Holanda

O mundo dá voltas

Antes da 23ª rodada da Eredivisie 2007/08, o clássico Ajax-PSV era esperado com ansiedade. Os dois principais clubes holandeses vinham tendo trajetórias regulares no Campeonato Holandês da temporada passada e o duelo direto era encarado, ligeiramente, como uma “decisão”: quem ganhasse, viraria o time a ser batido, o favorito ao troféu de campeão nacional. O PSV vinha invicto nas últimas cinco rodadas, com quatro vitórias; o Ajax também ostentava uma invencibilidade, mas esta era constituída por três empates. E pode-se dizer que a vitória por 2 a 0 conseguida naquela quarta, 30 de janeiro, em plena Amsterdam Arena, tirando proveito da fragilidade emocional do time da casa e de uma atuação abençoada de Balázs Dzsudzsák, colocou em definitivo os Boeren no caminho do tetra, ao mesmo tempo que representava a primeira e mais forte bomba a danificar o casco do navio de Strandsvliet, que naufragaria ao fim da temporada, com apenas mais um vice-campeonato e sem vaga na Liga dos Campeões.

Pois bem. O tempo passou, o Ajax levou um pouquinho mais a sério a história de reformulação, o PSV perdeu jogadores importantes e caiu numa crise interna, e enfim chegou a décima-primeira rodada da Eredivisie desta temporada, na qual os dois maiores expoentes do Trio de Ferro, atualmente, se enfrentarão. E a Amsterdam Arena verá um duelo entre dois times em situação absolutamente diferente em relação à temporada passada.

Após um período de irregularidade, o Ajax parece ter ganho, definitivamente, uma cara de time: coeso, solidário e, claro, vencedor. Prova disso é que, na Eredivisie, os Godenzonen já acumulam cinco triunfos em série. Metade das partidas que a equipe de Marco van Basten tinha de vencer para poder ser considerada candidata verdadeira ao título foi superada, com as vitórias sobre Twente e Sparta. E a vitória sobre o clube de Het Kasteel foi, talvez, o ponto alto da temporada 2008/09: o time conseguiu, até com facilidade, sonoros 5 a 2. Melhor, só se Huntelaar não tivesse arrebentado o tornozelo, saindo aos 38 do 1º tempo (ficará de fora dos campos por seis semanas) e se Joshua John, ao marcar o primeiro gol do Sparta, não evitasse, por alguns minutos, a quebra do recorde de 806 minutos sem levar gol na Arena.

Num 3-4-3 que deixou Vertonghen mais recuado, Gabri conseguiu fazer com que a qualidade da posse de bola no meio-campo não caísse, enquanto, na frente, Kennedy Bakircioglu conseguiu executar bem o papel de cadenciador do jogo. E até mesmo a entrada forçada de Sno deu certo, fazendo com que o volante possa ser considerado como opção para exercer a função de “homem de referência” na área, enquanto Suarez – agora o centro do ataque Ajacied – fica fora da área, buscando jogo, ao cair pelos lados ou até mesmo vindo da meia.

No caso do atual campeão holandês, não é o caso de dizer que o PSV tenha virado um time de barrigudos peladeiros sem nenhuma intimidade com a bola. O time de Huub Stevens está em quinto lugar e uma vitória o colocaria de volta ao grupo dos que brigam pela ponta da tabela. Mas a irregularidade da equipe na temporada e, principalmente, os desempenhos horríveis da última semana colocam em xeque as análises sobre a possibilidade de vitória em Amsterdam. A derrota para o NEC só piorou as coisas. Não pelo resultado, 1 a 0. Mas sim pela falta de perspectiva que o time mostrou em campo. Nem mesmo quando os Nijmegenaren desaceleraram o ritmo, os jogadores deram pinta de que poderiam mudar o rumo da partida. Jogadas no meio de campo inexistiam, e os cruzamentos insistentes para a área não evitaram um pífio desempenho do ataque, fosse com Koevermans, fosse com Lazovic. Isaksson é até um goleiro seguro, mas ainda não conseguiu aglutinar toda a defesa em torno dele como Gomes conseguia. E a dupla Marcellis-Salcido não se entrosou muito bem, até agora.

Enfim, do modo que chegam agora, nem parece que o Ajax ficou de fora da LC, muito menos que o PSV é o atual detentor da taça. Mas nada impede que os Eindhovenaren se superem e vençam os rivais, ou que os Amsterdammers sintam demais a falta de Huntelaar no ataque. Como nada impede que dê mesmo a lógica. Afinal, como já dizia o famoso axioma, “clássico é clássico e vice-versa”. 

O Brugge perdeu a chance

Um minuto. Foi isso que separou o Brugge de prosseguir com uma margem segura na liderança da Jupiler League. Os azuis-e-pretos já haviam tido dificuldade para conseguir virar a partida contra o Charleroi. Saíram atrás no placar, mas Sonck marcou dois gols no espaço de três minutos e fez 2 a 1. Só que, aí, veio o descuido no um minuto que inicia o texto: aos 44 do segundo tempo, aquela desatenção pouco recomendável vitimou Alcaraz. E o zagueiro paraguaio cometeu o gol contra que rendeu o empate – justo – às Zebras. Os 26 pontos praticamente garantidos viraram apenas 24.

E a vantagem que poderia ser de três pontos de diferença para o segundo colocado ficou sendo apenas de um ponto. Porque o Standard teve a sorte de ver a dupla de ataque Jovanovic-Mbokani voltar a colaborar no campeonato belga. Principalmente a parte que cabe ao congolês. Embora ainda sendo o artilheiro máximo, ele não balançava as redes na liga havia quatro rodadas. E tirou o atraso contra o Germinal Beerschot, marcando duas vezes, ao passo que o parceiro completava os três gols que viraram o jogo, iniciado com derrota, para o clube de Antuérpia. Sem dúvida, a vitória serviu para mostrar que os Rouches ainda são candidatos ao bi. Só precisam esperar que o ataque continue colaborando com o meio-campo.

E, de quarto, o Standard voltou à segunda posição na tabela pelo azar que teve o Anderlecht. Os Mauves nem jogaram mal, mas deram o azar de encontrar dois jogadores do Lokeren num dia inspirado. O primeiro atende por Boubacar Copa Barry: o goleiro marfinense fechou o gol, só sofrendo dois quando a vitória estava assegurada. E o triunfo, por sua vez, deve muito aos dois gols de Moussa Maazou. O nigeriano abriu 2 a 0, e Dupré fez o terceiro, ainda no primeiro tempo. O time de Ariël Jacobs tentou partir para o abafa, mas, graças à atuação de Barry, o jogo ficou mesmo no 3 a 2, não só perdendo o jogo, mas assistindo à chegada do Westerlo, que, com um golzinho, venceu o confronto direto contra o Genk e chegou à quarta posição, um ponto atrás dos 22 que tem o clube do Constant Vanden Stock.

Com o clássico entre Bruges e Anderlecht, na próxima rodada, não é exagero prever que, como na Holanda, pode acontecer tudo. Quem ganhar, volta a ter um respiro. E um empate pode dar fôlego ao Standard. “Clássico é clássico…”

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo