Eliminatórias da CopaHolanda

Os caminhos aparecem

Jeremain Lens nunca foi um desses jogadores que a Europa inteira acompanha, esperando qual será o gigante do continente que vai tirá-lo da Holanda. Ainda assim, sempre se esperou que Lens fosse daqueles jogadores que poderia muito bem entrar no elenco da Oranje para dificilmente sair, até pelo bom nível das atuações pelo AZ, onde começou, e PSV, para onde foi. Só que não decolava. Foi pré-relacionado para a Copa de 2010 e a Euro 2012, mas não ficou na lista dos 23. E Lens começava a se aproximar do incômodo grupo de “foguetes molhados”.
Só que o atacante de ascendência surinamesa começou bem a temporada atual: é um dos destaques do PSV no Campeonato Holandês. E, principalmente, é um dos símbolos de como a seleção holandesa está se arrumando, aos poucos, nas eliminatórias para a Copa de 2014. Tendo recebido nova chance na Oranje, com a chegada de Louis van Gaal, Lens ganhou a vaga de titular contra a Hungria às pressas, com a lesão de Robben, no aquecimento. Marcou dois gols contra os magiares. E outro na goleada por 4 a 1, sobre a Romênia, no jogo apontado como o mais difícil do grupo.
E que não foi complicado. Porque repita-se: aos poucos, sem traumas (o que é ótimo, diga-se de passagem), a Oranje se impõe na qualificação, e consolida sua nova cara. Que talvez nem seja tão nova: a tão propagandeada volta do 4-3-3 à seleção não passa de impressão. O jogo contra a Romênia mostrou isso. Ao invés de serem “pontas” que recebem a bola já próximos à grande área, Lens e Narsingh partiam com ela dominada, mais atrás, ladeando Van der Vaart, até chegarem para tentar o gol, ou passar a Van Persie, o único atacante de ofício. Ou seja: embora isso não seja declarado, o 4-2-3-1 ainda dá as cartas no time atual.
Mas, ora bolas, o que mudou nesta seleção holandesa?, há de perguntar o leitor. Hora de mencionarmos as apostas de Van Gaal que estão vingando. Vejamos a lateral direita: Van Rhijn simplesmente não é mencionado, nas partidas em que atua. Nem para o bem, nem para o mal. Claro que parte disso se deve ao nível baixo de perigo que os adversários oferecem, mas o lateral do Ajax apresentou-se mais seguro na defesa do que Janmaat. Isso pode colocá-lo em vantagem até em eventual disputa de posição com Van der Wiel – ainda titular, até prova em contrário.
Só que o grande destaque da defesa holandesa chama-se Bruno Martins Indi. O defensor do Feyenoord pode ser considerado titular absoluto no time de Van Gaal, até. Impõe respeito, sem necessariamente ser pouco técnico. Traz perigo em seus avanços ao ataque (tanto que já conseguiu dois gols nas eliminatórias). Consegue, pouco a pouco, afastar a primeira impressão atabalhoada que deixou no jogo de estreia, contra a Turquia. E oferece versatilidade, podendo atuar tanto na zaga como na lateral esquerda. Sem dúvida, Martins Indi está firme para continuar como titular. Seja na lateral, disputando posição com Pieters e Willems, seja no miolo, tentando desbancar Heitinga e Vlaar, também com desempenho satisfatório até agora.
E até mesmo gente que não é nova tem ajudado o time de Van Gaal a superar os jogos com relativa facilidade. Enquanto o indiscutível Sneijder se recupera de contusão, Van der Vaart rende na armação o que há muito guardava apenas para suas atuações no Tottenham – e, agora, no Hamburg. Novamente, o marido de Sylvie Meis comprova seu valor como “12º jogador” disponível para Van Gaal. Ou não.
Porque o regra-três por excelência, na Holanda, nos tempos atuais, é aquele que fará o papel de único atacante. E a disputa continua ferrenha. Huntelaar foi titular no jogo contra Andorra. Está certo que o ritmo na partida foi de treino (Stekelenburg não apareceu para defender uma única bola), mas o atacante do Schalke 04 deixou uma nas redes. Para a partida contra a Romênia, como Van Gaal já prometera, Van Persie seria o titular. E Robin também fez o papel que dele se espera: completou os 4 a 1. Ou seja, a disputa continua.
Bom para Van Gaal, que sem traumas, vai conseguindo dar a cara que desejava à Holanda: uma equipe que conservasse a competitividade dos tempos de Bert van Marwijk, mas jogando de modo um pouco mais agradável aos torcedores holandeses. Sempre é bom ressaltar: o grupo ajuda, com a falta de adversários que façam frente à Oranje. Como já dito, os 3 a 0 contra os andorranos foi em ritmo de jogo-treino, e a Romênia foi menos resistente do que se esperava nos 4 a 1 de Bucareste. Ainda assim, é um relativo alento, após o tombo na autoestima que foi a ridícula participação na Euro 2012. E um sinal de que os caminhos já começam a aparecer.

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