado por Lampard e finalizado por Terry: 2 a 1.
A volta para o segundo tempo do Arsenal foi de muita energia. Após uma pequena pressão, o time chegou ao empate com gol de André Santos, em um de seus poucos momentos bons na passagem por Londres. Minutos depois, Walcott virou para o Arsenal, com jogada individual de dedicação ímpar, sendo derrubado e se levantando aguerridamente para retomar a jogada e bater na saída de Cech.
Aos 35 minutos, o placar mostrava 3 a 2 para os Gunners, mas o duelo estava longe de estar acabado. Os dois times desligaram-se quase que completamente de suas funções defensivas, e, em pouco menos de 15 minutos, um show de gols se seguiu. Mata foi o primeiro, empatando em 3 a 3 com um belo chute de longa distância. Depois, um vacilo de Mikel e Terry não foi perdoado por Van Persie, que antes de empurrar para o gol tirou Cech do lance, deixando o goleiro no chão. Uma jogada que doeu ainda mais em Terry pelo fato de o beque já estar em bastante evidência, já que naquela semana enfrentava a pressão da imprensa e da opinião pública pelo incidente racista com Anton Ferdinand, então no QPR.
Aos 46 do segundo tempo, Van Persie, mais uma vez, recebeu pela esquerda e acertou uma bomba para definir o 5 a 3. A vitória era a oitava em uma sequência de nove jogos do Arsenal, que parecia completamente recuperado de um início ruim naquela Premier League – que incluía a goleada por 8 a 2 sofrida para o Manchester United, no fim de agosto daquele ano. O terceiro lugar no Campeonato Inglês ao fim da campanha garantiu o time de Wenger na Champions League seguinte, enquanto o Chelsea conseguiria, com o título inédito da Liga dos Campeões sobre o Bayern de Munique, apagar o desempenho frustrante no torneio nacional, em que terminou apenas na sexta colocação.
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Freguesia recente
Desde esse triunfo em 29 de outubro de 2011, Arsenal e Chelsea se enfrentaram sete vezes, e a superioridade dos Blues é notável. Foram apenas dois empates e emblemáticas cinco vitórias do time de Stamford Bridge. A principal delas na temporada 2013/14, quando, em março do ano passado, o Chelsea passou o trator para cima dos Gunners, com um 6 a 0 para a galeria dos grandes duelos entre os dois. Se até algumas décadas atrás a dupla não se encaixava exatamente em uma rivalidade, o crescimento do Chelsea desde a chegada de Abramovich e sobretudo esse histórico recente positivo contra o Arsenal tornam, sim, o confronto especial. E a sede pela vitória de Wenger deve ser ainda maior ao ver quem comanda o adversário a partir do banco de reservas.

Wenger x Mourinho

Somando as duas passagens de Mourinho pelo Chelsea, o português já enfrentou Arsène Wenger em 12 oportunidades. Em nenhuma delas saiu derrotado. Na primeira delas, esteve próximo disso, mas duas vezes viu seu time anular a desvantagem e terminar o jogo em 2 a 2, em dezembro de 2004. A troca de farpas através da imprensa em fevereiro do ano passado acirrou ainda mais a disputa pessoal entre os dois técnicos, com Mourinho afirmando que o francês era um “especialista em fracassos”, ao responder críticas do francês a seu estilo.
“Se ele está correto e eu tenho medo do fracasso, é porque eu não fracassei muitas vezes. Oito anos sem títulos, isso é fracasso. Ele é um especialista em fracassos. Se eu faço isso no Chelsea, em oito anos, eu saio e não volto mais”, rebateu o portuguÊs. Não ajudou nada para a imagem de Wenger que, um mês depois, o Chelsea tenha goleado o Arsenal por 6 a 0. E é contra todo esse histórico que o francês comanda seu time neste domingo. Uma vitória pode até não impedir o título dos Blues nas próximas semanas, mas com certeza teria um gosto especial para o técnico dos Gunners.



