Holanda

Melhor que a encomenda

Quando o sorteio dos grupos da Liga dos Campeões definiu que o Standard Liège cairia no grupo H, com Arsenal, AZ e Olympiacos, este colunista comentou, num post escrito por Leonardo Bertozzi para o blog deste site, que não acreditava no clube belga. Apostando, obviamente, no Arsenal como líder, as escolhas prosseguiam com o Olympiacos sendo apontado como segundo classificado, enquanto o AZ iria para a Liga Europa. A falta de experiência em competições continentais seria demais para o bicampeão belga.

Além disso, o sorteio havia sido realizado pouco depois do clássico contra o Anderlecht, quando a equipe ainda estava no meio da comoção geral com a fratura dupla de Marcin Wasilewski, causada por Axel Witsel. O meio-campista ficaria suspenso por oito jogos – o que acabou tirando seu ritmo de jogo, fazendo com que Laszlo Bölöni optasse por deixá-lo de fora dos jogos da LC. Para piorar, Steven Defour, outra peça-chave no meio, quebrou um osso do pé, contra o Lokeren, pela sétima rodada. Como conseguir se manter bem, diante de tantas baixas importantes?

Pois o Standard fez algumas escolhas – principalmente, com seu técnico. E a equipe começa a dar mostras de que pode, sim, sonhar com a continuação nos torneios continentais. Para tanto, evidentemente, começou a deixar um pouco de lado a Jupiler League: com os jogadores poupando-se para as partidas decisivas da fase de grupos, a equipe já não vence no Campeonato Belga há três partidas. Algo pouco recomendado, ainda mais tendo em vista o duelo contra o Club Brugge, atual líder.

Entretanto, mesmo durante os desempenhos mais discretos na liga, o esquema tático em Sclessin conseguiu ser bem mantido, até o fim da suspensão de Witsel (que voltou na última rodada, com o empate sem gols contra o Excelsior Mouscron). Escalando o time num 4-2-3-1, ou até num 4-4-2, Bölöni teve a lhe ajudar a possibilidade de escalar vários jogadores em posições diferentes, sem perda da qualidade.

Um deles foi o brasileiro Felipe. Estreando contra o Lokeren, o ex-jogador do Coritiba foi escalado no meio-campo – e marcou o último gol da equipe, nos 3 a 1. Além disso, Felipe pode trocar de posição com Eliaquim Mangala, que também chega bem ao ataque, como visto contra o Arsenal, pela Liga dos Campeões, quando o zagueiro francês abriu o placar em jogada individual.

Além disso, há Yannick Dalmat, que mantém a qualidade na cabeça de área, ajudando a saída de bola para que Igor de Camargo e Mehdi Carcela-Gonzalez armem as jogadas. A tal ponto que, de esperança para ser titular, Olivier Dacourt é pouco mais do que um reserva útil pela experiência, por enquanto. Voltando à defesa, o português Ricardo Rocha tomou conta da lateral esquerda desde que entrou. E, finalmente, o ataque, que continua efetivo e perigoso como sempre. Tanto com o faro de goleador respeitável exibido por Mbokani, como pela habilidade de Milan Jovanovic.

Outro fator digno de elogios ao Standard é o brio exibido, nos jogos da LC. A equipe ainda está na terceira posição, mas não deve ser considerada carta fora do baralho, no grupo H. Se não conseguiu segurar o ataque do Arsenal, após abrir 2 a 0 na estreia, enlouquecendo a torcida no Maurice Dufrasne, o time foi atrás, para arrancar o empate contra o AZ, nos acréscimos. Depois, perdeu apertado para o Olympiacos. E, por fim, dominou completamente os Thrylos, no “Inferno de Sclessin”, ajudado pela torcida sempre empolgada

Evidentemente, o cenário não mudou tanto assim. A equipe não pode ficar apenas sonhando com um eventual lugar nas oitavas de final, até porque seu próximo desafio é enfrentar o Arsenal no Emirates. Além disso, com os tropeços na Jupiler League, o time já está a oito pontos de distância do Club Brugge. Mas, se exibir esta força de vontade, e a volta de Witsel – junto do futuro retorno de Defour – manter o time em alta, será possível surpreender muita gente. Inclusive o colunista.

É o jogo

O Grolsch Veste, de Enschede, testemunhará aquela que promete ser a melhor partida da Eredivisie, até agora. Frente a frente, jogarão pela 13ª rodada os dois melhores times do Campeonato Holandês. Do Twente, já se falou aqui, na coluna passada. Mas o fato é que o Ajax não dá menos motivos para empolgação. E mostrou isso no De Klassieker, contra o Feyenoord, com a goleada por 5 a 1.

É certo que a expulsão de Stefan Babovic, no fim do primeiro tempo, ao acertar o cotovelo no nariz de Jan Vertonghen (sem culpa, mas de modo imprudente), diminuiu muito o ânimo do Stadionclub para tentar o empate, após Demy de Zeeuw abrir o placar. Mas não é menos certo dizer que o Ajax foi brilhante, no segundo tempo.

O citado De Zeeuw comprova-se, a cada jogo, como uma aquisição acertada para a organização do meio-campo. O volante tem plena capacidade de roubar bolas, e é muito rápido e preciso nos passes. Com isso, favorece plenamente a conhecida habilidade do trio de ataque dos Amsterdammers. Pantelic é o finalizador nato; Suárez é a máquina de fazer gols, na temporada, e ainda exibe técnica; e Urby Emanuelson voltou a se apresentar bem, o que já faz com que sejam ouvidos pedidos por uma volta dele à seleção.

Além disso, Martin Jol já conseguiu dar sua cara ao time. É uma equipe organizada, que joga no 4-3-3, e tem segurança satisfatória na defesa. E é esta a equipe que vai tentar superar o Twente. Condições para isso, tem.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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