Inglaterra

Após ser condenado por agressão e tentativa de suborno na Grécia, Maguire deu sua versão: “Temi pela minha vida”

Harry Maguire foi algemado em uma das mãos e, ajoelhado, recebeu pancadas nas pernas de homens vestidos à paisana que diziam “sua carreira acabou”, momento em que começou a considerar que eles não eram policiais e temeu pela sua vida, disse o capitão do Manchester United, à BBC, na primeira entrevista em que contou sua versão dos fatos sobre as férias na Grécia que resultaram em uma sentença de prisão suspensa por 21 meses e 10 dias por agressão, tentativa de suborno, violência contra funcionários públicos e insultos na ilha de Mykonos.

A equipe legal do jogador inglês entrou imediatamente com um pedido de apelação, e Maguire mantém sua inocência. Segundo o defensor do jogador, Alexis Anagnostakis, um dos principais advogados de direitos humanos da Grécia, o incidente começou quando a irmã de Maguire, Daisy, também em férias com ele, teria recebido uma injeção com uma substância de um grupo de albaneses. Ela desmaiou, e os réus chamaram transporte para o hospital, mas acabaram sendo levados para a estação de polícia.

A promotoria afirma que, então, Maguire, seu irmão e o amigo atacaram física e verbalmente policiais após serem detidos. Maguire também teria tentado subornar as autoridades, dizendo que era capitão do Manchester United e tinha dinheiro. O advogado de acusação, Ioannis Paradissis, afirma que representa policiais com ferimentos e que “ainda há tempo de os réus pedirem desculpas”.

Maguire afirmou à BBC que não pretende pedir desculpas porque não fez nada errado. “Você pede desculpas quando fez algo errado. Eu não desejo essa situação para ninguém. Ela obviamente dificultou um dos maiores clubes do mundo, e eu lamento fazer os torcedores e o clube passarem por isso, mas não fiz nada errado. Estive em uma situação que poderia ter acontecido com qualquer um e em qualquer lugar”, disse.

“Eles me bateram muito nas pernas. Não inventei isso. Eu estava em pânico. Assustado. Temendo pela minha vida”, acrescentou. “Eu sei o que aconteceu naquela noite. Eu sei a verdade. Quando eu falo sobre isso, eu fico nervoso porque me deixa um pouco irritado por dentro. Eu seguirei em frente. Sou mentalmente forte o bastante”.

Maguire contou que havia saído para beber com os amigos em Mykonos. Enviaram uma mensagem para que o motorista da minivan fosse buscá-los para voltar para casa. Ele atrasou 20 minutos. Dois homens abordaram Daisy Maguire e perguntaram de onde ela era. Fern, noiva do jogador, percebeu que havia algo errado com Daisy. Ela desmaiou, perdeu a consciência e, neste momento, “todos estavam gritando”. Três homens gregos vestidos à paisana se envolveram na confusão.

Maguire afirmou que havia muito grito e comoção, mas “nenhuma briga ou socos”, como foi relatado. Os homens gregos estavam tentando apaziguar a situação, mas “estavam sendo um pouco agressivos”. A minivan chegou, o grupo embarcou, e “literalmente foi isso. Não foi o que todos disseram que foi. Houve muitos gritos, um grande pânico, mas nenhuma briga, nada”

Maguire, então, disse ao motorista para levá-los de volta à vila onde estavam hospedados, com planos de se dirigir ao hospital, mas Daisy “se recuperou bem rápido”. A van, segundo Maguire, andou por cinco a dez minutos antes de estacionar à beira da estrada. “Olhamos para fora e oito homens cercaram o ônibus, todos à paisana”, afirmou o zagueiro. As portas se abriram. Maguire e um amigo foram retirados da minivan.

Maguire afirma que os homens não disseram nada e que temia que estivesse sendo sequestrado. Ele e seu amigo correram para a estrada principal, onde o zagueiro tentou ligar para seu empresário pedindo ajuda e enviou mensagens em um grupo de Whatsapp. Ainda segundo o relato do jogador, ele retornou para a minivan e foi cercado pelos homens.

“Nos ajoelhamos, colocamos as mãos para o alto, e eles começaram a nos bater. Eles colocaram uma das minhas mãos em algemas. Eles estavam batendo nas minhas pernas, dizendo que minha carreira estava acabada – ‘sem mais futebol, você não jogará novamente’. Naquele momento, eu pensei que não tinha chance de eles serem policiais. Não tenho ideia de quem eram. Eu tentei correr. Eu tinha uma mão em algemas e estava mexendo minha mão. É daí que vieram as acusações, é o que eles estão dizendo que é resistir à prisão e o que foi uma agressão. Não dei nenhum soco. Eu não acredito que eles eram policiais”, disse.

Maguire disse que o único momento em que sentiu seguro foi, ironicamente, quando chegou à delegacia de polícia. “Foi o momento em que me senti um pouco aliviado, por mais louco que isso seja. Havia outras pessoas na cela me dizendo para me acalmar e eu fiquei aliviado porque foi a primeira vez que eu realmente acreditei que estava na prisão”, acrescentou.

O jogador negou que tenha tentado subornar os policiais e que tenha dito o clássico “você sabe com quem está falando?”. “Não. Com certeza não. Eu sei que eles sabiam quem eu era. Cinco minutos antes estavam me batendo e dizendo que minha carreira havia acabado. Eu sei que eles sabiam quem eu era. Assim que eu vi essa declaração…. ridículo. Definitivamente não houve propina. Naquele momento, sentamos na entrada da prisão, estávamos perturbados, chorando. Ainda não acreditávamos onde estávamos”, disse.

Maguire não soube dizer de onde vieram as ações que ele denunciou – “se foi inveja, mal entendido, realmente não sei” – e que havia bebido, mas não estava bêbado. “Não direi que não havia bebido o dia inteiro. Eu havia tomado alguns drinques. Qualquer um que já saiu comigo sabe como eu fico depois de alguns drinques. Estou sempre consciente. Sempre em controle. Eu definitivamente não estava bêbado. Eu sabia o que estava rolando. Eu apenas me encontrei em uma situação ruim”, afirmou.

Ele afirmou que mal teve tempo para conversar com seu advogado antes do julgamento, nem para reunir testemunhas e evidências como gostaria, mas que mantém confiança na Justiça da Grécia. “Tudo aconteceu tão rápido… nós obviamente não esperávamos que o julgamento acontecesse. A regra que nos concede um novo julgamento (por meio da apelação) nos dará mais tempo para nos prepararmos, reunir as evidências, permitir testemunhas na corte, e estou confiante que a verdade será dita”, disse.

“Não é legal ver matérias ruins contra você. Ninguém sabia o que havia acontecido naquela noite. Acredita ou não acredite. Mesmo depois do julgamento, as histórias que saem ainda estão tão longe da verdade que é incrível. Meu caráter e personalidade permanecerão os mesmos. Sou forte mentalmente e superarei isso. Minha consciência está limpa. Sei exatamente o que aconteceu naquela noite”, encerrou.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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