Inglaterra

A copa ainda tem magia?

Começou para valer no último fim de semana a Copa da Inglaterra 2007/8. Na verdade, a competição teve início no começo da temporada, com um monte de fases preliminares e duas rodadas do torneio propriamente dito. Mas foi só agora, na terceira etapa, que os times da Premier League (e da segunda divisão) entraram, atraindo a atenção da mídia.

Esta terceira fase da FA Cup é geralmente a mais interessante. Nanicos têm seu momento nos holofotes contra gigantes, o público assiste a times que nunca vira jogar, e uma ou outra zebra sempre acontece. É nesta fase que a ‘magia’ da competição se revela.

No entanto, já faz alguns anos que os ingleses perceberam que a ‘magia’ da FA Cup não é mais a mesma. A desistência do Manchester United em 2000 para vir ao Brasil disputar o Mundial da Fifa foi um marco da perda de prestígio de um torneio que, no passado, era considerado quase tão importante quanto o Campeonato Inglês.

É com essa ressalva que a divertida rodada do último fim de semana deve ser vista. Por um lado, não faltaram jogos interessantes e surpresas. Nada menos que oito times da Premier League empataram ou perderam suas partidas contra times de divisões inferiores (Blackburn, Bolton, Everton e Birmingham estão eliminados, e Derby, Fulham, Liverpool e Newcastle terão que jogar ‘replays’).

Por outro lado, esses mesmos resultados, de certa forma, confirmaram a falta de prestígio da competição. Os eliminados Everton, Bolton e Blackburn, por exemplo, colocaram em campo times mistos e acabaram pagando o preço. Mas não foi só questão de subestimar o adversário: o Wigan, que enfrentava um adversário da Premier League (Sunderland), também jogou com um mistão, assim como o West Bromwich Albion, da segunda divisão.

Fica claro, assim, que para esses times é mais importante brigar por uma vaga na Copa Uefa, contra o rebaixamento ou para subir de divisão do que ir longe na FA Cup. Isso acontece, em parte, pela simples constatação de que financeiramente os resultados no campeonato são muito mais importantes, e uma caminhada longa na copa poderia causar um desgaste físico problemático.

Mas há outra constatação que desmotiva os times ‘médios’: o fato de saber que, no final das contas, um dos quatro grandes vai ser campeão. Basta ver que a última vez que o título ficou nas mãos de alguém que não seja Manchester United, Arsenal, Liverpool ou Chelsea foi em 1995 (com o Everton).

E a tendência vai se confirmando neste ano: mesmo sem mostrar grande interesse na competição, o Manchester United despachou com autoridade o perigoso Aston Villa; o Arsenal não teve problemas contra o Burnley; e o Chelsea fez o mínimo para bater o Queen’s Park Rangers. A única exceção foi o Liverpool, que jogou muito mal e sofreu para empatar com o Luton, da terceira divisão. Mas o resultado valeu só pelo susto: basta uma vitória simples em Anfield, no ‘replay’, para os Reds seguirem em frente.

Dependendo dos resultados dos ‘replays’, teremos de oito a 12 times da Premier League entre os 32 da quarta fase da FA Cup. Só que, dentre essas equipes, certamente estarão os quatro grandes (a não ser que o Luton consiga uma das maiores zebras da história). A ‘magia’ da Copa da Inglaterra ainda reserva muitas surpresas e emoções nesta temporada – mas não na briga pelo título.

CURTAS

– A notas desta edição estão ‘turbinadas’, devido à pausa desta coluna na virada do ano.

– As quatro rodadas de fim de ano costumam ser decisivas para o Campeonato Inglês, marcando o ponto de partida para disparadas ou derrocadas.

– Ninguém teve 100% de aproveitamento nas festas. Quem conseguiu melhor resultado foram Arsenal e Chelsea, com três vitórias e um empate.

– O pior foi o Newcastle, com apenas um ponto ganho em quatro jogos. Nem precisa dizer que o técnico Sam Allardyce está por um fio.

– Outra constatação é a boa fase do Aston Villa, que vem numa curva ascendente e fez oito pontos nos quatro jogos – mesma marca do Liverpool, que vai vendo suas chances de título sumirem aos poucos.

– As festas de fim de ano também trouxeram um presente para os torcedores, na forma de dois jogaços: Chelsea 4×4 Aston Villa e Tottenham 6×4 Reading.

– O primeiro, de bom nível técnico, cheio de reviravoltas e com três expulsões, chegou a ser apontado por alguns jornalistas como o melhor jogo da história da Premier League.

– A 20ª rodada, disputada nos dias 29 e 30 de dezembro, foi a de maior média de gols na temporada: 3,4 por partida. Agora, a média geral do campeonato está em ótimos 2,7.

– Ainda na Inglaterra, o Fulham aproveitou o fim de dezembro para tornar-se o sétimo time a trocar de técnico nesta temporada.

– Saiu Lawrie Sanchez, que nunca chegou a se acertar, e entrou Roy Hodgson, treinador que fracassou no Blackburn, nos anos 90, mas que construiu boa reputação com seleções pequenas no exterior (em seu último trabalho, quase levou a Finlândia para a Euro-2008).

– Neste início de janela de transferências de janeiro, o destaque tem sido o… Derby!

– Não que o time tenha trazido algum craque de fama mundial, mas nomes como Robbie Savage (Blackburn), Laurent Robert (ex-Newcastle) e Hossam Ghaly (Tottenham) terão um impacto considerável sobre a equipe.

– Mas é claro que isso dificilmente será o bastante para fazer o Derby tirar os 10 pontos que o separam do 17º colocado (lembrando que os Rams, até agora, fizeram só sete pontos).

– Na Escócia, o final do ano ficou manchado pela morte do meia Phil O’Donnell, capitão do Motherwell.

– O jogador tinha 35 anos e desmaiou em campo nos minutos finais da partida de sua equipe contra o Dundee United.

– O’Donnell foi atendido imediatamente e levado para um hospital, mas teve sua morte anunciada pouco depois.

– O motivo é o mesmo de Puerta, Feher, Serginho, Foé e tantos outros: problemas cardíacos.

– A Federação Escocesa anunciou que já tem uma lista definida de candidatos para assumir a seleção.

– Com isso, mudaram bastante os favoritos, segundo as casas de apostas. Agora eles são, na ordem: Tommy Burns (ex-assistente da Escócia), Mark McGhee (Motherwell) e John Collins (ex-Hibernian).

– Na Irlanda, Roy Hodgson sai da lista, depois de assumir o Fulham. Agora, os principais nomes são: Terry Venables (ex-assistente da Inglaterra), Gerard Houllier (ex-Liverpool e Lyon) e Liam Brady (ex-jogador da Irlanda).

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo