Holanda

Mas já?!

Ao contrário do que possa parecer, há momento mais difícil do que o final de temporada, quando não há jogo algum, para se escrever colunas como esta. É o início da temporada. Tudo bem, já há jogos válidos por competições importantes, os times partem com tudo para os últimos dias da janela de transferências, mas é a fase em que qualquer prognóstico é bastante temerário. É a velha história do risco de se dizer “pintou o campeão” com cinco rodadas passadas, e por aí vai.

Só que esse pensamento racional anda passando longe do PSV. Senão, veja-se a manchete da notícia do site da revista “Voetbal International” a respeito da vitória por 1 a 0 sobre o RKC, a primeira do time de Fred Rutten no Campeonato Holandês: “O desconforto permanece no PSV após vitória magra sobre o RKC”. Isso, sem contar a derrota para o AZ, por 3 a 1, na estreia pela Eredivisie. E ainda nem havia acontecido o empate sem gols contra o Ried, da Áustria, pelos play-offs da Liga Europa.

De certa forma, a decepção com tais atuações dos Boeren precipitou uma corrida do clube às contratações. Só nesta semana, foram duas. Primeiramente, para o gol. O polonês Przemyslaw Tyton já vinha se destacando dentro do Roda JC: desde que tomou a posição do belga Bram Castro, Tyton se impôs com boas atuações. Uma delas se repetiu na segunda rodada, quando foi um dos responsáveis pelo Feyenoord não ter conseguido placar maior do que os 3 a 0. Bastou isso, mais o fato de o brasileiro Cássio ter seu contrato encerrado em 2012 (sem muitas perspectivas de renovação), e pronto: Tyton foi emprestado ao PSV, até o fim da temporada.

A zaga, por sua vez, nem é tão problemática assim. É certo que Francisco Rodríguez foi-se rumo ao Stuttgart, mas “Maza” não era fundamental – nem titular era. Mas Bouma e Marcelo precisavam de um reserva. E a derrota para o AZ fez com que o clube de Eindhoven saísse às compras para o setor. A escolha também foi elogiável, assim como a de Tyton: após sair do Feyenoord, onde foi formado, pela porta dos fundos, Timothy Derijck se firmou como um defensor firme no ADO Den Haag. Não era nenhum grande destaque no clube de Haia, mas valia a aposta como reserva imediato. E, por isso, foi mais um a chegar a De Herdgang.

Porém, esses foram reforços de última hora. O que se esperava era para ver como as principais contratações – Wijnaldum, Mertens e Strootman à frente – se sairiam. A torcida não teve tanta paciência: a derrota para o AZ já tornou as coisas difíceis de cara. Injustiça. Afinal, a parte ofensiva do time de Alkmaar jogou bem, com destaque para Maarten Martens (quem sabe este volte a ocupar o protagonismo na armação que um dia já teve) e Jozy Altidore, que já chegou marcando e dando esperanças à torcida.

E, no 1 a 0 contra o RKC, as críticas sobre o nível de jogo pouco criativo fizeram com que se esquecesse o esforço dos Católicos: na estreia, o atual campeão da Eerste Divisie empatou com o Heracles. E atuando satisfatoriamente, para um clube apontado quase unanimemente como candidato à queda. Novamente, a pressão caiu sobre o trio das principais aquisições. Por não terem dado o ritmo acelerado que se esperava, ambos ainda não caíram nas graças da torcida. Só que Mertens já deu mostras do que se pode esperar dele: marcou os dois gols do time, até agora, na Eredivisie.

Certo, ter empatado sem gols com o Ried, ainda que fora de casa, foi um resultado pouco auspicioso para as pretensões na Liga Europa – embora o PSV tenha perdido para o Sibir, rebaixado no último Campeonato Russo, no jogo de ida dos play-offs da LE 2010/11, para se classificar à fase de grupos com um definitivo 5 a 0. De mais a mais, começar com um empate e uma vitória sem graça também não é nada agradável para um time que espera reconquistar o título que lhe escapa há três temporadas.

Entretanto, a pressão e as críticas parecem exageradas para um time que ainda está se entrosando. E que ainda pode sofrer mais perdas (fala-se de Erik Pieters no Newcastle). Além disso, a equipe tem grande potencial para se reerguer já na próxima rodada, contra o ADO Den Haag. Aliás, qual é mesmo a próxima rodada? É apenas a terceira. De um campeonato com 34 partidas. Isto é, ainda há chão pela frente.

O outro se vai

Há algumas edições, esta coluna escreveu sobre a saída de Axel Witsel rumo ao Benfica, que representava uma oportunidade valiosa para o armador, enfim, provar o talento que o fez ser eleito o melhor jogador da Bélgica em 2008. E alertava que Steven Defour também deveria tomar esse caminho. Só não se esperava que ele fizesse quase a mesma rota do ex-companheiro de Standard Liège.

Porque Defour também foi para Portugal. Só que tomou o caminho do Estádio do Dragão. Medida ainda mais acertada: com a saída de Ruben Micael, o meia tem muito mais chances na disputa de posição com Fernando e Cristián Rodríguez pela titularidade. E, com esforço, o camisa 35 portista tem grandes chances de ser escolhido por Vitor Pereira. Afinal de contas, tem talento para jogar em vários setores do meio-campo – muito embora se dê melhor na armação.

De quebra, o clube da Invicta ainda trouxe Eliaquim Mangala do Maurice Dufrasne. Embora seja um zagueiro mais firme do que propriamente técnico (o que não quer dizer que seja violento – nunca foi), o francês de 20 anos oferece uma opção digna a Rolando ou Otamendi.

Só que a saída de Defour, finalmente, encerra o ciclo do Standard bicampeão em 2007/08 e 2008/09. Para o bem do meio-campista, que ganha chance num clube de ainda mais destaque. Quem sabe, uma boa temporada dos Dragões possa fazer o nome de Defour passar a ser apontado como uma realidade, não como a promessa já se apagando que ele começava a perigar ser.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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