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Arsenal traz astro, mas Özil precisa se firmar como craque

O mercado de transferências permaneceu aberto por dois meses. Mas foi somente no último dia o Arsenal, enfim, colocou a mão nos bolsos e trouxe o reforço de peso tão alardeado por Arsène Wenger. Mesut Özil chega por € 50 milhões, já como grande astro dos Gunners e candidato fortíssimo a maior negócio no fechamento da janela. O alemão vem para recolocar os londrinos como uma das forças da Premier League. Mas, para isso, precisará espantar seus próprios fantasmas.

Afinal, Özil foi comprado para sanar uma das principais necessidades de Wenger: contar com um jogador capaz de fazer a diferença, algo perdido desde a venda de Robin van Persie. O Arsenal segue com outras carências, como a falta de um primeiro volante, um concorrente a Olivier Giroud no comando do ataque e opções que não deixem o elenco tão raso. Entretanto, a ausência mais evidente na última temporada era a do craque que chamasse a responsabilidade para si nos momentos de dificuldade.

Özil tem esse rótulo de astro, mas está longe de ser um jogador que cresce nos momentos decisivos. Se o Real Madrid abriu mão do alemão, aliás, foi justamente por essa falha. Os números do armador com os merengues são ótimos, com 27 gols e 81 assistências em 159 partidas. O problema é que, quando a pressão sobre si aumentava, o camisa 10 desaparecia. Em seis finais disputadas com o Real, ele marcou só um gol e deu uma assistência. Já nos mata-matas da Champions, balançou as redes uma vez e serviu oito assistências em 17 partidas.

Isco e Gareth Bale chegaram justamente para renovar as esperanças do Real Madrid na busca pelo décimo título na Liga dos Campeões, enquanto a venda de Özil serve diminuir o rombo nos cofres merengues. O alemão parecia nos planos de Carlo Ancelotti para a rotação do time, opção para a meia central e para a ponta direita. Mas a sorte dos espanhóis foi justamente topar com o desespero do Arsenal, sabidamente com dinheiro na mão e acumulando fracassos no mercado. O suficiente para fazer com que os Gunners investissem alto para sonhar com um grande astro.

Na equipe de Arsène Wenger, Özil vem para ocupar o lugar em que Tomas Rosicky tem sido escalado, centralizado entre os meias no 4-2-3-1. Considerando o estilo de jogo dos londrinos, apostando na velocidade e nos ataques pelos lados, o alemão pode se adaptar rapidamente. Se o elenco que começou a temporada era dependente demais do esforço de cada um, o toque de qualidade do novo camisa 11 poderá ser o diferencial para que os Gunners fiquem no Top Four. Isso, é claro, se Özil se tornar o craque que nunca se confirmou até hoje.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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