Na rodada que deve colocar Holanda na Copa, Sneijder ganha chance
Podia não ser um trauma tão grande. Mas ele existia. E está próximo de acabar. Tem até data: 10 de setembro de 2013. Exatamente doze anos e nove dias após sofrer a derrota por 1 a 0 para a Irlanda, que a impediu de se classificar para a Copa de 2002, caso cumpra sua tarefa e vença Andorra, em Andorra La Vella, pelas eliminatórias da Copa de 2014 (e também a Estônia, em Tallinn, nesta sexta-feira), a seleção da Holanda assegurará a presença dela na 20ª edição do Mundial. E por tabela, encerrará o trauma maior da carreira de Louis van Gaal, como técnico.
Mas o importante nem é a classificação. Afinal de contas, como vice-campeã mundial, bater ponto em mais uma Copa era quase obrigação para a Laranja. Sem contar que o grupo das eliminatórias novamente foi abençoado, sem nenhum rival que pudesse ser considerado realmente difícil – Turquia e Romênia, que poderiam oferecer algum entrave, foram superadas com facilidade. O importante estará no time que irá a campo, tendo como protagonista maior alguém que parecia estar a perigo entre o elenco constantemente convocado: Wesley Sneijder.
O meio-campista estava tão a perigo, aliás, que sequer foi incluído na lista de jogadores convocados por Van Gaal para os jogos contra Estônia e Andorra. Isso, já tendo ficado de fora do amistoso contra Portugal, quando foi até pressionado, ainda que de modo leve e incentivador, pelo treinador da Oranje. Entrevistado pelo jornalista Johan Derksen, no programa de tevê deste, Sneijder respondeu, lamentando: “Sinto que eu merecia mais crédito”.
O tempo passou, a lista preliminar foi reduzida aos 21 jogadores confirmados para enfrentar estonianos e andorranos… e nada de Sneijder. Só que o destino, este agente que às vezes aparece decisivamente, deu um empurrãozinho a favor do jogador do Galatasaray: na última segunda, durante os treinamentos já iniciados em Noordwijk, Georginio Wijnaldum apresentou-se com uma lesão no tornozelo, e foi cortado. E surpreendentemente, Van Gaal anunciou Sneijder como substituto.
Embora o jogador tenha começado bem a temporada pelo Galatasaray, o treinador ainda tinha certas reservas, na linha do “quero ver mais coisas”. Daí a surpresa pela repentina convocação, embora Louis tenha se justificado: “Eu o convoquei porque Van Ginkel não tem jogado muito pelo Chelsea e Maher está fora de forma. Nesse momento, com defesas fechadas, como eu espero que serão as de Estônia e Andorra, as características de Sneijder foram importantes para que eu o chamasse”.
Aparentemente, o grande destaque da Laranja na campanha da Copa de 2010 compreendeu bem a razão de ter ficado de fora das últimas convocações: “Se você quer ser o camisa 10 da seleção holandesa, precisa estar no máximo de sua forma”. Caso exiba que está mais ativo – parte muito importante de seu jogo, já que se notabilizou por ser um rápido armador -, Sneijder certamente deixará Van Gaal contente. Até pelos pedidos dele: “No nosso estilo de jogo, o camisa 10 é importante não só quando nós estamos com a posse de bola, mas também quando o adversário está com ela. Já disse a Wesley que se ele roubar bolas do adversário, serei o primeiro a comemorar no banco”.
E Sneijder é praticamente a única novidade num time já conhecido. Na defesa, foi a vez de Jetro Willems ganhar oportunidades na lateral esquerda, ao passo que Michel Vorm, novamente titular, passa à frente de Vermeer na disputa pela posição no gol, ainda indefinida. De resto, já se sabe o que esperar: Janmaat, De Vrij, Martins Indi, De Guzman, Strootman, Lens, Van Persie e Robben.
Com esses jogadores, a Holanda parte para enfrentar a Estônia, nesta sexta. Por sinal, a mesma Estônia que trouxe dificuldades naquelas eliminatórias para a Copa de 2002, traumáticas para Van Gaal, em junho de 2001, na mesma Le Coq Arena que sedia a partida desta sexta: “Nós perdíamos por 2 a 1 até os 38 minutos do segundo tempo, e vencemos por 4 a 2 [contra a Estônia, fora de casa]. Mas o gramado está ótimo, bem melhor do que há 12 anos. Não temos desculpas”.
De fato, a chance da Holanda é agora. É bem melhor garantir a vaga na Copa logo do que enfrentar sérias dificuldades. Até porque, relembrando o jogo de 2001, Van Gaal foi definitivo: “Um jogo dura noventa minutos. Relembramos isso [nos amistosos] contra Portugal e Itália, quando desperdiçamos a vantagem no fim”. Cabe ao time mostrar que a lição foi aprendida.



