Sinal de vida
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Em entrevista ao diário De Volkskrant, o ex-tenista Mark Koevermans, diretor financeiro do Feyenoord, reconheceu: ainda há muito a ser feito para melhorar a situação financeira da equipe de Roterdã. Para a temporada atual, o clube foi forçado a diminuir seu orçamento em € 8 milhões (de € 45 milhões para € 37 milhões). E, para que o clube passe a sofrer menos com a falta de dinheiro que o assola já há alguns anos, Koevermans também assumiu que medidas como aumentar o número de camarotes do De Kuip, bem como o número de sócios, são absolutamente urgentes.
Esses problemas afetam o Feyenoord há algum tempo, como já mencionado. Entretanto, a atual temporada traz uma novidade: pelo menos no início da Eredivisie, eles estão ficando do lado de dentro dos gabinetes. Porque, em campo, a equipe alvirrubra em nada lembra o time cansado e afetado por problemas internos que protagonizou alguns vexames em 2008/09. Jogando de modo aguerrido, a característica tradicional na história do clube, e conseguindo exibir habilidade em momentos decisivos, a equipe figura na segunda posição da tabela, com 14 pontos, mesmo número do líder PSV, que só supera o rival pelo número de gols marcados (16 dos Eindhovenaren, contra 11).
O modo até empolgante como a equipe tem jogado, nos últimos tempos, tem a marca de Mario Been. O ex-atacante chegou para treinar seu declarado time do coração respaldado pelo bom trabalho no NEC, que levou a equipe de Nijmegen até mesmo à Copa Uefa. Entretanto, Been também era visto com dúvidas: conseguiria ele contentar todos os jogadores com seus métodos de trabalho, algo que Gertjan Verbeek passou longe de conseguir?
Pelo menos nas seis primeiras rodadas, a tarefa tem sido brilhantemente cumprida. Mais afeito ao diálogo com todos, além de ter habilidade no trato diário com o elenco, Been consegue tanto tirar o máximo de seus titulares quanto sair-se bem de situações espinhosas, como o fato de deixar constantemente na reserva ninguém menos do que Roy Makaay.
E a equipe vai correspondendo: além de brigar pela liderança, é uma das três esquadras da Eredivisie a não ter sido derrotada, ainda (quatro vitórias e dois empates, nas seis rodadas). Sem contar o fato de ser a defesa menos vazada da competição, com três gols sofridos – até a última rodada, era apenas um. Nesse ponto é que se vê: além da garra exigida pela fanática torcida, o elenco apresenta alguns jogadores que começaram com tudo. Na defesa, o veteraníssimo (40 anos) Rob van Dijk consegue trazer segurança no gol, enquanto o brasileiro Darley não se recupera de lesão no joelho.
Mas é na linha de quatro defensores, constantemente usada por Been, que a equipe vê a razão de tamanha solidez. Não bastasse a experiência de Van Bronckhorst e a imponência de André Bahia, as primeiras rodadas trouxeram o alívio de ver que, após quase dois anos lutando contra lesões no joelho esquerdo, Ron Vlaar recomeça a ganhar ritmo.
Reconhecido desde seu surgimento no AZ como um defensor de boa técnica, o nativo de Hensbroek já convivia com a pecha de “canela de vidro”. A julgar pela excelência de suas atuações (Mario Been o apontou como o grande responsável pelo baixo número de gols sofridos), Vlaar pode retomar o nível que o fez até ser convocado por Marco van Basten para a seleção, com apenas 20 anos, e quase chamado para a Copa de 2006.
No meio-campo e no ataque, estão os outros dois pilares da campanha do Feyenoord. O do meio, também mostrando que não perdeu o talento. Após uma longa recuperação de lesão no joelho, Jonathan de Guzmán consegue até eclipsar o desempenho razoável de jovens como Leroy Fer e Georginio Wijnaldum. O volante de origem canadense (que até atuou pelo time sub-21 de seu país natal, antes de decidir seguir carreira profissional como holandês) deu várias razões para que Chelsea e Valencia o tenham sondado, antes do fim da janela de transferências. Primeiro, na goleada por 4 a 0 sobre o Roda JC, quando marcou dois gols – um deles, encobrindo o goleiro Bram Castro. E, depois, quando a janela já se encerrara, na semana passada, ao marcar o gol da vitória no difícil 3 a 2 fora de casa, contra o Willem II, com uma cobrança de falta magistral.
E, no jogo contra o time de Tilburg, foi a vez do último protagonista do time aparecer, marcando duas vezes. Mesmo tendo sua frequência na temporada passada várias vezes interrompida por problemas na coxa, Jon Dahl Tomasson exerceu saudável influência sobre os jogadores mais jovens sempre que esteve em campo, ao mostrar mais disposição e vontade do que veteranos como Makaay, De Cler e até Van Bronckhorst, por vezes indolentes.
Livre das lesões, o dinamarquês prova sua persistente capacidade de finalizar a quem, como este colunista, achava que ele até contribuiria, mas não como já fizera pelo Stadionclub, no título da Copa Uefa 2001/02. O primeiro gol de Tomasson contra o Willem II foi um exemplo: um belíssimo voleio, típico de quem sabe tratar a bola.
Mostrando o equilíbrio entre boas atuações e uma vontade elogiável de honrar a camisa, o Feyenoord tem o grande desafio da temporada, até agora, nesta rodada, quando enfrenta justamente o PSV, seu companheiro de liderança. Uma vitória no Philips Stadion credenciaria de vez a equipe como respeitável. E manteria os problemas econômicos onde eles devem ser resolvidos, mesmo: dentro de um gabinete.
A surpresa continua
A partida no Staaienveld, pelo Campeonato Belga, colocava frente a frente os times com as duas melhores campanhas da Jupiler League, neste princípio de campeonato. De um lado, o Anderlecht, querendo amenizar, com uma vitória, o baque das lesões de Wasilewski e Polak. Do outro, o Sint-Truiden, mostrando solidez surpreendente para uma equipe que subiu da EXQI League, a segunda divisão belga. Porém, um prognóstico mais simples previa a vitória dos Mauves, mesmo fora de casa.
O que não aconteceu. O triunfo por 2 a 1 sobre o atual vice-campeão nacional deixou os Canários, pela primeira vez em 44 anos, na liderança do campeonato nacional. E, diga-se, é absolutamente merecido. Como já dito, o técnico Guido Brepoels manteve a equipe sólida, na sempre difícil transição que vem com o acesso. Além disso, a equipe ainda conta com três jogadores em ótima fase. No gol, Simon Mignolet, com convocações para a seleção sub-21 no currículo, mostra segurança invejável – como já exibira até contra o Standard, na rodada de abertura, ao defender um pênalti de Witsel nos últimos minutos de jogo.
No ataque, a dupla formada por Cephas Chimedza e Ibrahim Sidibé não deixa por menos. Se o zimbabuano Chimedza foi quem iniciou melhor a Jupiler League, marcando, também contra o Standard, o senegalês Sidibé recuperou, após algum tempo, os desempenhos que o levaram ao terceiro lugar da artilharia na segunda divisão, com 20 gols. Ambos marcaram contra o Anderlecht. A surpresa continua. Até quando?