Holanda

Onana é suspenso por 12 meses após uso de substância proibida e Ajax promete recorrer no TAS

A Uefa anunciou nesta sexta-feira a suspensão do goleiro André Onana por 12 meses. O jogador do Ajax usou uma substância proibida pela regulamentação antidoping, a furosemida. O diurético é bastante comum em diferentes medicamentos, ligados sobretudo ao sistema circulatório e ao sistema urinário, mas também pode ser usado para mascarar outras substâncias dopantes e por isso é restrito no esporte. Onana justifica que tomou um remédio de sua esposa por engano e o Ajax irá recorrer ao Tribunal Arbitral do Esporte.

Com a suspensão, Onana não poderá atuar pelo Ajax ou mesmo participar de treinamentos até fevereiro de 2022. Também não estará à disposição da seleção de Camarões ao longo do período. A furosemida foi detectada na urina do jogador depois de um exame antidoping. O diurético é proibido pela Agência Mundial Antidoping desde 2000, parte da categoria S5, que identifica os chamados “agentes mascarantes”.

Em nota oficial, o Ajax explicou a situação: “Na manhã de 30 de outubro, Onana estava se sentindo mal. Ele queria tomar um comprimido para aliviar o desconforto. Sem saber, porém, ele tomou Lasimac, um remédio que havia sido prescrito à sua esposa. A confusão de Onana fez com que ele tomasse por engano o remédio da esposa, causando a suspensão da Uefa contra o goleiro. Além disso, o órgão disciplinar da associação disse que Onana não teve intenção de trapacear. No entanto, a confederação acredita que, tomando por base as leis antidoping, um atleta tem o dever de garantir que nenhuma substância proibida entre em seu corpo”.

Diante da ausência de Onana, o Ajax deverá promover ao posto de titular o veterano Maarten Stekelenburg, reserva direto na posição. Os Godenzonen ocupam a liderança da Eredivisie, com uma vantagem de sete pontos. Além disso, o clube está garantido nos mata-matas da Liga Europa e enfrentará o Lille nos 16-avos de final.

Onana também publicou uma carta em suas redes sociais: “Só quero esclarecer que tudo foi fruto de um erro humano. Confundi o remédio que contém a substância proibida com uma simples aspirina. O remédio foi prescrito à minha namorada e eu, por engano, tomei porque a embalagem era quase idêntica, o que lamento profundamente. Devo dizer que respeito o Comitê de Recursos da Uefa, mas não concordo com a decisão. Considero excessiva e desproporcional, uma vez que foi reconhecido pela Uefa que meu erro não era intencional. Todo mundo sabe que vivo de maneira muito saudável e, desde que comecei minha carreira, sempre fui contra o uso de doping e condeno qualquer conduta antidesportiva”.

“Tenho 24 anos e, nas últimas temporadas, tive a sorte de jogar quase todos os minutos tanto pelo Ajax quanto pela minha seleção, sendo eleito o melhor goleiro da Eredivisie nos últimos quatro anos e da África nos últimos três. Quero dizer que não preciso recorrer ao doping para aprimorar minha carreira esportiva. Recorrerei da decisão no TAS para provar minha inocência e limpar meu nome. Espero voltar em breve, fazendo o que amo e ajudando meus companheiros. Gostaria de agradecer ao Ajax e à seleção de Camarões pelo apoio e confiança em mim”, complementou.

Alguns atletas brasileiros já foram pegos por uso de furosemida, incluindo o nadador César Cielo e a ginasta Daiane dos Santos. No futebol, o caso mais repercutido foi o do goleiro Renê, que na época atuava pelo Bahia. Ele tomou um remédio com furosemida por causa de um problema de pressão e acabou flagrado no antidoping. Renê também foi suspenso por um ano, sem conseguir recorrer da pena. Depois, voltou a atuar pelo Grêmio Barueri. Em 2003, o goleiro Harlei pegou uma suspensão de quatro meses pela mesma substância.

Em caso paralelo, o Comitê de Recursos da Uefa também não permitiu a inscrição de Sébastien Haller na Liga Europa. O Ajax não incluiu seu principal reforço de janeiro na lista para os mata-matas da competição e tentou acionar a entidade para corrigir o erro. Porém, como a ausência de Haller foi de responsabilidade do próprio clube, e não uma falha de terceiros, a inclusão do centroavante não foi permitida.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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