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Pouco mais de dois minutos do primeiro tempo. E, após cruzamento, Adil Rami cabeceou por cima do gol defendido por László Köteles, próximo às redes. Pouco tempo depois, Pablo Piatti apareceu pela direita e cruzou baixo. Roberto Soldado se esforçou, mas não conseguiu alcançar a bola, que passou rente ao gol. E foi assim, já com pouco tempo de jogo, que o Racing Genk soube que ia ter vida dura na Liga dos Campeões.
Já na Amsterdam ArenA, o Ajax não teve tanta volúpia no ataque quanto os Ches. Ainda assim, obviamente, tomou a iniciativa em casa, diante de um Lyon que não tinha muita razão para se desesperar atrás do gol. Não impressiona, portanto, que as grandes chances de gol surgidas na partida tenham vindo pelos Godenzonen. No primeiro tempo, em cabeçada de Sulejmani que passou rente ao gol de Lloris; no segundo, em chute de Christian Eriksen bem defendido pelo goleiro do OL.
As estreias dos dois representantes do Benelux na fase de grupos da Liga dos Campeões terminaram com dois empates em 0 a 0. Todavia, até pelo fato do time belga jogar fora de casa, enquanto o holandês jogava em seus domínios, ambas as atuações foram um símbolo de como tem sido o começo de temporada das duas equipes. O Genk sofre com os resultados pálidos e a falta de firmeza; e o Ajax, mesmo enfrentando algumas dificuldades, tem se mostrado altivo desde o início.
Claro que supor uma classificação às oitavas de final é difícil para o clube da estação Bijlmer ArenA. Primeiro, porque desperdiçou pontos importantes frente ao principal adversário; depois, porque provocar um tropeço do Real Madrid só será possível com um esforço admirável, tanto no Santiago Bernabéu, quanto em Amsterdã. Todavia, o Ajax já não parece a equipe muito retraída dos tempos de Martin Jol – e até de Marco van Basten. Toma a iniciativa, ataca. Não é brilhante nisso, mas ganha mais respeito.
Se não deverá ser suficiente para passar de fase na Liga dos Campeões, tem garantido um começo nas primeiras posições do Campeonato Holandês. Mais do que isso: garante triunfos relativamente seguros. Por exemplo, na rodada do final de semana passado. Quando se olha para o placar – 3 a 2 sobre o Heracles Almelo, fora de casa -, supõe-se que foi daquelas vitórias arrancadas a fórceps. Não foi o caso: ainda que tenha saído atrás no placar, o atual campeão da Eredivisie manteve a calma.
E o trio formado por Eriksen, Siem de Jong e Sulejmani (este último, razoável como nunca fora com a camisa alvirrubra) não só se valeu de rápidos contra-ataques para criar chances, como contou com o “auxílio” do goleiro Remko Pasveer, que falhou nos dois gols da virada. Mais um contragolpe veloz, e Sulejmani fez 3 a 1. Vitória fácil – o gol de Plet, segundo do Heracles, surgiu no final. Liderança do torneio retomada, após a queda do Twente para o Roda JC. E um suposto favoritismo contra um PSV que sofre com a irregularidade: permitiu o empate do VVV-Venlo na rodada, e fez apenas 1 a 0 no Legia Varsóvia, na estreia pela Liga Europa, com gol de Mertens, de quem os Boeren andam dependendo demais.
Do lado belga da fronteira, o Racing Genk vê a desmontagem iminente de sua equipe causar turbulências desnecessárias. Começando por um dos principais destaques: no dia final da janela de transferências, Marvin Ogunjimi fechou contrato com o Mallorca. Só que a documentação chegou tarde demais à Fifa, que proibiu a transferência. Ensaiou-se, então, um princípio de litígio entre o atacante e o Genk. Já foi resolvido: Ogunjimi fica no clube belga até 8 de dezembro, depois pode treinar no Mallorca, e vira jogador dos Barralets em 1º de janeiro. Só que fica a dúvida sobre como será sua motivação.
E a campanha nas seis rodadas do Campeonato Belga tem sido irregular. O time ainda patina no 10º lugar, sofrendo com o excesso de empates, e com vitórias suadas – por exemplo, a da última rodada: saiu atrás contra o Sint-Truiden, virou para 3 a 1 e ainda permitiu o empate antes que Daniël Tözser fizesse 4 a 3, a três minutos do fim do jogo no Stayen. Contra o Valencia, a postura foi francamente defensiva. Uma boa chance só chegaria com Jeroen Simaeys, no final do jogo. E isso porque o parágrafo inicial nem mencionou a grande chance valencianista no Mestalla: uma bicicleta de Rami que atingiu o travessão.
Ajax e Racing Genk, em suma, tiveram resultados iguais. Só que seus inícios de temporada tomam caminhos bastante variados.