Roda da fortuna

“Rodando, rodando…” Muitas pessoas gostam de assistir aos programas de Sílvio Santos. E um dos bordões imortalizados pelo “Patrão” é o que abre este texto. Ele é dito muitas vezes, no quadro “Roda da Fortuna”. E, se por acaso houvesse alguma ligação entre SS e a Bélgica, ele poderia ser dito para descrever as primeiras partidas do hexagonal pelo título do campeonato de lá. Porque, em cada uma das três rodadas do Play-off I da Jupiler League, os destinos dos principais candidatos ao título se alteraram bastante.
Por incrível que pareça, o melhor exemplo dessa relativa inconstância é uma equipe considerada carta fora do baralho para tentar conquistar o troféu – por mais surpreendente que seja a sua campanha. O Kortrijk começou com tudo o hexagonal, tentando esquecer a derrota na final da Copa da Bélgica, para o Lokeren. Na primeira rodada, há duas semanas, os Kerels dificultaram as coisas para o Anderlecht: abriram o placar, e cederam caríssimo o empate por 1 a 1.
Na segunda rodada, a equipe de Hein Vanhaezebrouck tratou de aliviar as coisas para os Mauves: pegando o Club Brugge, aplicou 3 a 1. Bastou para que os jogadores começassem a crescer o tom das palavras. O goleiro Kristof van Hout, famoso pela assustadora altura (2,08 metro!), foi definitivo, após o empate contra o líder: “É nossa resposta às críticas. Muitos acham que não temos nada para estar entre os seis primeiros, mas hoje mostramos o contrário.” Tudo isso… para o time ser derrotado pelo Racing Genk (2 a 0), na quarta-feira passada, e cair de volta para o último lugar do hexagonal. Van Hout lamentou: “Todos viram que a coisa não saiu como na semana passada.”
O mesmo vale para o Anderlecht. Mas, no caso, a última frase traz um tom de alívio. Era inegável o nervosismo com que o time de Parc Astrid aparecia em campo. Ariël Jacobs reconheceu isso, principalmente contra o Standard: “Não posso ignorar que começamos muito tensos. Dava para se ver nas nossas jogadas.” Além disso, jogadores-chave não rendiam o que podiam – até por problemas físicos, como os que Matías Suárez carrega no joelho. O resultado? Além dos dois empates (1 a 1 contra o Kortrijk, 0 a 0 contra os Rouches), boicote à imprensa.
Até que deu certo. Porque o time voltou a se concentrar, os jogadores que vinham rendendo bem seguiram no caminho certo (Mbokani, fazendo gols; Proto, fazendo milagres no gol e tendo sorte), e vieram os 4 a 1 contra o Gent. Que devolveram ao time uma distância mais sólida em relação ao Club Brugge: quatro pontos na frente. Os Blauw-en-Zwart, aliás, tiveram até sorte da distância não ser de cinco pontos, porque perdiam para o Standard Liège, no que seria o segundo revés consecutivo. Até que Ryan Donk marcou o gol salvador, aos 50 minutos da etapa final.
E, pelo menos neste final de semana, a roda da fortuna pelo título belga parará de girar, dando espaço aos clubes do Playoff II, por Liga Europa (no grupo 1, o Cercle Brugge vai confirmando o favoritismo; no 2, o Mons se beneficia do crescimento próprio e da preguiça do Lokeren, já garantido na LE pelo título da copa), e do Playoff III, contra o rebaixamento. Sorte dos candidatos ao troféu, que podem descansar das emoções.
De leve
O Ajax teve a rodada que pediu a Deus, no Campeonato Holandês. Fez 5 a 0 no Heerenveen, concorrente direto – ajudado pela expulsão do goleiro Vandenbussche aos três minutos do primeiro tempo, é verdade; viu AZ e Twente empatarem; viu o Feyenoord desperdiçar muitas chances, e ficar no empate sem gols contra o Roda JC; e viu o PSV voltar a decepcionar, caindo para o RKC Waalwijk.
E os Eindhovenaren viram algo ainda pior. Não bastasse a saída de Strootman, por lesão, Erik Pieters sofreu problema sério, no final do jogo. Saiu de campo com suspeita de nova contusão no pé direito, que já ficara fraturado, tirando-o dos jogos do final de 2011. Caso a suspeita se confirme (o que só se saberá na segunda, de acordo com os médicos do clube), a presença de Pieters na Euro 2012 correria sério perigo.
E, aí, Bert van Marwijk provavelmente escalaria Edson Braafheid. Que não é garantia de segurança nenhuma. A Alemanha (principalmente Thomas Muller) que o diga.



