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A situação é grave no Reino Unido: número de casos de pedofilia dentro de clubes só aumenta

O futebol do Reino Unido vive dias desagradáveis em seus bastidores. Depois do escândalo de corrupção envolvendo o treinador recém-contratado para assumir a seleção inglesa, Sam Allardyce, outro caso revoltante veio à tona nos últimos dias. Só que, desta vez, a situação é bem mais grave. A cada dia que passa, aumenta o número de casos e suspeitos de terem praticado pedofilia dentro de clubes britânicos. A imprensa local já não fala de outra coisa. E nem deveria mesmo. Afinal, tamanha é a seriedade da situação que ela não pode deixar de ser debatida e investigada até que achem provas e, enfim, punam devidamente os criminosos.

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Casos e mais casos – atuais ou não – começaram a aparecer desde que Andy Woodward, ex-jogador profissional da Premier League, revelou publicamente ter sofrido abuso sexual quando jogou nas categorias de base do Crewe Alexandra, que disputa a quarta divisão inglesa. Segundo ele, o pedófilo era um dos olheiros do clube, quem esteve preso por quase dez anos por ter abusado de outras crianças. Com essa forte declaração, muitas outras pessoas que foram abusadas dentro do meio esportivo tomaram coragem para tornar público seus casos também, e foi a partir dessa crescente que a Associação Inglesa de Futebol (FA), aliada à polícia britânica, deu início às investigações.

Nesta sexta-feira, autoridades do Reino Unido informaram que há, no momento, 83 potenciais suspeitos de pedofilia e 98 clubes britânicos envolvidos no inquérito de abuso sexual infantil no futebol. É muita coisa. E os números não contemplam apenas agremiações esportivas de divisões inferiores, não. Há clubes grandes incluídos nos casos. Nenhuma divisão está isenta. Profissionais e amadoras. Além disso, as investigações concluíram que 98% das mais de 350 vítimas (identificadas ou não) são do sexo masculino, enquanto suas idades quando foram abusadas era entre sete e 20 anos.

Enquanto as averiguações e apurações acontecem, Richard Scudamore, o presidente da liga inglesa, decidiu escrever aos pais e responsáveis pelos mais de três mil adolescentes que jogam nas categorias de base da liga para tranquilizá-los quanto à proteção desses jovens. Na carta, o dirigente diz que a Premier League está bastante preocupada com todas as acusações, e, por isso, está reforçando a segurança dos jogadores dentro dos clubes. “Não há complacência. A própria equipe de segurança da Premier League e monitores independentes visitam regularmente cada clube durante todas as temporadas para avaliar a qualidade de seu trabalho e orientá-los sobre quaisquer desenvolvimentos que possam ser feito”, registrou.

Jamie Vardy foi um dos jogadores da principal liga do país a falar sobre o escândalo. O atacante do Leicester disse ao Good Morning Britain que é “repugnante saber o que está acontecendo e as experiências que as vítimas vivenciaram e ainda vivenciam”. “Para ser honesto com vocês, temos sorte que as pessoas tenham tido coragem de revelar os casos de pedofilia, porque agora que temos conhecimento, podemos fazer alguma coisa quanto a isso”, falou ainda o atleta. Fora Woodward, outros ex-jogadores que falaram publicamente sobre terem sofrido abuso foram Paul Stewart, ex-Tottenham, e David White, ex-Manchester City.

Foto de Nathalia Perez

Nathalia Perez

Jornalista em formação trabalhando a favor de um meio esportivo mais humano. Meus heróis sempre foram jogadores de futebol, mas hoje em dia são muito mais heroínas.

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