Holanda

Se não pode com o inimigo…

O Anderlecht já conhecia Milan Jovanovic e Dieumerci Mbokani. Do pior jeito possível. O sérvio e o congolês eram os atacantes titulares do Standard Liège nas temporadas em que os Rouches saíram da fila no Campeonato Belga. Nos dois títulos conquistados, “Jova” e “Dieu” foram dois dos protagonistas dos duelos entre o time de Liège e a equipe do Parc Astrid.

Duelos sempre equilibrados e emocionantes. Como, por exemplo, o da decisão da Jupiler League 2008/09, quando as duas equipes terminaram empatadas, ao final da temporada regular, e tiveram de voltar a campo para dois jogos de desempate (lembrando que o regulamento do torneio ainda previa os pontos corridos).
É certo que Witsel marcou o gol da vitória por 1 a 0, no jogo de volta, que deu o bi ao Standard. Só que, fora de casa, na ida, foi Mbokani quem fizera o gol de empate por 1 a 1, no Constant Vanden Stock. Sem contar que ambos sempre rondaram a lista de goleadores dos torneios.

Mas, aos poucos, o trauma que os Mauves tinham da dupla foi se acabando. O Standard foi decaindo, o Anderlecht conquistou o título de 2009/10… e, por fim, no meio do ano passado, a dupla que tantas alegrias trouxe ao Maurice Dufrasne foi tentar a sorte em centros maiores da Europa. Após a Copa do Mundo, Jovanovic conseguiu boa oportunidade no Liverpool; Mbokani, por sua vez, foi contratado pelo Monaco.

E ambos tiveram decepções enormes. Jovanovic até começou sendo titular nos Reds, mas foi caindo de produção aos poucos. No final da malograda passagem por Anfield, nem como reserva era selecionado por Kenny Dalglish. Mbokani, por sua vez, mal durou seis meses no Monaco; no início do ano, já fora emprestado ao Wolfsburg, onde também não emplacou.

Paralelamente a isso, o Anderlecht sofreu com a saída de Boussoufa, o grande jogador da equipe. Até se manteve na disputa do título belga, mas decaiu justamente no hexagonal final. Na Liga Europa, mal resistiu ao Ajax, na segunda fase: foi eliminado sem fazer gols (3 a 0 para os Godenzonen na Bélgica, 2 a 0 na Holanda). E o início na Jupiler League não havia sido muito melhor, incluindo derrota para o OH Leuven, recém-chegado da segunda divisão, logo na primeira rodada, em 29 de julho.

Era hora de reagir. O que foi feito poucos dias mais tarde: em 2 de agosto, Jovanovic, que já havia sido colocado à disposição pelo Liverpool, retornou à Bélgica assinando contrato de duas temporadas. E, no dia 11, Mbokani foi confirmado como novo reforço. Ambos ainda demoraram um pouco para se aclimatar ao clube que haviam maltratado por tantas vezes. O congolês teve até razões pessoais atrapalhando-o – no caso, a morte do filho de cinco meses, por problemas cardíacos.

Só que, quando se entrosaram, bastou. A primeira prova da utilidade veio no clássico contra o Club Brugge: após ter perdido um pênalti e ver os Azuis-e-Negros abrirem o placar, Jovanovic empatou a partida no último minuto. Na rodada seguinte, o sérvio fez mais um, no 2 a 0 contra o Kortrijk. Pouco depois, começou a fase de grupos da Liga Europa. E os Mauves estão com duas vitórias em dois jogos. No primeiro triunfo (4 a 1 contra o AEK), “Jova” marcou; no 2 a 0 contra o Lokomotiv Moscou, Mbokani deixou o dele.

A última aparição foi mais útil ainda: 1 a 0 no duelo contra o Racing Genk. Gol de Mbokani. O que, aliado ao empate do Club Brugge com o Kortrijk (1 a 1), levou os Paars-wit à liderança da Jupiler League. Mais um fator que justifica a aposta do Anderlecht em contratar dois ex-carrascos.

Pelo grande momento

Desde 14 de novembro de 2001 que a seleção da Bélgica não tem uma vitória enormemente comemorada. Nessa data, a equipe treinada por Robert Waseige superou um estádio lotado em Praga e fez 1 a 0 na República Tcheca, garantindo, na repescagem, a vaga na Copa de 2002.

Agora, a tarefa é simples: vencer o Cazaquistão e esperar que a Alemanha supere a Turquia, nesta sexta. Tudo para retornar ao segundo lugar no grupo A das eliminatórias da Euro 2012. E, conseguindo vencer a Mannschaft fora de casa, na quarta-feira, garantir lugar na repescagem.

Georges Leekens teve dificuldades. No ataque, Vossen, Ogunjimi e Vleminckx estão lesionados. Lukaku ainda não emplacou no Chelsea. Defour não foi convocado. Caberá a Hazard, Dembélé, Mertens, Igor de Camargo… a todos esses, fazer a Bélgica voltar a sorrir por sua seleção.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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